sexta-feira, 30 de junho de 2017

Primeiros Santos Mártires de Roma


    No quente verão do ano de 64, abrindo espaço para seus megalômanos projetos urbanísticos, criminosamente Nero mandou atear fogo em algumas construções no centro de Roma, que eram em maioria de madeira e palha, e acabou queimando até às cinzas boa parte da cidade durante seis dias. Para eximir-se das acusação, que logo vazaria por revoltados inconfidentes, ele culpou os cristãos, a maior e mais transformadora novidade que se deu na capital do Império, aos quais cultuava ódio por não lhe reverenciarem como deus.
    Assim ele deflagrou a primeira grande perseguição à Igreja, ordenando o massacre de todos os seguidores, com maior emprego de crueldade possível, e apressou-se em assassinar São Pedro, por inveja de seu carisma e por ser o representante máximo de Cristo.
   Milhares de cristãos entregaram suas almas a Deus nesse período, e padecendo grandes crueldades: as mulheres eram ultrajadas dos modos mais infames; nem mesmo crianças e idosos tiveram suas vidas poupadas. Para tornar o 'espetáculo' ainda mais apelativo, todas as formas de execução foram permitidas.
    No entanto, todos morriam sem renegar a em Cristo, o que, em favor dos argumentos de Nero, ajudou a difundir entre os romanos que os cristãos 'não gostavam de viver' e 'odiavam o ser humano'.
    Os jardins, onde o imperador Calígula havia construído um circo, passaram a ser usados por Nero também para um espetáculo 'circense' com os mais horrendos sacrifícios, mas agora como uma 'festa' popular de massivas execuções que se estenderam por 3 tenebrosos anos: flecha por flecha os cristãos eram alvejados deixando por último artérias e órgãos vitais; dilacerados e mutilados a golpes de espadas para morrer lentamente, ou simplesmente decapitados; feridos e esmagados com bizarras armas letais; destroçados por cavalos e bigas de guerra em alta velocidade; soltos na arena para o ataque de furiosos touros, grandes felinos e famintos leões; mortos na fogueira ou por armas em brasa; torturas, crucificações e 'tochas humanas', quando eram untados com piche para arder em chamas 'iluminando' a noite.
    À luz do dia, as vítimas eram banhadas em sangue e revestidos com peles de animais para o escárnio e espancamento dos cidadãos romanos, e depois atacadas e devoradas por cachorros nas ruas. Para presenciar e incitar tais crueldades, o próprio Nero misturava-se ao povo, disfarçado, ou conduzia ensandecidamente seu carro puxado a cavalos, dando voltas na arena dos jardins.


    São Paulo, que também por ordem de Nero logo seria supliciado e decapitado, nos seus últimos tempos deixou na carta a São Timóteo um registro do medo e da resignação entre os cristãos, por força dos tristes espetáculos que estavam em curso: "Na minha primeira defesa, ninguém me assistiu, todos me abandonaram. Que isto não lhes seja levado em conta. Mas o Senhor veio em meu auxílio e deu-me forças. Assim, pude completar a proclamação da mensagem, para todas as nações a ouvirem. E eu fui libertado da boca do leão." 2 Tm 4,17
    São João Evangelista menciona esses mártires no livro do Apocalipse, que foi escrito ao fim do século I: "Então um dos Anciãos falou comigo e perguntou-me: 'Esses, que estão revestidos de vestes brancas, quem são e de onde vêm?' Respondi-lhe: 'Meu Senhor, tu o sabes.' E ele disse-me: 'Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e alvejaram-nas no Sangue do Cordeiro.'" Ap 7,13-14
    Ele também mencionou os sacrifícios de São Pedro e São Paulo, porém usando termos codificados, como fez em todo o livro, para que não fosse censurado e destruído: "Mas incumbirei às Minhas duas testemunhas, vestidas de saco, de profetizarem por mil duzentos e sessenta dias. São eles as duas oliveiras e os dois candelabros que se mantêm diante do Senhor da terra. Entretanto, depois de terem terminado integralmente o seu testemunho, a Fera que sobe do abismo lhes fará guerra, os vencerá e os matará. Seus cadáveres jazerão na rua da grande cidade que se chama espiritualmente Sodoma e Egito (onde o Seu Senhor foi crucificado). Muitos dentre os povos, tribos, línguas e nações virão para vê-los por três dias e meio, e não permitirão que sejam sepultados. Os habitantes da terra alegrar-se-ão por causa deles, felicitar-se-ão mutuamente e mandarão presentes uns aos outros, porque esses dois profetas tinham sido seu tormento." Ap 11,3-4.7-10


