segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

'Cristo vive em Mim'


    Logo no início de sua primeira carta, São João Evangelista diz qual a missão confiada por Jesus aos Apóstolos: "... o que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco. Ora, nossa comunhão é com o Pai e com o Seu Filho Jesus Cristo." 1 Jo 1,3
    Essa comunhão é a promessa feita por Jesus, de fazer de Seu povo Casa Sua e do Pai: "Se alguém Me ama, guardará Minha Palavra e Meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos Nossa morada." Jo 14,23
    Foi o que revelou o Arcanjo Gabriel a Nossa Senhora, a quem Deus providencialmente Se antecipou, tomando-a como Sua morada: "Entrando, o anjo disse-lhe: 'Ave, cheia de Graça, o Senhor é contigo.'" Lc 1,28
    Isso significa estar em perfeita união com Deus, e ao mesmo tempo com Seus filhos, nossos irmãos, o que só é possível através da Reconciliação oferecida por Jesus. São Paulo ensina: "Todo aquele que está em Cristo é nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo! Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou Consigo, por Cristo, e confiou-nos o ministério desta reconciliação." 2 Cor 5,17-18
    De fato, rezando ao Pai, Jesus menciona a esplendorosa e inequívoca marca do Reino de Deus, derramada sobre os Apóstolos para a perfeita união da Igreja: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam um, como Nós somos um... para que sejam perfeitos na unidade..." Jo 17,22-23
    Ou seja, só em comunhão é possível viver a Verdade, e só através dela se ama verdadeiramente o próximo. É o que diz o Amado Discípulo: "Se dizemos ter comunhão com Ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não seguimos a Verdade. Se, porém, andamos na Luz como Ele mesmo está na Luz, temos recíproca comunhão uns com os outros, e o Sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, purifica-nos de todo pecado." 1 Jo 1,9-7
    Para promover essa unidade, e mostrar-Se como ponto ao qual tudo deve convergir, Deus manifestou-Se plenamente na pessoa de Jesus, exemplo máximo de Seu amor, que é a essência do Reino dos Céus. São Paulo afirma aos coríntios: "Fiel é Deus, por Quem fostes chamados à comunhão de Seu Filho Jesus Cristo, Nosso Senhor." 1 Cor 1,9
    Afirmativamente, Cristo veio para conduzir-nos a essa comunhão, como O vemos pedir ao Pai na Oração da Unidade: "Para que todos sejam um, assim como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti, para que também eles estejam em nós..." Jo 17,21
    Jesus mencionava inclusive os não judeus, a quem Sua manifestação de imediato não contemplava: "Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a Minha voz e haverá um só rebanho e um só Pastor." Jo 10,16
    São Paulo, por Sabedoria, reclama essa unidade pela prática da Comunhão Eucarística, que é o Corpo de Cristo, o Santíssimo Sacramento, simbolo máximo da comunhão espiritual até então aqui mencionada: "O Cálice de bênção, que benzemos, não é a Comunhão do Sangue de Cristo? E o Pão, que partimos, não é a Comunhão do Corpo de Cristo? Uma vez que há um único Pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só Corpo, porque todos nós comungamos do mesmo Pão." 1 Cor 10,16-17
    Pois para que seja realmente efetiva, essa comunhão espiritual tem que fazer da Comunhão Eucarística seu alimento: "Então lhes disse Jesus: 'Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a Carne do Filho do Homem, e não beberdes Seu Sangue, não tereis a Vida em vós mesmos.'" Jo 6,53
    Assim se dá a Vida Eterna: "Como vive o Pai que Me enviou, e Eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer Minha Carne viverá por Mim." Jo 6,57
    Porque Ele é a Vida e assim tem o dom da Vida: "O Pai ama-Me porque dou Minha Vida para retomá-la. Ninguém a tira de Mim, mas Eu dou-a de Mim Mesmo e tenho o poder para dá-la, como tenho o poder para reassumi-la. Tal é a ordem que recebi de Meu Pai." Jo 10,17-18
    Ele explicou assim Sua Paixão e Ressurreição: "Ainda um pouco de tempo e o mundo já não Me verá. Vós, porém, Me tornareis a ver, porque Eu vivo e vós vivereis." Jo 14,19
    Sentenciou: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim." Jo 14,6
    E pôs nestes termos Sua Comunhão com o Pai: "Com efeito, como o Pai ressuscita os mortos e dá-lhes Vida, assim também o Filho dá Vida a quem Ele quer." Jo 5,21
    Assim como Seus planos: "Esta é a vontade de Meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e n'Ele crê, tenha a Vida Eterna; e Eu o ressuscitarei no Último Dia." Jo 6,40
    Essa era mesmo Sua pregação em todas as situações: "Levantou-se um doutor da Lei e, para pô-Lo à prova, perguntou: 'Mestre, que devo fazer para possuir a Vida Eterna?' Disse-lhe Jesus: 'Que está escrito na Lei? Como é que lês?' Respondeu ele: 'Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma, de todas tuas forças e de todo teu pensamento (Dt 6,5); e a teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18).' Falou-lhe Jesus: 'Respondeste bem; faze isto e viverás.'" Lc 10,25-28
    Denunciava, também assim, Sua rejeição pelos judeus: "E vós não quereis vir a Mim para que tenhais a Vida..." Jo 5,40
    Essa é ainda a justificativa dada por São João para escrever seu Evangelho:"Jesus fez diante dos discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a Vida em Seu Nome." Jo 20,30-31
    Ele garante: "... porque a Vida se manifestou, e nós a temos visto..." 1 Jo 1,2a
    Por isso o Santo de Tarso aponta a Igreja do Cristo como a mais bela construção da qual se pode participar, a verdadeira Casa de Deus: "Consequentemente, já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos Santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos Apóstolos e Profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus. É n'Ele que todo edifício, harmonicamente disposto, levanta-se até formar um santo templo no Senhor. É n'Ele que também vós outros entrais conjuntamente, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus." Ef 2,19-22
    É dever de todo cristão, portanto, crescer no amor salvífico, que é condição essencial para que Deus habite em nós, como escreve ele aos efésios: "Que Cristo habite pela fé em vossos corações, arraigados e consolidados na caridade, a fim de que possais, com todos os cristãos, compreender qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, isto é, conhecer a caridade de Cristo, que desafia todo conhecimento, e sejais cheios de toda plenitude de Deus." Ef 3,17-19