    O termo grego 'protomártires' designa, portanto, esses primeiros mártires cristãos, sacrifício que mais tarde muitas nações também viriam a padecer, como durante a invasão da Terra Santa, pelos muçulmanos, e a Reforma Protestante, patrocinada por príncipes e senhores feudais.
    E todos eles têm no diácono Santo Estevão o primeiríssimo exemplo, cujo sacrifício se deu ainda no tempo dos Apóstolos, pouco depois do Pentecostes, e que em breve seria seguido por São Tiago Maior, primeiro Apóstolo a ser martirizado, assim como mais tarde foram todos os demais, à exceção de São João Evangelista, exatamente como profetizou Jesus. De fato, diante dos questionamentos de São Pedro sobre o destino do discípulo amado, Ele também o interrogou: "Respondeu-lhe Jesus: 'Que te importa se Eu quero que ele fique até que Eu venha? Segue-Me tu.' Correu por isso o boato entre os irmãos de que aquele discípulo não morreria. Mas Jesus não lhe disse: 'Não morrerá', mas: 'Que te importa se quero que ele fique assim até que Eu venha?'" Jo 21,22-23
    Essa carnificina perpetrado por Nero, que durou de 64 até sua morte, em 67, pelo absoluto caos que instalou entre os cristãos, explica os poucos registros que atestam Roma como a sede da Igreja, a Primazia de Pedro como líder de todos os cristãos e os sacrifícios dele e de São Paulo. Com efeito, como prova de um desmonte quase total do cerne da Comunidade Messiânica, o livro dos Atos dos Apóstolos, escrito por São Lucas, simplesmente para no tempo, é uma obra inacabada.
    Por isso São Clemente, que foi o quarto Papa entre os anos de 88 e 97, vai atestar o 'martírio', que é o sentido original da palavra 'testemunho', como autêntico destino de um cristão, a inspiração da nossa Santa Missa: "Encontramo-nos na mesma arena e combatemos o mesmo combate. Deixemos as preocupações inúteis e os vãos cuidados e voltemo-nos para a gloriosa e venerável regra da nossa tradição: consideremos o que é belo, o que é bom e o que é agradável ao Nosso Criador."
    É a partir destes tempos que surgem as catacumbas subterrâneas de Roma, muitas delas atribuídas a São Calisto, que eram construídas ao longo dos lados das estradas com objetivo de sepultar secretamente, mas com os devidos cerimoniais, os cristãos, e mais tarde possibilitar as rezas e cultos junto aos seus túmulos, prática esta que se perpetrou até as primeiras décadas do século IV. Algumas chegam a ter cinco andares e dezenas de quilômetros. São evidências de um costume judeu, que depositavam os corpos de seus mortos em largos sepulcros escavados em rochas ou encostas, com espaço para entes de toda a família. Aliás, como foi o sepulcro de Jesus.


    Inversamente, porém, tamanha crueldade de Nero, associada ao destemor e exemplo de fé dos cristãos, ao longo daqueles anos terminaram por conquistar a compaixão e também a alma da grande maioria dos romanos, que vieram a conhecer o Evangelho e maravilharam-se com a resignação e o amor a Deus demonstrados por seus seguidores. Sem dúvida, só Deus e a firme convicção da Vida Eterna poderiam consolar e animar aquelas almas.
    Por isso concluiu Tertuliano, historiador que viveu entre os anos de 160 e 220: "O sangue dos mártires é a semente dos cristãos."
    E o próprio Jesus havia sentenciado esse 'testemunho' dos cristãos a partir de Israel: "Cuidai-vos dos homens. Eles vos levarão aos seus tribunais e açoitar-vos-ão com varas nas suas sinagogas. Sereis por Minha causa levados diante dos governadores e dos reis: servireis assim de testemunho para eles e para os pagãos." Mt 10,17-18
    Eram mesmo evidentes sacrifícios, como se veem ainda hoje: "Então sereis entregues aos tormentos, matar-vos-ão e sereis por Minha causa objeto de ódio para todas as nações." Mt 24,9
    E chegaria ao seio familiar: "Sereis entregues até por vossos pais, vossos irmãos, vossos parentes e vossos amigos, e matarão muitos de vós. Sereis odiados por todos por causa do Meu Nome." Lc 21,16-17
    Esse era o batismo de que Jesus havia falado aos Apóstolos São Tiago Maior e São João Evangelista, quando estes lhe pediam alguns privilégios: "Vós bebereis o cálice que Eu devo beber e sereis batizados no batismo em que Eu devo ser batizado." Mc 10,39
    Toda essa horrenda perseguição dos primeiros séculos, no entanto, apenas sinalizava, como sentenciou Jesus, o rompimento do Cristianismo com o Judaísmo, perante o qual os Apóstolos cumpriram missão tentando reformar, bem como os últimos sacrifícios da religiões pagãs e politeístas da Europa, e, através dos séculos, o ódio perpetrado pelos muçulmanos: "Expulsar-vos-ão das sinagogas, e virá a hora em que todo aquele que vos tirar a vida julgará prestar culto a Deus. Procederão deste modo porque não conheceram o Pai, nem a Mim." Jo 16,2-3
    Nascia assim, ao modo do próprio Sacrifício de Cristo, por esse batismo, pelo sangue dos primeiros mártires, a gloriosa Igreja Católica Apostólica Romana.

    Santos Protomártires, rogai por nós!