A MATURIDADE ESPIRITUAL

    Porque todo empenho de Deus é para que cheguemos a esse amadurecimento espiritual, 'à estatura de Cristo', através da única fé, tal como ensinada por Sua Igreja: " ... até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo. Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus enganadores artifícios." Ef 4,13-14
    Nessa missão empregou São Paulo sua vida, dispondo-se a tudo sofrer como escreveu aos colossenses: "... até que Cristo seja formado em vós..." Gl 4,19
    Para que nossa felicidade seja completa, pois, nada nos falta. Temos Jesus, segundo Suas próprias palavras: "Com efeito, de tal modo Deus amou o mundo que lhe deu Seu único Filho, para que todo que n'Ele crer não pereça, mas tenha a Vida Eterna." Jo 3,16
    São Paulo garante aos colossenses: "Tendes plenamente tudo n'Ele... " Cl 2,10
    Sem dúvida, Jesus é a personificação de Deus: "Porque aprouve a Deus fazer n'Ele habitar toda plenitude..." Cl 1,19
    Ele é a própria corporificação do Altíssimo: "Pois n'Ele habita corporalmente toda plenitude da divindade." Cl 2,9
    Ora, o próprio Reino dos Céus será consolidado em "... Cristo, que será tudo em todos." Cl 3,11
    Essa é a razão das orações de São Paulo: que Cristo cresça em nós por Seu Espírito: "Por esta causa dobro os joelhos em presença do Pai, ao Qual deve sua existência toda família no Céu e na Terra, para que vos conceda, segundo Seu glorioso tesouro, que sejais poderosamente robustecidos pelo Seu Espírito em vista do crescimento de vosso homem interior." Ef 3,14-16
    Com sua forte e costumeira flama, o Apóstolo dos Gentios questiona os coríntios: "Ou não sabeis que vosso corpo é Templo do Espírito Santo, que habita em vós, o Qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis?" 1 Cor 6,19
    Ele apontava as inclinações da carne como a primeira causa da falta de comunhão com Deus: "Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se é que o Espírito de Deus realmente habita em vós." Rm 8,8-9
    E assim explicava a oposição que ela nos faz na inevitável luta contra o pecado: "Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita o bem, porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita. Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte?... " Rm 7,18-20.24
    Mas ele bem sabia em Quem encontrar a Salvação: "Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus dos mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos, também dará a Vida a vossos corpos mortais, pelo Seu Espírito que habita em vós." Rm 8,11
    Por isso não se apegava aos valores desse mundo, que são meras ilusões, e aspirava o corpo incorruptível: "Sabemos, com efeito, que ao se desfazer a tenda que habitamos neste mundo, recebemos uma casa preparada por Deus e não por mãos humanas, uma eterna habitação no Céu." 2 Cor 5,1
    Vibrante, ele dizia: "Estamos, repito, cheios de confiança, preferindo ausentar-nos deste corpo para ir habitar junto ao Senhor." 2 Cor 5,8
    E provocava: "Se é só para esta vida que temos colocado nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima." 1 Cor 15,19
    Renegando totalmente a esse mundo, ele dizia aos filipenses: "Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. Mas se o viver no corpo é útil para meu trabalho, não sei então o que devo preferir. Sinto-me pressionado dos dois lados: por uma parte, desejaria desprender-me para estar com Cristo - o que seria imensamente melhor; mas, de outra parte, continuar a viver é mais necessário, por causa de vós..." Fl 1,21-24
    Também São Pedro só via uma razão para estar nesse mundo: "Tenho por meu dever, enquanto estiver neste tabernáculo, manter-vos vigilantes com minhas admoestações. Porque sei que em breve terei que o deixar, assim como Nosso Senhor Jesus Cristo me fez conhecer." 2 Pd 1,13-14
    Tal postura é resultado do que Jesus havia ensinado: "Porque o que quiser salvar sua vida, perdê-la-á; mas o que perder sua vida por amor de Mim e do Evangelho, salvá-la-á." Mc 8,35
    Um dia, por fim e pela Graça, estaremos com Deus na eterna morada. Mas não precisamos viver em espera! Como prometido, assentindo em Seu amor e através da Comunhão Eucarística, hoje mesmo Ele pode vir morar em nós. Sim, Ele: Deus onisciente, onipresente e onipotente; Ele que tem todo o Universo como Sua casa; Ele "... único Soberano, Rei dos reis e Senhor dos senhores, o único que possui a imortalidade e habita em luz inacessível..." 1 Tm 6,15-16
    Por experimentar vividamente a Comunhão, São Paulo deixou uma bela síntese do que se tornou sua vida terrena: "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim." Gl 2,20

    "Com Jesus oferecemos, ó Pai, a nossa vida!"

domingo, 17 de dezembro de 2017

Igreja: Pedaço do Céu


CASA DE DEUS, LOGO CASA DA VERDADE

    A Igreja é a Casa de Deus, é a depositária da Verdade por Ele revelada, como disse São Paulo a São Timóteo: "Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na Casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da Verdade." 1 Tm 3,15
    É um lugar diferenciado e privilegiado por uma especial bênção de Deus, como a própria Terra Santa que Ele revelou a Moisés, e assim incomparável a todos os demais: "Vendo o Senhor que ele se aproximou para ver, chamou-o do meio da sarça: 'Moisés, Moisés!' 'Eis-me aqui!', respondeu ele. E Deus: 'Não te aproximes daqui. Tira as sandálias de teus pés, porque o lugar em que te encontras é uma Terra Santa.'" Ex, 3,4-5 
    Ela é católica, que quer dizer universal, ou seja, de todos os povos que quiserem conhecer a Verdade. Deus disse a Isaías: "... Minha Casa chamar-se-á Casa de Orações para todos os povos..." Is 56,7
    E enquanto assembleia da Nova e Eterna Aliança, ela só se estabeleceu no mundo pela Pessoa de Jesus. É Ele que confere à Sua Casa, que é Seu Corpo, a condição divina. Os seguidores da tradição de São Paulo escreveram: "Porém, já veio Cristo, Sumo Sacerdote dos bens vindouros. E através de um tabernáculo mais excelente e mais perfeito, não construído por mãos humanas, isto é, não deste mundo..." Hb 9,11
    Isso estava previsto desde o Profeta Isaías: "Naquele tempo, o Rebento de Jessé, que Se ergue como um sinal para os povos, será procurado pelas nações e gloriosa será Sua Morada." Is 11,10
    Ora, como exemplo de reverência aos lugares sagrados, o próprio Jesus não abria mão do Templo de Jerusalém. Foi o que Ele disse a Nossa Senhora e São José quando ainda tinha 12 anos: "Jesus respondeu: 'Por que Me procuráveis? Não sabeis que devo estar na Casa de Meu Pai?'" Lc 2,49
    Pois é a Lei que declara o Templo como lugar de culto, como diz o salmista: ""Ó Deus, nós meditamos Teu amor no interior de Vosso Templo." Sl 47,10
    Assim como obriga o próprio culto, num versículo na sequência dos 10 Mandamentos: "Prestarás culto ao Senhor Teu Deus, e então Eu te abençoarei teu pão e tua água, e te preservarei da enfermidade." Ex 23,25
    Esse amor pelo Tabernáculo foi bem expresso por Davi, que nele atestou a divina proteção: "Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente: é habitar na Casa do Senhor todos os dias de minha vida, para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar Seu Santuário. Assim, no mau dia Ele me esconderá na Sua Tenda, ocultar-me-á no recôndito de Seu Tabernáculo, sobre um Rochedo me erguerá." Sl 26,4-5
    E quando Jesus expulsou os vendilhões do Templo, expressando esse mesmo amor, os Apóstolos lembraram um versículo dos Salmos: "Lembraram-se então Seus discípulos do que está escrito: 'O zelo de Tua Casa consome-Me (Sl 68,10).'" Jo 2,17
    Assim sabemos que Deus confirma os templos católicos erguidos para Seu louvor, mas também é verdade que Ele mesmo não precisa de casa feita pelas mãos dos homens, como apontou Isaías: "Eis o que diz o Senhor: 'O Céu é Meu trono, e a Terra o banquinho dos Meus pés. Que casa poderíeis construir-Me, que lugar poderíeis indicar-Me para moradia?" Is 66,1
    Por isso, a vastidão da verdadeira Casa de Deus deixou admirado o Profeta Baruc: "Ó Israel, quão imensa é a Casa de Deus; como é vasta a extensão de Seus domínios!" Br 3,24
    Contudo, numa clara alusão ao Cristo, ao Templo e à Igreja, Deus mandou um recado através do profeta Natã: "Vai e dize a Davi, Meu servo: Eis o que diz o Senhor: 'Não és tu que Me construirás a Casa em que habitarei. Quando teus dias se acabarem e tiveres ido juntar-te a teus pais, levantarei tua posteridade após ti, num de teus filhos, e firmarei Seu Reino. É Ele que Me construirá uma Casa e firmarei Seu trono para sempre. Serei para Ele um Pai, e Ele será para Mim um Filho; e nunca retirarei d'Ele Meu favor como retirei daquele que reinou antes de ti. Eu O estabelecerei na Minha Casa e no Meu Reino para sempre, e Seu trono será firme por todos os séculos.'" 1 Cro 17,4.11.14
    E para construir Sua Igreja, Jesus tomou São Pedro como pedra fundamental, a primeira pedra humana de Seu Tabernáculo: "E Eu declaro-te: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei Minha Igreja..." Mt 16,18
    Maria, portanto, enquanto Mãe de Deus, ou seja, o Primeiro Sacrário do Corpo e Sangue de Cristo, é a própria Arca da Aliança a ser venerada na Igreja. Foi o que revelou a visão de São João Evangelista: "Abriu-se o Templo de Deus no Céu e apareceu, no Seu Templo, a Arca do Seu Testamento. Houve relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e forte saraiva. Apareceu em seguida um grande sinal no Céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo de seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Ela deu à luz um Filho, um Menino, Aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas Seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e de Seu trono." Ap 11,19;12,1.5
    Pois enquanto se completam os tempos, a Igreja faz-se presente até mesmo nos Céus, representada pelos Santos e pelo Templo: "Então um dos Anciãos falou comigo e perguntou-me: 'Esses, que estão revestidos de vestes brancas, quem são e de onde vêm?' Respondi-lhe: 'Meu Senhor, tu o sabes.' E ele disse-me: 'Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram suas vestes e alvejaram-nas no Sangue do Cordeiro. Por isso, estão diante do Trono de Deus e servem-nO, dia e noite, no Seu Templo. Aquele que está sentado no Trono os abrigará em Sua Tenda. Já não terão fome, nem sede, nem o sol ou calor algum os abrasará, porque o Cordeiro, que está no meio do Trono, será Seu Pastor e os levará às fontes das Águas Vivas; e Deus enxugará toda lágrima de seus olhos.'" Ap 7,13-16
    E com o auxílio de Deus o testemunho do Evangelho e da Paixão de Cristo prevalecerá ante a Grande Tribulação: "Depois disso, eu vi abrir-se no Céu o Templo que encerra o Tabernáculo do Testemunho. Encheu-se o Templo de fumaça provinda da Glória de Deus e de Seu poder. E ninguém podia entrar, enquanto não se consumassem os sete flagelos dos sete Anjos." Ap 15,5-8
    A Santa Missa, aliás, é uma representação do ritual que acontece nos Céus, como foi revelado ao Apóstolo amado: "E cada vez que aqueles seres rendiam Glória, honra e ação de graças Àquele que vive pelos séculos dos séculos, os vinte e quatro Anciãos inclinavam-se profundamente diante d'Aquele que estava no Trono... e depunham suas coroas diante do Trono, dizendo: 'Tu és digno Senhor, Nosso Deus, de receber a honra, a Glória e a majestade, porque criaste todas as coisas, e por Tua vontade é que existem e foram criadas.' E todos os Anjos estavam ao redor do trono, dos Anciãos e dos quatro seres; prostravam-se de face em terra diante do trono e adoravam a Deus, dizendo: 'Amém, louvor, Glória, Sabedoria, ação de graças, honra, poder e força a Nosso Deus pelos séculos dos séculos! Amém.'" Ap 4,9-11;7,11-12
    São Paulo, por sua vez, além de mencionar os Apóstolos, refere-se também à parte da Igreja que deve ser construída por uma ostensiva manifestação espiritual e física de nossas pessoas: "Aquele que desceu é também O que subiu acima de todos os Céus, para encher todas as coisas. A uns Ele constituiu Apóstolos; a outros, Profetas; a outros, evangelistas, pastores, doutores, para o aperfeiçoamento dos cristãos, para o desempenho da tarefa que visa à construção do Corpo de Cristo, até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo." Ef 4,11-13
    São João Evangelista confirma a Revelação que Jesus confiou à Igreja: "Aceitamos o testemunho dos homens." 1 Jo 5,9a
    E Ele mesmo garantiu o sucesso dos Apóstolos: "Não fostes vós que Me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi e designei-vos para irdes e para que produzais fruto e vosso fruto permaneça. Se guardaram Minha Palavra, hão de guardar também a vossa." Jo 15,16a.20b
    Deu aos Doze, contudo, um especialíssimo instrumento, como uma indelével marca para que entre eles não houvesse divergências: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam um, como Nós somos um: Eu neles e Tu em Mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e amaste-os, como amaste a Mim." Jo 17,22-23
    Dirigindo-se a nós, pois, São Pedro reforça essa Verdade, dizendo sobre o Antigo Testamento: "Esta Salvação tem sido o objeto das investigações e das meditações dos Profetas que proferiram oráculos sobre a Graça que vos era destinada. Foi-lhes revelado que propunham não para si mesmos, senão para vós, estas revelações que agora vos têm sido anunciadas por aqueles que vos pregaram o Evangelho da parte do Espírito Santo, enviado do Céu." 1 Pd 1,10.12
    Por isso os seguidores da Tradição de São Paulo questionam: "Como, então, escaparemos nós se agora desprezarmos a mensagem da Salvação, tão sublime, anunciada primeiramente pelo Senhor e depois confirmada pelos que a ouviram?" Hb 2,3
    Mas ele mesmo não deixa de ressaltar que os Apóstolos foram os primeiros fundamentos: "Na Igreja, Deus constituiu primeiramente os Apóstolos..." 1 Cor 12,28