quinta-feira, 29 de junho de 2017

São Pedro


    São Pedro é o único dos 12 Apóstolos de quem se tem uma história nos Evangelhos. Só de Jesus e de São João Batista têm-se relatos mais completos ou mais informações. São Paulo, só convocado após a Ressurreição, acompanha-o de perto graças aos registros dos Atos dos Apóstolos, embora seu perfil seja sobejamente complementado por seus próprios escritos. Entre os Doze, no entanto, a São Pedro é dado um lugar de incomparável destaque, enquanto os demais recebem apenas circunstanciais citações.
    São Mateus, o mais judeu e conservador dos Apóstolos, da tribo que trouxera no sangue a tradição da indicação do sumo sacerdote, a dos levitas, ao mencionar a lista dos Apóstolos não hesita em declarar que São Pedro era o primeiro: "Eis os nomes dos doze Apóstolos: o primeiro, Simão, chamado Pedro; depois André, seu irmão. Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Filipe e Bartolomeu. Tomé e Mateus, o publicano. Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu. Simão, o cananeu, e Judas Iscariotes, que foi o traidor." Mt 10,2-4
    Nosso Santo, a princípio, foi o único Apóstolo a quem Jesus atribuiu um novo nome, tradição iniciada por Deus para com Abrão, que recebeu o nome de Abraão, passou por Jacó, que tornou-se Israel, perpetuou-se entre os rabinos e inclui o próprio Saulo de Tarso, que após se converter adotou o nome de Paulo. E vale observar que, segundo o Evangelho de São João, privilegiada testemunha ocular, o novo nome de São Pedro foi dado já no primeiro encontro com Jesus, dois dias após o Batismo do Senhor por São João Batista, quando lhe disse: "Tu és Simão, filho de João; serás chamado Cefas (que quer dizer pedra)." Jo 1,42
    Além do nome de seu pai, que certamente por especial deferência foi mencionado por Jesus, sabemos que ele era um fiel cumpridor das Sagradas Escrituras, como vemos em sua declaração sobre a estrita alimentação dos judeus, dada durante a visão que teve em Jope, pouco antes do 'Pentecostes dos Gentios': "De nenhum modo, Senhor, pois nunca entrou em minha boca coisa profana ou impura." At 11,8
    Ele era sempre o primeiro de um pequeno grupo mais próximo de Jesus, que se compunha com São Tiago Maior e São João Evangelista. E como vai citar em sua carta, ele viu Sua Transfiguração, um indizível privilégio, pois aí Cristo revelou-lhes antecipadamente Sua Glória: "Na realidade, não é baseando-nos em hábeis fábulas imaginadas que nós vos temos feito conhecer o poder e a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas por termos visto a Sua Majestade com nossos próprios olhos. Porque Ele recebeu de Deus Pai honra e Glória, quando do seio da Glória magnífica foi-Lhe dirigida esta voz: 'Este é o Meu Filho muito amado, em quem tenho posto todo o Meu afeto.' Esta mesma voz que vinha do Céu nós a ouvimos, quando estávamos com Ele no Monte Santo." 2 Pd 1,16-18
    Ou seja, após declarar que Jesus era o Messias, São Pedro obteve essa prova material como confirmação; já não dependia de um milagre, de um testemunho ou das Escrituras para atestá-lo: ele mesmo O viu: "Seis dias depois, Jesus tomou Consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha. Lá Se transfigurou na presença deles: Seu rosto brilhou como o sol, Suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com Ele." Mt 17,1-3
    Como parte deste seleto grupo, São Pedro viu também a ressurreição da filha de Jairo: "Ainda falava, quando chegaram alguns da casa do chefe da sinagoga, dizendo: 'Tua filha morreu. Por que perturbas ainda o Mestre?' Jesus, porém, tendo ouvido a palavra que acabava de ser pronunciada, disse ao chefe da sinagoga: 'Não temas; crê somente.' E não permitiu que ninguém O acompanhasse, senão Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago." Mc 5,35-37
    E enquanto líder natural entre os Doze, é ele que vai advogar pelos Apóstolos quando Jesus perguntou se também eles não gostariam de abandoná-Lo, pois muitos escandalizaram-se ao vê-Lo oferecer Sua Carne e Seu Sangue como alimento da Vida Eterna. E ainda mais forte que a declaração descrita por São Mateus, como veremos, aqui São João relata São Pedro chamando Jesus de 'Santo de Deus'! Com efeito, as Escrituras dizem que só Deus é Santo: "Então Jesus perguntou aos Doze: 'Quereis vós também retirar-vos?' Respondeu-Lhe Simão Pedro: 'Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da Vida Eterna. E nós cremos e sabemos que Tu és o Santo de Deus!'" Jo 6,67-69
    Aliás, tão clara era sua ciência da santidade de Jesus, desde os primeiros dias em Sua companhia, que também à frente dos Apóstolos e de todos nosso Santo vai ser o primeiro a lançar mão da Confissão perante Ele, atitude que viria a tornar-se Sacramento. Foi logo em seguida à primeira pesca miraculosa: "Vendo isso, Simão Pedro caiu aos pés de Jesus e exclamou: 'Retira-Te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador." Lc 5,8
    E com a mesma desenvoltura de protagonista, sempre muito cioso de cada detalhe dos ensinamentos de Jesus, ao ouvir d'Ele a profecia sobre a destruição do Templo de Jerusalém, interrogou-O quando isso aconteceria: "E estando sentado no monte das Oliveiras, defronte do Templo, perguntaram-Lhe à parte Pedro, Tiago, João e André: 'Dize-nos, quando hão de suceder essas coisas? E por qual sinal se saberá que tudo isso vai realizar-se?'" Mc 13,3-4
    Estava intimamente presente num dos momentos mais difíceis para Jesus, durante a agonia no Monte das Oliveiras, na última noite antes da crucificação: "Levou Consigo Pedro, Tiago e João; e começou a ter pavor e a angustiar-Se. Disse-lhes: 'A Minha alma está numa tristeza mortal; ficai aqui e vigiai.'" Mc 14,33
    Foi exclusivamente dele, aliás, que Jesus cobrou vigília nesta noite: "Foi ter então com os discípulos e encontrou-os dormindo. E disse a Pedro: 'Então não pudestes vigiar uma hora Comigo... Vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.'" Mt 26,40-41
    E dos Apóstolos ele é único mencionado quando o anjo manda um recado por Santa Maria Madalena, no episódio do túmulo vazio: "Entrando no sepulcro, viram, sentado do lado direito, um jovem, vestido de roupas brancas, e assustaram-se. Ele falou-lhes: 'Não tenhais medo. Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde O depositaram. Mas ide, dizei a Seus discípulos e a Pedro que Ele vos precede na Galileia. Lá O vereis como vos disse.'" Mc 16,5-7

AS CHAVES DO REINO DOS CÉUS

    Inspirado por Deus Pai, São Pedro foi o primeiro a afirmar com plena convicção Quem era Jesus: "Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!" Mt 16,16
    Inspiração, aliás, que o próprio Jesus confirmou: "Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas Meu Pai que está nos Céus." Mt 16,17
    Por ser portador de divinas revelações, São Pedro ouviu de Jesus a declaração de sua Primazia como pedra fundamental da Igreja, que o próprio Cristo constrói garantindo a vitória contra o Maligno: "E Eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18
    Essa liderança e destaque desde sempre foi respeitada pelos demais Apóstolos, como atestou São Mateus. Mas, humildemente, em sua carta ele partilha com todos nós a responsabilidade de ser Igreja: "... e quais outras pedras vivas, vós também vos tornais os materiais deste edifício espiritual, um sacerdócio santo..." 1 Pd 2,5
    São Paulo, reverente a essa hierarquia, também convidava os fiéis para tomar parte nessa edificação, mas deixava evidente que a Igreja tem os Apóstolos como alicerce: "Consequentemente, já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos Santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos Apóstolos e Profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus." Ef 2,19-20
    É São Pedro, portanto, o fiel administrador a quem Jesus confiou Sua Igreja, o solícito encarregado de distribuir o Pão da Vida ao povo de Deus: "'Estai, pois, preparados, porque, à hora em que não pensais, virá o Filho do Homem.' Disse-Lhe Pedro: 'Senhor, propões esta parábola só a nós ou também a todos?' O Senhor replicou: 'Qual é o administrador sábio e fiel que o Senhor estabelecerá sobre os Seus operários para dar-lhes a seu tempo a sua medida de trigo? Feliz daquele servo que o Senhor achar procedendo assim, quando vier! Em verdade vos digo: confiar-lhe-á todos os Seus bens.'" Lc 12,40-44
    Pois, desde os tempos de Moisés, Deus havia instituído um sumo sacerdote entre os israelitas, a quem cabia fazer a oferta do sacrifício no altar. Inicialmente este posto coube a Aarão, bisneto de Levi, cuja tradição foi rigorosamente mantida até a destruição de Jerusalém, no ano 70 de nossa era: "Este será um direito perpétuo devido a Aarão e seus filhos pelos israelitas; esta é uma oferta reservada – aquela que os israelitas terão de tomar de seus sacrifícios pacíficos –, uma reserva que devem ao Senhor. Os ornamentos sagrados de Aarão servirão para seus filhos depois dele, que os vestirão quando se lhes der a unção e forem empossados. Aquele dentre os seus filhos que for sumo sacerdote em seu lugar, e que penetrar na Tenda de Reunião para o serviço do santuário, os levará durante sete dias." Ex 29,28-30
    E como prescrito também por Deus, a primazia do sumo sacerdote é perfeitamente clara: "O sumo sacerdote, superior a seus irmãos, sobre cuja cabeça derramou-se o óleo de unção, e que foi estabelecido para revestir as vestes sagradas, não descobrirá a sua cabeça, e não rasgará as suas vestes." Lv 21,10
    Ainda nos primeiros séculos do cristianismo, a favor da Primazia de São Pedro na Igreja testemunharam inspirações da grandeza de São Clemente, Santo Irineu e São Nicolau Magno, além de, pouco mais tarde, excepcionais teólogos como Santo Ambrósio, Santo Atanásio, São João Crisóstomo e Santo Agostinho.
    E a clara prova de sua inquestionável importância para a Igreja é que Jesus, prevendo as tentações do inimigo contra os Apóstolos, e assim contra Seu Evangelho e a Igreja, optou por reforçar a de São Pedro. Ora, como Apóstolo mais próximo de Cristo ele não podia falhar: a credibilidade da Igreja e do próprio Evangelho estavam em suas mãos. Por isso Jesus rezou ao Pai expressamente por ele, e pediu-lhe que ajudasse os demais Apóstolos, discípulos e fiéis: 'Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para peneirar como o trigo; mas Eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos.'" Lc 22,32
    Por Sua Divina Sabedoria, Jesus escolhia-o com perfeição, pois era São Pedro o Apóstolo que mais O amava. É o que vemos quando Jesus o inqueriu, mais uma vez e pertinentemente invocando a pessoa de seu pai, como um sinal de juramento: "... 'Simão, filho de João, amas-Me mais do que estes?' Ele Lhe respondeu: "Sim, Senhor, Tu sabes que Te amo.'" Jo 21,15