O CORPO MÍSTICO DE CRISTO

    A Igreja é, portanto, o Corpo Místico de Cristo, que Ele deixou no mundo para a salvar da humanidade. Diz São Paulo: "... Cristo é o chefe da Igreja, que é Seu Corpo, da qual Ele é o Salvador." Ef 5,23
    E se alguém menospreza a Igreja
    Ele arremata: "Este mistério é grande, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja." Ef 5,32
    Jesus mesmo identificou Seu Corpo como o Templo de Jerusalém: "Perguntaram-Lhe os judeus: 'Que sinal nos apresentas Tu, para procederes deste modo?' Respondeu-lhes Jesus: 'Destruí vós este Templo, e Eu o reerguerei em três dias.' Os judeus replicaram: 'Em quarenta e seis anos foi edificado este Templo, e Tu hás de levantá-lo em três dias?!' Mas Ele falava do Templo de Seu Corpo. Depois que ressurgiu dos mortos, Seus discípulos lembraram-se destas palavras e creram na Escritura e na Palavra de Jesus." Jo 2,18-22
    E nós devemos ser parte d'Ele, e assim colaborarmos para a Salvação de nossos irmãos: "Ora, vós sois o Corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um de Seus membros." 1 Cor 12,27
    Pois movidos pelo verdadeiro amor a Deus e pelas boas inclinações da alma, nossos corpos carnais formam e dão visibilidade ao Templo do Altíssimo: "Não sabeis que sois o Templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?" 1 Cor 3,16
    Se amamos a Deus, somos verdadeiramente morada da Santíssima Trindade, como disse o próprio Jesus: "Se alguém Me ama, guardará Minha Palavra e Meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos Nossa morada." Jo 14,23
    São Paulo explica como isso se dá, que é igualmente o modo como somos convidados a ser Igreja: "Conseqüentemente, já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos Santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos Apóstolos e Profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus. É n'Ele que todo edifício, harmonicamente disposto, levanta-se até formar um santo Templo no Senhor. E vós também sois integrados nesta construção, pelo Espírito, para tornardes-vos morada de Deus." Ef 2,19-22
    Por isso temos o dever de edificá-la: "Assim, uma vez que aspirais aos dons espirituais, procurai tê-los em abundância para edificação da Igreja." 1 Cor 14,12
    Mas sem esquecer que é Cristo a Cabeça da Igreja, e que é por Seu reinado que sem reservas ou medos devemos nos entregar, participando efetivamente de Seu Sacrifício como requer a Santa Missa: "Ele é a Cabeça do Corpo, da Igreja. Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por Seu Corpo que é a Igreja." Cl 1,18.24
    Claro, para tanto sempre contamos com Seus divinos auxílios: "Ninguém jamais odiou sua própria carne. Pelo contrário, alimenta-a e a cerca de cuidado, como Cristo faz com a Igreja..." Ef 5,29
    Isso explica porque Jesus Se apresentou como a própria entrada de Seu Templo: "Eu sou a Porta. Se alguém entrar por Mim será salvo..." Jo 10,9
    Essa foi, por tamanho poder, a reveladora sensação de Jacó, ao se dar conta que estava num lugar santo: "Em verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia! Quão terrível é este lugar! É nada menos que a Casa de Deus; é aqui a Porta do Céu. Esta pedra da qual fiz uma estela será uma Casa de Deus..." Gn 28,16,17.22
    E ele acertou também ao chamar a esse lugar de 'terrível', pois realmente se faz pesar por sua gravidade, que a todos enche de responsabilidade. De fato, é pela Casa de Deus que começará o Juízo Final, como afirmou São Pedro: "Porque vem o momento em que se começará o julgamento pela Casa de Deus. Ora, se Ele começa por nós, qual será a sorte daqueles que são infiéis ao Evangelho de Deus?" 1 Pd 4,17


O CÉU

    Ao final dos tempos, porém, Deus será tudo em todos, como disse São Paulo aos coríntios. É quando se encerra a Missão do Cristo: "E, quando tudo Lhe estiver sujeito, então também o próprio Filho renderá homenagem Àquele que Lhe sujeitou todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo em todos." 1 Cor 15,28
    Porque primeiro é Cristo, por Sua Paixão, que em Si todos reconcilia: "Aí não haverá mais grego nem judeu, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem livre, mas somente Cristo, que será tudo em todos." Cl 3,11
    Referindo-se ao mundo como dividido entre judeus e pagãos, São Paulo diz: "Desse modo, Ele queria fazer em Si mesmo dos dois povos uma única nova humanidade pelo restabelecimento da Paz, e reconciliá-los ambos com Deus, reunidos num só Corpo pela virtude da Cruz, nela aniquilando a inimizade." Ef 2,15b-16
    Mas mesmo nos Céus Deus firmará tal Comunhão fixando definitivamente Sua Casa entre nós, e aí habitará pela eternidade: "Porei Meu Tabernáculo no meio de vós, e Minha alma não vos rejeitará. Andarei entre vós: serei Vosso Deus e vós sereis Meu povo." Lv 26,11-12
    Foi exatamente isso o que viu e ouviu São João Evangelista: "Eu vi descer do Céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a Nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o Esposo. Ao mesmo tempo, ouvi do Trono uma grande voz que dizia: 'Eis aqui o Tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão Seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição.'" Ap 21,2-3
    Na Nova Jerusalém, no entanto, já não haverá mais Templo, senão apenas um Tabernáculo, ou seja, uma Tenda, uma morada. Pois o Templo nada mais será senão a própria Casa de Deus, que se fará representar por Ele mesmo, ou pelo Cordeiro: "Não vi nela, porém, Templo algum, porque o Senhor Deus Onipotente é Seu Templo, assim como o Cordeiro." Ap 21,22
    Com efeito, aludindo à Sua Ressurreição, como vimos, Jesus apresentou-Se em Jerusalém como o próprio Templo: "Respondeu-lhes Jesus: 'Destruí vós este Templo, e Eu o reerguerei em três dias.'" Jo 2,19
    Correrá, entretanto, um rio na Cidade Santa: "Mostrou-me então o anjo um rio de Água Viva resplandecente como cristal de rocha, saindo do Trono de Deus e do Cordeiro." Ap 22,1
    Esse rio simboliza o pleno cumprimento da promessa de Jesus, que, aliás, já se verifica na pessoa de Seus Santos, como sinal da presença do Divino Paráclito, ou melhor, da própria Santíssima Trindade: "No último dia, que é o principal dia de festa, estava Jesus de pé e clamava: 'Se alguém tiver sede, venha a Mim e beba. Quem crê em Mim, como diz a Escritura: 'Do seu interior manarão rios de Água Viva' (Zc 14,8; Is 58,11)'. Dizia isso, referindo-Se ao Espírito que haviam de receber os que cressem n'Ele, pois ainda não fora dado o Espírito, visto que Jesus ainda não tinha sido glorificado." Jo 7,37-39
    Isso havia sido previsto pelo profeta Zacarias, e efetivou-se com a passagem de Jesus entre nós: "Naquele dia jorrará uma fonte para a Casa de Deus e para os habitantes de Jerusalém, que apagará os seus pecados e suas impurezas." Zc 13,1


A IGREJA HOJE

    O Beato Papa Paulo VI, na Constituição Apostólica 'Indulgentiarum Doctrina', disse: "A vida de cada um dos filhos de Deus acha-se unida, por um admirável laço, em Cristo e por Cristo, com a vida de todos os outros irmãos cristãos na unidade sobrenatural do Corpo Místico de Cristo, como numa única pessoa mística."
    Por sua vez, a Constituição Dogmática 'Lumen Gentium' ensina: "A Igreja é 'Comunhão dos Santos': esta expressão primeiro designa as 'coisas santas' (sancta) e antes de tudo a Eucaristia, pela qual 'é representada e realizada a unidade dos fiéis que, em Cristo, formam um só Corpo.'"
    A Igreja, portanto, está dividida em três grupos que comungam da Divina Graça: a Igreja Itinerante, que ainda caminha na Terra, a Igreja Santificante, que se purifica no Purgatório, e a Igreja Glorificante, que já se encontra no Céu. Está no Catecismo da Igreja:
    "Na Comunhão dos Santos, 'existe certamente entre os fiéis já admitidos na posse da pátria celeste, os que expiam as faltas no purgatório e os que ainda peregrinam na terra, um laço de caridade e um amplo intercâmbio de todos os bens.' (Paulo VI, Indulgentiarum Doctrina). Neste admirável intercâmbio, cada um se beneficia da santidade dos outros, bem para além do prejuízo que o pecado de um possa ter causado aos outros. Assim, o recurso à Comunhão dos Santos permite ao contrito pecador ser purificado, mais cedo e mais eficazmente, das penas do pecado.
    Esses bens espirituais da Comunhão dos Santos também são chamados o tesouro da Igreja, 'que não é uma soma de bens comparáveis às riquezas materiais acumuladas no decorrer dos séculos, mas é o infinito e inesgotável valor que têm junto a Deus as expiações e os méritos de Cristo, Nosso Senhor, oferecidos para que a humanidade toda seja libertada do pecado e chegue à Comunhão com o Pai. É em Cristo, Nosso Redentor, que se encontram em abundância as satisfações e os méritos de Sua Redenção.'(Cf. Hb 9,11-28;7,23-25)" CIC 1475-1476

    "Lembrai-Vos, ó Pai, dos Vossos filhos!"

sábado, 16 de dezembro de 2017

Tirai o Pecado do Mundo


    Como era sua missão anunciar a chegada do Salvador, São João Batista apontou Jesus a seus seguidores, dizendo qual seria Seu ministério: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." Jo 1,29
    E por uma visão que teve do Arcanjo São Gabriel, Zacarias, sacerdote e pai de São João Batista, explicou o Mistério que envolvia o nascimento de seu filho, deixando bem claro como Jesus salvaria o povo de Deus: "E tu, menino, serás chamado Profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e Lhe prepararás o Caminho, para dar a Seu povo conhecer a Salvação, pelo perdão dos pecados." Lc 1,76-77
    De fato, falando a São José sobre a gravidez de Nossa Senhora, o próprio Arcanjo Gabriel reafirmaria a Missão do Cristo: "José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois O que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a Quem porás o Nome de Jesus, porque Ele salvará Seu povo de seus pecados." Mt 1,20-21
    Ora, os seguidores da tradição deixada por São Paulo também atestaram a Redenção que está em Jesus: "Esplendor da Glória de Deus e imagem do Seu ser, sustenta o universo com o poder da Sua Palavra. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, está sentado à direita da Majestade no mais alto dos Céus, elevado tão acima dos anjos quanto o Nome que Ele herdou supera o deles." Hb 1,3-4
    O plano da Salvação executado pelo Messias, portanto, dá-se exatamente como o Profeta Isaías tinha previsto havia vários séculos: "Carregou nossos pecados em Seu corpo sobre o madeiro para que, mortos aos nossos pecados, vivamos para a justiça. Por fim, por Suas chagas fomos curados." Is 53,5
    Por isso, São Paulo vê no Sacrifício e no Evangelho de Cristo nossa reconciliação com o Pai: "Porque é Deus que, em Cristo, reconciliava Consigo o mundo, não levando mais em conta os pecados dos homens, e pôs em nossos lábios a mensagem da reconciliação." 2 Cor 5,19
    E garante: "Ele libertou-nos do poder das trevas e introduziu-nos no Reino de Seu Filho muito amado, no Qual temos a Redenção, a remissão dos pecados." Cl 1,13-14
    Numa singela síntese sobre o que a Paixão de Cristo representa para a humanidade, São João Evangelista vai afirmar: "Ele é a expiação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo." 1 Jo 2,2
    Por fim, o próprio Jesus diz-nos o significado de Seu Sacrifício: "Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: 'Bebei dele todos, porque isto é Meu Sangue, o Sangue da Nova Aliança, derramado em favor de muitos homens para a remissão dos pecados.'" Mt 26,27-28
    Segundo o holocausto da tradição judaica, Jesus é o cordeiro perfeito, sem mácula, como apontou São Paulo aos coríntios: "Aquele que não conheceu o pecado, Deus O fez pecado por nós, para que n'Ele nós nos tornássemos justiça de Deus." 2 Cor 5,21
    E nessa condição Ele cumpriu Sua Missão, tal e qual Isaías havia anunciado: "Ele não cometeu pecado, nem se achou falsidade em Sua boca." Is 53,9
    São João Evangelista, Apóstolo muito próximo de Jesus, reafirmou Sua pureza: "Sabeis que Jesus apareceu para tirar os pecados, e que n'Ele não há pecado." 1 Jo 3,5
    E garantiu: "Filhinhos, eu escrevo-vos porque vossos pecados vos foram perdoados pelo Seu Nome." 1 Jo 2,12
    Assim se conclui que a vida carnal de Jesus foi mais um sinal da Vitória que também nós podemos alcançar: "... e por isso convinha que Ele Se tornasse em tudo semelhante aos Seus irmãos, para ser um compassivo e fiel pontífice no serviço de Deus, capaz de expiar os pecados do povo. Porque não temos n'Ele um pontífice incapaz de compadecer-Se de nossas fraquezas. Ao contrário, passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado." Hb 2,17; 4,15