    Assim ele recebeu a missão de apascentar todo Seu rebanho, de fiéis a sacerdotes: "Apascenta os Meus cordeiros... Apascenta Minhas ovelhas." Jo 21,15.17
    Para tanto, o poder dado por Jesus a São Pedro aqui na terra, para decidir a respeito de assuntos da Doutrina e da Comunhão, era total: "... tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus." Mt 16,19b
    Não por acaso, ele foi o único Apóstolo a receber de Jesus as Chaves dos Céus, ou seja, a inspiração para reconhecer nas Escrituras as palavras-chaves que apontam a verdadeira vontade de Deus, assim como no dia-a-dia a moção do Espírito Santo: "Eu te darei as Chaves do Reino dos Céus..." Mt 16,19a
    Chaves, aliás, que estiveram nas mãos dos fariseus, ainda que não integralmente, pois lhes faltava a manifestação do Cristo. Mas eles usaram-nas tão somente para manter o povo refém de suas consultas, não franqueando a si mesmo a entrada nos Céus nem deixando os demais entrarem. Jesus acusou-os: "Ai de vós, doutores da Lei, que tomastes a chave da ciência, e vós mesmos não entrastes e impedistes aos que vinham para entrar." Lc 11,52
    Abrindo caminho para a sucessão apostólica, ademais, e portanto para a sua própria como Papa, foi ele que propôs e liderou a substituição de Judas Iscariotes para recompor o Colégio dos Doze. Para isso, ele inspiradamente evocou as Escrituras: "Num daqueles dias, levantou-se Pedro no meio de seus irmãos, na assembléia reunida que constava de umas cento e vinte pessoas, e disse: 'Irmãos, convinha que se cumprisse o que o Espírito Santo predisse na Escritura pela boca de Davi, acerca de Judas, que foi o guia daqueles que prenderam Jesus. Pois está escrito no livro dos Salmos: 'Fique deserta a sua habitação, e não haja quem nela habite'; e ainda mais: 'Que outro receba o seu cargo.' (Sl 68,26; 108,8) Convém que destes homens que têm estado em nossa companhia todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós, a começar do Batismo de João até o dia em que do nosso meio foi arrebatado, um deles se torne conosco testemunha de Sua Ressurreição.'" At 1,15-16.20-22
    Desde então vamos ver São Pedro sempre tomando a palavra, à frente do Colégio dos Apóstolos. É ele quem preside a assembléia quando se deu o Pentecostes, momento em Deus Espírito Santo instituiu a Igreja: "Pedro então, pondo-se de pé em companhia dos Onze, com voz forte disse-lhes: 'Homens da Judeia e vós todos que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção às minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto não ser ainda a hora terceira do dia. Mas cumpre-se o que foi dito pelo profeta Joel: Acontecerá nos últimos dias - é Deus Quem fala -, que derramarei do Meu Espírito sobre todo ser vivo: profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas. Os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão.'" At 2,14-17
    É ele quem fala ao paralítico no Templo de Jerusalém, onde sempre se reuniam para rezar, quando o curou: "Pedro, porém, disse: 'Não tenho nem ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou: em Nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!' E tomando-o pela mão direita, levantou-o. Imediatamente os pés e os tornozelos se lhe firmaram. De um salto pôs-se de pé e andava." At 3,6-7
    É ele quem responde com autoridade aos principais dos judeus em todas ocasiões. Ao justificar o milagre do paralítico, por exemplo: "Então Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu-lhes: 'Chefes do povo e Anciãos, ouvi-me: se hoje somos interrogados a respeito do benefício feito a um enfermo, e em que Nome foi ele curado, ficai sabendo todos vós e todo o povo de Israel: foi em Nome de Jesus Cristo Nazareno, que vós crucificastes, mas que Deus ressuscitou dos mortos. Por Ele é que esse homem se acha são, em pé, diante de vós.'" At 4,8-10
    O mesmo acontece quando eles questionaram as ordens que receberam do Sinédrio: "Responderam-lhes Pedro e João: 'Julgai-o vós mesmos se é justo diante de Deus obedecermos a vós mais do que a Deus. Não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido.'" At 4,19-20
    E após serem capturados no Templo, enquanto anunciavam o Cristo, de novo ele contesta os superiores dos judeus: "Pedro e os Apóstolos replicaram: 'Importa obedecer antes a Deus do que aos homens. O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, que vós matastes, suspendendo-O num madeiro. Deus elevou-O pela mão direita como Príncipe e Salvador, a fim de dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados. Deste fato nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem.'" At 5,29-32
    É ele quem defende os bens da Igreja quando os cristãos já possuíam tudo em comum, e nessa ocasião revela-se em perfeita unidade com o Divino Espírito Santo: "Pedro, porém, disse: 'Ananias, por que tomou conta Satanás do teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e enganasses acerca do valor do campo? Acaso não o podias conservar sem vendê-lo? E depois de vendido, não podias livremente dispor dessa quantia? Por que imaginaste isso em teu coração? Não foi aos homens que mentiste, mas a Deus.'" At 5,3-4