ARREPENDIMENTO, CONFISSÃO E PENITÊNCIA

    Segundo São Mateus, São João Batista, além de anunciar o Messias, também tomava confissão dos que vinham até ele: "Confessavam seus pecados e eram batizados por ele nas águas do Jordão." Mt 3,6
    São Marcos disse o mesmo: "João Batista apareceu no deserto e pregava um batismo de conversão para a remissão dos pecados. E saíam para ir ter com ele toda Judeia, toda Jerusalém, e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando seus pecados." Mc 1,4-5
    E ainda São Lucas: "Ele percorria toda a região do Jordão, pregando o batismo de arrependimento para remissão dos pecados..." Lc 3,3
    Em conclusão, o próprio Jesus, como era de Seu ofício, iniciou Sua vida pública convidando todos ao arrependimento: "Desde então Jesus começou a pregar: 'Fazei penitência, pois o Reino dos Céus está próximo.'" Mt 4,17
    São Marcos relata esse episódio de forma muito semelhante: "Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-Se para a Galileia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia: 'Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho.'" Mc 1,14-15
    E desde a convocação os Apóstolos batizavam como São João Batista, ou seja, tomando a confissão dos pecados: "Em seguida, foi Jesus com Seus discípulos para os campos da Judeia, e ali Se deteve com eles, e batizava. ... se bem que não era Jesus quem batizava, mas Seus discípulos..." Jo 3,22;4,2
    Em São Lucas, após citar exemplos de pessoas que padeceram perseguições e grandes catástrofes, Jesus até adverte: "... se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo." Lc 13,3
    Mesmo quando não era isso que Lhe pediam, Ele remia os pecados: "Eis que Lhe apresentaram um paralítico estendido numa padiola. Jesus, vendo a daquela gente, disse ao paralítico: 'Meu filho, coragem! Teus pecados te são perdoados.'" Mt 9,2
    Porém, como não foi bem entendido, teve que demonstrar Seu poder e que o perdão de Deus era mais importante que curar enfermidades: "Que é mais fácil dizer: 'Teus pecados são-te perdoados, ou: Levanta-te e anda?' Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados: 'Levanta-te' - disse Ele ao paralítico -, 'toma tua maca e volta para tua casa.'" Mt 9,5-6
    Assim, por Sua pureza e transparência, Ele atraía os desejosos de uma verdadeira conversão, como se vê na ceia dada por São Mateus: "Como Jesus estivesse à mesa na casa desse homem, numerosos publicanos e pecadores vieram e sentaram-se com Ele e Seus discípulos." Mt 9,10
    Aos que se julgavam puros, Ele explicitava Sua obra: "Ide e aprendei o que significam estas palavras: 'Eu quero Misericórdia e não sacrifício' (Os 6,6). Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores." Mt 9,13
    Mostrava-Se especialmente exigente com aqueles que se diziam mestres: "Mas, se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que creem em Mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar. Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa!" Mt 18,6-7
    A todos recomendava real penitência: "Por isso, se tua mão ou teu pé te fazem cair em pecado, corta-os e lança-os longe de ti: é melhor para ti entrares na Vida coxo ou manco que, tendo dois pés e duas mãos, seres lançado no fogo eterno. Se teu olho te leva ao pecado, arranca-o e lança-o longe de ti: é melhor para ti entrares na Vida cego de um olho que seres jogado com teus dois olhos no fogo da geena." Mt 18,8-9
    E como legítima concessora do perdão divino, Ele exaltava sobremaneira a importância da Sua Igreja: "Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano." Mt 18,15-17
    Pois logo em Sua primeira Aparição já transmitiu aos Apóstolos o dom de perdoar: "Disse-lhes outra vez: 'A Paz esteja convosco! Como o Pai Me enviou, também Eu vos envio.' Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos." Jo 20,21-23
    Sensível e sincero, São Pedro foi o primeiro a confessar-se a Jesus, o que fez logo no início da vida pública de Nosso Salvador, por ocasião da pesca miraculosa: "Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou: 'Retira-Te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador.'" Lc 5,8
    E após o Pentecostes, diante da cúpula dos sacerdotes judeus, o Príncipe dos Apóstolos vai atestar uníssona e corajosamente a Missão do Cristo: "O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, que vós matastes, suspendendo-O num madeiro. Deus elevou-O pela mão direita como Príncipe e Salvador, a fim de dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados. Deste fato nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos que Lhe obedecem.'" At 5,30-32
    São Tiago Menor vai atestar a plenitude do poder de perdoar, que é exclusivo dos Sacerdotes que sucederam os Apóstolos: "Está alguém enfermo? Chame os Sacerdotes da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em Nome do Senhor. A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá. Se ele cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados." Tg 5,14-15
    E exorta-nos à prática frequente da Confissão, sem essa falaciosa doutrina de 'confessar só a Deus': "Confessai vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros para serdes curados. A oração do justo tem grande eficácia." Tg 5,16
    Ora, segundo o próprio Jesus, a oferta e o pedido de perdão é a única forma de alcançar as Graças de Deus, como recomendou para as orações pessoais: "E quando vos puserdes de pé para orar, perdoai, se tiverdes algum ressentimento contra alguém, para que também Vosso Pai, que está nos Céus, perdoe vossos pecados." Mc 11,25
    Explicou nestes termos a importância do arrependimento: "Digo-vos que assim haverá maior júbilo no Céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento." Lc 15,7
    Por isso, não deixou faltar esse pedido no Pai Nosso: "... perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido..." Mt 6,12
    Pois o perdão, que todos nós devemos oferecer, é prova de amor. Ele vai dizer sobre a mulher pecadora, que ungiu Seus pés com perfume: "Por isso, digo-te: seus numerosos pecados foram-lhe perdoados, porque ela tem demonstrado muito amor. Mas ao que pouco se perdoa, pouco ama." Lc 7,47
    E recomendou mesmo que se usasse largamente do perdão, principalmente para com aqueles que se arrependem: "Se teu irmão pecar, repreende-o; se se arrepender, perdoa-lhe. Se pecar sete vezes no dia contra ti e sete vezes no dia vier procurar-te, dizendo: 'Estou arrependido', perdoar-lhe-ás." Lc 17,3-4
    Respondendo ao Príncipe dos Apóstolos, noutra ocasião, Ele foi ainda mais longe: "Então Pedro aproximou-se d'Ele e disse: 'Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?' Respondeu Jesus: 'Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.'" Mt 18,21-22
    E como alguns religiosos teimavam em usar das mais pesadas punições, Ele tornou o apedrejamento inaplicável, forçando-os a reconhecerem seus próprios pecados. Foi no episódio da mulher flagrada em adultério: "Como eles insistissem, ergueu-Se e disse-lhes: 'Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra.'" Jo 8,7


A AUTORIDADE DE CRISTO

     Contudo, assim como o mundo não se convence de suas ofensas a Deus, nem por Seus milagres foi fácil para Jesus convencer os de Seu tempo quanto à Sua autoridade. Nem mesmo após revelar Sua natureza divina, pois chegou a declarar abertamente o codinome que Deus ensinou a Moisés: 'EU SOU': "Por isso, disse-vos: morrereis no vosso pecado. Porque se não crerdes que EU SOU, morrereis no vosso pecado." Jo 8,24
    E desafiou os religiosos de Jerusalém a apontarem-Lhe um pecado: "Quem de vós Me acusará de pecado? E se vos falo a Verdade, por que Me não credes?" João 8,46
    Os próprios fariseus, no entanto, já se mostravam incertos: "Como pode um pecador fazer tais prodígios?" Jo 9,16
    O desconcerto era tamanho que até um cego de nascença, curado por Jesus, argumentava com os sacerdotes de então: "Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem Lhe presta culto e faz Sua vontade. Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. Se esse homem não fosse de Deus, não poderia fazer nada." Jo 9,31
    Por essa cura que os fariseus puderam constatar, mas mesmo assim seguiam renegando, Jesus avisou-os que estavam incorrendo em falso testemunho: "Se fôsseis cegos, não teríeis pecado, mas agora pretendeis ver, e vosso pecado subsiste." Jo 9,41
    Cobrou também por cada Palavra Sua: "Se Eu não viesse e não lhes tivesse falado, não teriam pecado; mas agora não há desculpa para o seu pecado." Jo 15,22
    Por fim, cobrou por todas as obras: "Se Eu não tivesse feito entre eles obras, como nenhum outro fez, não teriam pecado; mas agora as viram e odiaram a Mim e a Meu Pai. Mas foi para que se cumpra a Palavra que está escrita na Lei: 'Odiaram-Me sem motivo' (Sl 34,19; 68,5)." Jo 15,24
    E depois de Sua Ascensão aos Céus, Jesus ainda nos deixou o Espírito da Promessa, para auxiliar-nos intimamente em nossos exames de consciência: "Entretanto, digo-vos a Verdade: convém a vós que Eu vá! Porque se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se Eu for, vo-Lo enviarei. E, quando Ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do Juízo. Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em Mim." Jo 16,7-9
    No futuro, porém, quando já tiver redimido todo povo de Deus, Jesus retornará. Mas tão somente para premiar os Seus: "... assim Cristo Se ofereceu uma só vez para tomar sobre Si os pecados da multidão, e aparecerá uma segunda vez, não porém em razão do pecado, mas para trazer a Salvação àqueles que O esperam." Hb 9,28
    Pois se o Antigo Testamento apontava pecados, a manifestação do Salvador já possibilitou a fé e, por ela, a Redenção, como ensinou São Paulo aos gálatas: "... as Escrituras encerram tudo sob o império do pecado, para que a promessa mediante a fé em Jesus Cristo fosse dada aos que creem." Gl 3,22


O SACRIFÍCIO DE CRISTO

    O Apóstolo dos Gentios, pois, firmando-se nas profecias sobre o Messias, trata de assegurar-nos: "... Cristo morreu por nossos pecados, em conformidade as Escrituras..." 1 Cor 15,3
    E seus seguidores atestam que Jesus concluiu com pleno êxito o plano de Salvação, que o Pai Lhe ditou: "Cristo ofereceu pelos nossos pecados um único sacrifício e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus... " Hb 10,12
    Seu Sacrifício, portanto, foi perfeito, e, estabelecendo a Nova Aliança, Ele redime a humanidade por Seu Sangue: "Ele entrou no Santuário, não com o sangue de bodes e bezerros, mas com Seu próprio Sangue, e isto, uma vez por todas, obtendo uma eterna Redenção. Por isso Ele é mediador do Novo Testamento. Pela Sua morte expiou os pecados cometidos no decorrer do Primeiro Testamento, para que os eleitos recebam a herança eterna que lhes foi prometida." Hb 9,12.15
    Essa era uma promessa antiga, feita por Deus através do Profeta Jeremias: "Dias hão de vir - oráculo do Senhor - em que firmarei Nova Aliança com as casas de Israel e de Judá. ... pois a todos perdoarei as faltas, sem guardar nenhuma lembrança de seus pecados...." Jr 31,31-34
    E como explicou São Paulo, essa promessa cumpriu-se através de Jesus, o Ressuscitado: "... porque cremos n'Aquele que dos mortos ressuscitou Jesus, Nosso Senhor, o Qual foi entregue por nossos pecados e ressuscitado para nossa justificação." Rm 4,24-25
    Assim, pela obediência e pela Ressurreição de Cristo, o pecado e a morte foram vencidos: "Por isso, como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim a morte passou a todo o gênero humano, porque todos pecaram... Assim como pela desobediência de um só homem foram todos constituídos pecadores, assim pela obediência de um só todos se tornarão justos." Rm 5,12.19
    Pois se a Lei denuncia do pecado, a absoluta Graça de Cristo leva à Vida Eterna: "Sobreveio a Lei para que abundasse o pecado. Mas onde abundou o pecado, superabundou a Graça. Assim como o pecado reinou para a morte, assim também a Graça reinaria pela justiça para a Vida Eterna, por meio de Jesus Cristo, Nosso Senhor." Rm 5,20-21
    Com efeito, São Paulo vai repetir esse argumento quando escreveu aos efésios: "Nesse Filho, pelo Seu Sangue, temos a Redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da Sua Graça..." Ef 1,7
    E assim ele celebra o Pentecostes, explicando aos romanos: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte. O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, Seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne, a fim de que a justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o Espírito." Rm 8,2-4
    Por isso exorta: "Não reine, pois, o pecado em vosso corpo mortal, de modo que obedeçais aos seus apetites. Nem ofereçais vossos membros ao pecado, como instrumentos do mal. Oferecei-vos a Deus, como vivos, salvos da morte, para que vossos membros sejam instrumentos do bem ao Seu serviço." Rm 6,12-13
    E garantiu: "O pecado já não vos dominará, porque agora não estais mais sob a Lei, e sim sob a Graça. Mas agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santidade; e o termo é a Vida Eterna. Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a Vida Eterna em Cristo Jesus, Nosso Senhor." Rm 6,14.22-23
    Para tanto, assegurando-nos do amor de Deus, São João Evangelista estimula que recorramos ao Sacramento da Penitência: "Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a Verdade não está em nós. Se reconhecemos nossos pecados, Deus aí está fiel e justo para perdoar-nos os pecados e para purificar-nos de toda iniquidade." 1 Jo 1,8-9
    São Pedro também argumenta nesse sentido: "Assim, pois, como Cristo padeceu na carne, armai-vos também vós deste mesmo pensamento: quem padeceu na carne rompeu com o pecado..." 1 Pd 4,1


COMUNHÃO COM DEUS

    E como só uma verdadeira purificação, através do verdadeiro amor, pode efetivamente honrar o Sangue de Cristo, São João Evangelista diz da razão da anunciação da Boa Nova: "... o que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais Comunhão conosco. Ora, nossa Comunhão é com o Pai e com Seu Filho Jesus Cristo. Se, porém, andamos na Luz como Ele mesmo está na Luz, temos Comunhão recíproca uns com os outros, e o Sangue de Jesus Cristo, Seu Filho, purifica-nos de todo pecado." 1 Jo 1,3.7
    Os Provérbios já ensinavam a importância do amor para unir-nos a Deus: "Antes de tudo, mantende entre vós uma ardente caridade, porque a caridade cobre a multidão dos pecados." Pr 10,12
    Ora, a verdadeira caridade expressa-se no cuidado ao próximo visando sua Salvação, por dedicação e paciência como ensina São Tiago Menor: "... aquele que fizer um pecador retroceder do seu erro, salvará sua alma da morte e fará desaparecer uma multidão de pecados." Tg 5,20
    Por fim, e uma vez em dia com os Sacramentos, a Carta aos Hebreus convida-nos a abraçar definitivamente o projeto do Cristo: "... acheguemo-nos a Ele com coração sincero, com plena firmeza da fé, o mais íntimo da alma isento de toda mácula de pecado e o corpo lavado com a purificadora Água do Batismo." Hb 10,22
    E o Salmista celebra: "Bem-aventurados aqueles cujas iniquidades foram perdoadas e cujos pecados foram cobertos! Bem-aventurado o homem ao qual o Senhor não imputou seu pecado." Sl 31,1-2

    "Glória e louvor ao Pai, que em Cristo nos reconciliou!"

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Os Jovens perante Deus


    O episódio do rico jovem, que busca Jesus para vangloriar-se, bem retrata algumas características de comportamento da juventude, como as expressões por modismo, a impostação de voz, a lisonja, a presunção e o apego às coisas materiais. Julgava-se Santo, terminou revelando-se incapaz de acompanhar Jesus e Seus Apóstolos.
    Por histórias como a de Salomão e a do próprio Jó, à época os religiosos acreditavam que a riqueza era um sinal de bênçãos e Divinas Graças. Jesus, porém, serviu-se da ocasião para desmistificar essa crença e mostrar, como já vinha fazendo, que é exatamente o contrário: as Graças de Deus são muito mais frequentemente derramadas entre os pobres, Seus principais protegidos, e nem sempre na forma de bens materiais.
    Jesus ainda ensina aos Apóstolos que, sem a Divina Misericórdia ou a Comunhão dos Santos, é impossível salvar-se ou avaliar como será o Juízo de nossos semelhantes.
    São Mateus contou-o assim:

    "Um jovem aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe:
    - Mestre, que devo fazer de bom para ter a Vida Eterna?
    Disse-lhe Jesus:
    - Por que Me perguntas a respeito do que se deve fazer de bom? Só Deus é bom. Se queres entrar na Vida, observa os Mandamentos.
    - Quais?, perguntou ele.
    Jesus respondeu:
    - Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe, amarás teu próximo como a ti mesmo.
    Disse-Lhe o jovem:
    - Tenho observado tudo isto desde a minha infância. Que ainda me falta?
    Respondeu Jesus:
    - Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me!
    Ouvindo estas palavras, o jovem foi embora muito triste, porque possuía muitos bens.
    Jesus disse então a Seus discípulos:
    - Em verdade, declaro-vos: é difícil para um rico entrar no Reino dos Céus! Eu repito-vos: é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.
    A estas palavras Seus discípulos, pasmados, perguntaram:
    - Quem então poderá salvar-se?
    Jesus olhou para eles e disse:
    - Aos homens isto é impossível, mas a Deus tudo é possível.
    Pedro então, tomando a palavra, disse-Lhe:
    - Eis que deixamos tudo para seguir-Te. Que haverá para nós?
    Respondeu Jesus:
    - Em verdade, declaro-vos: no Dia da Renovação do mundo, quando o Filho do Homem estiver sentado no trono da Glória, vós, que Me haveis seguido, estareis sentados em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que por Minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a Vida Eterna." Mt 19,16-29


A INGRATIDÃO DOS FILHOS

    Na parábola do filho pródigo, mais uma vez Jesus vai apontar a arrogância dos jovens, seja do filho mais velho, no final, seja do mais novo, logo no início. Mas este arrependeu-se, venceu seu orgulho e voltou à casa do pai. Já o irmão mais velho, embora demonstrando obediência, bem representa nossa recorrente dificuldade em perdoar.
    São Lucas narrou:

    "Também disse:
    'Um homem tinha dois filhos. O mais moço disse a seu pai:
    - Meu pai, dá-me a parte da herança que me toca.
    O pai então repartiu entre eles os haveres. Poucos dias depois, ajuntando tudo o que lhe pertencia, partiu o filho mais moço para um país muito distante, e lá dissipou sua fortuna, vivendo dissolutamente.
    Depois de ter esbanjado tudo, sobreveio àquela região uma grande fome e ele começou a passar penúria. Foi pôr-se ao serviço de um dos habitantes daquela região, que o mandou para seus campos, guardar os porcos. Desejava ele fartar-se das vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. Caiu então em si e refletiu:
    - Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância... e eu, aqui, estou a morrer de fome! Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: 'Meu pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um de teus empregados.'
    Levantou-se, pois, e foi ter com seu pai. Estava ainda longe, quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e beijou-o. O filho disse-lhe, então:
    - Meu pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.
    Mas o pai falou aos servos:
    - Trazei-me depressa a melhor veste e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés. Trazei também um novilho gordo e matai-o; comamos e façamos uma festa. Este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado.
    E começaram a festa. O filho mais velho estava no campo. Ao voltar e aproximar-se da casa, ouviu a música e as danças. Chamou um servo e perguntou-lhe o que havia. Ele explicou-lhe:
    - Voltou teu irmão. E teu pai mandou matar um gordo novilho, porque o reencontrou são e salvo.
    Encolerizou-se ele e não queria entrar, mas seu pai saiu e insistiu com ele. Ele, então, respondeu ao pai:
    - Há tantos anos que te sirvo, sem jamais transgredir ordem alguma tua, e nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos. E agora, que voltou este teu filho, que gastou teus bens com meretrizes, logo lhe mandaste matar um gordo novilho!
    Explicou-lhe o pai:
    - Filho, tu estás sempre comigo, e tudo que é meu é teu. Convinha, porém, fazermos festa, pois este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado.'" Lc 15,11-32


COMPAIXÃO PELOS JOVENS

    Em Seu eterno amor, Deus sempre Se compadece diante da morte de um jovem. A interrupção da vida durante a juventude é invariavelmente uma grande tristeza para pais, familiares e amigos. Deus, Nosso Pai, também Se comove.
    Foi o que aconteceu com Jesus em Naim. E não só por sua juventude, mas porque ele era a única companhia de sua mãe, uma viúva, e certamente a garantia de seu sustento na velhice. Jesus viu na dor daquela viúva o sofrimento que passaria alguém que Lhe era muito próximo: Sua Mãe.
    São Lucas escreveu:

    "No dia seguinte, dirigiu-Se Jesus a uma cidade chamada Naim. Iam com Ele diversos discípulos e muita gente. Ao chegar perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto a ser sepultado, filho único de uma viúva; acompanhava-a muita gente da cidade. Vendo-a o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe:
    - Não chores!
    E aproximando-Se, tocou no esquife, e os que o levavam pararam. Disse Jesus:
    - Moço, Eu te ordeno: levanta-te!
    Sentou-se o que estivera morto e começou a falar, e Jesus entregou-o à sua mãe. Apoderou-se de todos o temor, e glorificavam a Deus, dizendo:
    - Um grande Profeta surgiu entre nós: Deus voltou os olhos para Seu povo." Lc 7,11-16


IMAGENS DOS ANJOS

    Os jovens, apesar de algumas vezes pecarem por absoluta falta de sensibilidade, são fisicamente as mais precisas imagens dos anjos, como o que apareceu no Domingo da Ressurreição às santas mulheres que seguiam Jesus: "Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus. E no primeiro dia da semana, foram muito cedo ao sepulcro, mal havia o sol despontado. Entrando no sepulcro, viram, sentado do lado direito, um jovem, vestido de roupas brancas, e assustaram-se. Ele falou-lhes: 'Não tenhais medo! Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde O depositaram!'" Mc 16,1-2.5-6
    A mesma aparência tinha o anjo que apareceu para servir a Tobias: "Sem saber que se tratava de um anjo de Deus, ele saudou-o e disse-lhe: 'De onde és tu, ó bom jovem?'" Tb 5,6
    E também os anjos que atacaram o estratego Heliodoro, enviado pelo rei de Tarso, para que não profanasse o Templo de Jerusalém: "Ao mesmo tempo, apareceram-lhe outros dois jovens, cheios de força extraordinária, fulgurantes de luz, ricamente vestidos..." 2 Mc 3,26


JOVENS CHAMADOS POR DEUS

    Vários personagens bíblicos tomaram parte nos planos de Deus ainda bem jovens. Foi o caso de José, que foi vendido pelos irmãos: "José, ainda jovem, com a idade de dezessete anos, apascentava o rebanho com seus irmãos... E, quando passaram os negociantes madianitas, tiraram José da cisterna e venderam-no por vinte moedas de prata aos ismaelitas, que o levaram para o Egito." Gn 37,2b.28
    E lá ele interpretou os sonhos do faraó, tornando-se seu braço direito: "'Ora, estava lá conosco um jovem hebreu, escravo do chefe da guarda. Contamos-lhe nossos sonhos, e ele no-los interpretou, a cada um o seu.' Essas palavras agradaram o faraó e toda sua gente. 'Poderíamos', disse-lhes ele, 'encontrar um homem que tenha, tanto como este, o Espírito de Deus?' E disse em seguida a José: 'Pois que Deus te revelou tudo isto, não haverá ninguém tão prudente e tão sábio como tu. Tu mesmo serás posto à frente de toda minha casa, e todo meu povo obedecerá à tua palavra: só o trono me fará maior do que tu.'" Gn 41,12.37-40
    Foi também o caso do Profeta Samuel, que desde criança servia a Heli, sacerdote do Templo de Jerusalém: "O jovem Samuel servia ao Senhor sob os olhos de Heli. A Palavra do Senhor era rara naqueles dias, e as visões não eram frequentes. Samuel repousava no Templo do Senhor, onde se encontrava a Arca de Deus. O Senhor chamou Samuel, o qual respondeu: 'Eis-me aqui.'" 1 Sm 3,1.3b-4
    Foi ainda o caso de Davi, que foi ungido por Samuel: "Isaí mandou vir assim seus sete filhos diante do Profeta, que lhe disse: 'O Senhor não escolheu nenhum deles.' E ajuntou: Estão aqui todos teus filhos?' 'Resta ainda o mais novo', confessou Isaí, 'que está pastoreando as ovelhas.' Samuel ordenou a Isaí: 'Manda buscá-lo, pois não nos poremos à mesa antes que ele esteja aqui.' E Isaí mandou buscá-lo. Ele era louro, de belos olhos e mui formosa aparência. O Senhor disse: 'Vamos, unge-o: é ele.' Samuel tomou o corno de óleo e ungiu-o no meio dos seus irmãos. E, a partir daquele momento, o Espírito do Senhor apoderou-se de Davi." 1 Sm 16,10-13
    Ele vai derrotar o gigante Golias: "Levantou-se o filisteu e marchou contra Davi. Davi também correu para a linha inimiga ao encontro do filisteu. Meteu a mão no alforje, tomou uma pedra e arremessou-a com a funda, ferindo o filisteu na fronte. A pedra penetrou-lhe na fronte, e o gigante caiu com o rosto por terra. Quando Saul viu Davi partir ao encontro do filisteu, disse a Abner, seu general: 'De quem é filho esse jovem, Abner?' Abner respondeu: 'Por tua vida, ó rei, não o sei.'" 1 Sm 17,48-49.55
    E ainda a história de Daniel, Ananias, Misael e Azarias, que, pelo dom da ciência, foram levados à presença de Nabucodonosor, imperador da Babilônia: "A esses quatro jovens, Deus concedeu talento e saber no domínio das letras e das ciências. Daniel era particularmente entendido na interpretação de visões e sonhos. Ao fim do prazo fixado pelo rei para a apresentação, o chefe dos eunucos introduziu-os na presença de Nabucodonosor, o qual palestrou com eles. Entre todos os jovens, nenhum houve que se comparasse a Daniel, Ananias, Misael e Azarias. Por isso entraram eles a serviço do rei..." Dn 1,17-19
    Mas por recusarem-se a adorar uma imagem de ouro, os três últimos foram jogados na fornalha, embora nada tenham sofrido: "Esses homens foram então imediatamente amarrados com suas túnicas, vestes, mantos e suas outras roupas, e jogados na fornalha ardente. Ora, estes passeavam dentro das chamas, louvando e bendizendo o Senhor. Mas o anjo do Senhor havia descido com Azarias e seus companheiros à fornalha e afastava o fogo. Fez do centro da fogueira como um lugar onde soprasse uma brisa matinal: o fogo nem mesmo os tocava, nem lhes fazia mal algum, nem lhes causava a menor dor." Dn 3,21.24.49-50
    São Paulo também começou a servir a Deus muito cedo, embora sem pleno entendimento do que fazia. Violento, participou indiretamente do apedrejamento de Santo Estevão: "Lançaram-no fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas depuseram seus mantos aos pés de um moço chamado Saulo. E apedrejavam Estêvão, que orava e dizia: 'Senhor Jesus, recebe meu espírito.'" At 7,58-59
    São Timóteo foi mais um consagrado ainda novo. São Paulo instruía-o: "Ninguém te despreze por seres jovem. Ao contrário, torna-te modelo para os fiéis, no modo de falar e de viver, na caridade, na , na castidade." 1 Tm 4,12
    Para que bem representasse a Igreja de Cristo, recomendava-lhe fugir das ilusões e continuamente buscar a santidade: "Foge das paixões da mocidade, busca com empenho a justiça, a fé, a caridade, a Paz, com aqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22
    E já velho, lembrando a inviolabilidade da Sã Doutrina, através de São Tito São Paulo pedia moderação à juventude, entre outros bons exemplos: "Exorta também os jovens a serem ponderados, e mostra-te em tudo modelo de bom comportamento: pela integridade na Doutrina, gravidade, linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário seja confundido, não tendo a dizer de nós mal algum." Tt 2,6-8
    São Pedro, por sua vez, falou do respeito devido aos presbíteros da Igreja, que passaram a ser nossos padres, da obediência a Deus e da busca da perfeição, tão desejada nessa idade: "Semelhantemente, vós que sois mais jovens, sede submissos aos anciãos. Todos vós, em vosso mútuo tratamento, revesti-vos de humildade; porque Deus resiste aos soberbos, mas dá Sua Graça aos humildes. Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que Ele vos exalte no tempo oportuno. Confiai-Lhe todas vossas preocupações, porque Ele tem cuidado de vós. Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé. Vós sabeis que vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem os mesmos padecimentos que vós. O Deus de toda Graça, que vos chamou em Cristo à Sua Eterna Glória, depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vos fortificará." 1 Pd 5,5-10
    E talvez o mais emblemático dos jovens, São João Evangelista, mais novo Apóstolo e por isso o mais querido de Jesus, via dentro da Igreja uma triunfante juventude: "Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes e a Palavra de Deus permanece em vós, e vencestes o Maligno." 1 Jo 2,14


CONSELHOS PARA UMA BOA JUVENTUDE

    Perfeitamente inspirado, e por isso ciente dos muitos erros cometidos durante a mocidade, o salmista pede encarecidamente que Deus os perdoe: "Não vos lembreis dos pecados de minha juventude e dos meus delitos; em nome de Vossa Misericórdia, lembrai-vos de mim, por causa de Vossa bondade, Senhor." Sl 24,7
    E agradece também pela orientação e pelas muitas Graças que admite ter recebido: "Vós tende-me instruído, ó Deus, desde minha juventude, e até hoje publico Vossas maravilhas." Sl 70,17
    Por isso ele tem para os jovens um conselho bem simples, mas precioso: "Como um jovem manterá pura a sua vida? Sendo fiel às Vossas Palavras." Sl 118,9
    O Eclesiastes recomenda ao jovem que desfrute da alegria que é característica da idade, mas sem menosprezar o Juízo do Senhor: "Jovem, rejubila-te na tua adolescência, e, enquanto ainda és jovem, entrega teu coração à alegria. Anda nos caminhos de teu coração e segundo os olhares de teus olhos, mas fica sabendo que de tudo isso Deus te fará prestar conta. Exclui a tristeza de teu coração, poupa o sofrimento a teu corpo, porque a juventude e a adolescência são vaidade. Mas, lembra-te de teu Criador nos dias de tua juventude, antes que venham os maus dias e que apareçam os anos dos quais dirás: 'Não sinto prazer neles... '" Ecl 11,9-10; 12,1
    Já o Eclesiástico fala ao jovem sobre a Sabedoria, grande dádiva de Deus: "Meu filho, aceita a instrução desde teus jovens anos; ganharás uma sabedoria que durará até à velhice." Eclo 6,18
    E ajuda a entender que na velhice se vive do que foi cultuado desde a mocidade: "Como acharás na velhice aquilo que não tiveres acumulado na juventude?" Eclo 25,5
    O livro da Sabedoria apresenta-a como uma encantadora esposa, até mesmo para os olhos de um jovem: "Eu amei-a e procurei desde minha juventude, esforcei-me por tê-la por esposa e enamorei-me de seus encantos." Sb 8,2
    O Eclesiástico, contudo, fiel ao seu estilo, exorta os pais a uma criação cuidadosa e firme: "Não lhe dês toda liberdade na juventude, não feches os olhos às suas extravagâncias: obriga-o a curvar a cabeça enquanto jovem, castiga-o com varas enquanto ainda é menino, para que não suceda endurecer-se e não queira mais acreditar em ti, e venha a ser um sofrimento para tua alma." Eclo 30,11-12
    Falando por Deus, Isaías profetizou tempos de desmandos, quando os jovens assumirão o poder e perderão por completo o respeito aos mais velhos: "Por príncipes, Eu lhes darei adolescentes, e meninos deterão o poder sobre eles. Os povos se maltratarão uns aos outros, cada um atormentará seu próximo: o jovem insultará o velho, e o vilão, o nobre." Is 3,4-5
    Nessa anarquia, os líderes serão eleitos por qualquer bem que se possua, mas ninguém desejará esse fardo: "Um homem qualquer se aproximará do irmão na casa de seu pai e dirá: 'Tu tens um manto, é mister que sejas nosso príncipe; toma sob teu poder esta ruína.' O outro, então, protestará: 'Eu não sou curador de feridas; e em minha casa não há nem pão nem manto; não me façais príncipe do povo.'" Is 3,6-7
    O Eclesiastes já havia percebido o terrível problema dessa inversão: "Ai de ti, país governado por um jovem, e cujos príncipes comem desde o amanhecer." Ecl 10,16
    Mas tais pecados não ficarão sem o devido castigo, independentemente da idade ou da vida sofrida que se leve. Aliás, como já aconteceu em Israel e continuará a acontecer pelo mundo afora: "Por isso o Senhor não poupa os jovens e não tem piedade dos órfãos nem das viúvas, porque todos eles são ímpios e perversos, e todas as bocas proferem infames palavras. Contra tudo isso Sua cólera não se aplacou, e Sua mão está prestes a precipitar-se." Is 9,16
    Com a Vinda de Jesus, porém, foi-nos oferecido mais uma vez o Espírito de Deus, pelo Qual se derramam Seus dons na luta contra o pecado. E, segundo o profeta Joel, os jovens foram particularmente contemplados nessa etapa do projeto do Reino dos Céus, para a edificação da Igreja: "Depois disso, acontecerá que derramarei Meu Espírito sobre todo ser vivo: vossos filhos e vossas filhas profetizarão; vossos anciãos terão sonhos, e vossos jovens terão visões." Jl 3,1

    "Fazei-nos, ó Pai, instrumentos de Vossa Paz!"