    Como se pode supor, São Pedro era ungido por Deus também com poder. Bastava sua sombra para curar enfermos: "Cada vez mais aumentava a multidão dos homens e mulheres que acreditavam no Senhor. De maneira que traziam os doentes para as ruas e punham-nos em leitos e macas, a fim de que, quando Pedro passasse, ao menos a sua sombra cobrisse alguns deles. Também das cidades vizinhas de Jerusalém afluía muita gente, trazendo os enfermos e os atormentados por espíritos imundos, e todos eles eram curados." At 5,14-16
    Ele tinha plena consciência da função missionária da Igreja, e por isso deixou Jerusalém aos cuidados de São Tiago Menor, partindo para ungir com o Espírito Santo os primeiros cristãos na Samaria: "Os Apóstolos que se achavam em Jerusalém, tendo ouvido que a Samaria recebera a Palavra de Deus, enviaram-lhe Pedro e João. Estes, assim que chegaram, fizeram oração pelos novos fiéis, a fim de receberem o Espírito Santo, visto que não havia descido ainda sobre nenhum deles, mas tinham sido somente batizados em Nome do Senhor Jesus. Então os dois Apóstolos impuseram-lhes as mãos e receberam o Espírito Santo." At 8,14-17
    E foi aonde pôde para instaurar a Igreja: "A Igreja gozava então de Paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria. Estabelecia-se ela caminhando no temor do Senhor, e a assistência do Espírito Santo a fazia crescer em número. Pedro, que caminhava por toda parte, de cidade em cidade, desceu também aos fiéis que habitavam em Lida." At 9,31-32
    Aí curou Eneias, que também era paralítico: "Ali achou um homem chamado Eneias, que havia oito anos jazia paralítico num leito. Disse-lhe Pedro: 'Eneias, Jesus Cristo te cura: levanta-te e faze tua cama.' E levantou-se imediatamente. Viram-no todos os que habitavam em Lida e em Sarona, e converteram-se ao Senhor." At 9,33-35
    E por grande Graça, operou uma ressurreição. Foi Tabita, também chamada de Dorcas, uma caridosa cristã: "Ora, como Lida fica perto de Jope, os discípulos, ouvindo dizer que Pedro aí se encontrava, enviaram-lhe dois homens, rogando-lhe: 'Não te demores em vir ter conosco.' Pedro levantou-se imediatamente e foi com eles. Logo que chegou, conduziram-no ao quarto de cima. Cercavam-no todas as viúvas, chorando e mostrando-lhe as túnicas e os vestidos que Dorcas lhes fazia quando viva. Pedro então, tendo feito todos sair, pôs-se de joelhos e orou. Voltando-se para o corpo, disse: 'Tabita, levanta-te!' Ela abriu os olhos e, vendo Pedro, sentou-se. Ele a fez levantar-se, estendendo-lhe a mão. Chamando os irmãos e as viúvas, entregou-lha viva. Este fato espalhou-se por toda Jope e muitos creram no Senhor." At 9,38-42
    É muito provável que ele tenha estado também em Antioquia quando de sua primeira viagem a Roma, pois junto à capital e a Alexandria eram as maiores cidades do Império, embora aí tenha pregado apenas aos judeus. Isso ocorreu durante a primeira dispersão dos cristãos de Jerusalém: "Entretanto, aqueles que foram dispersados pela perseguição que houve no tempo de Estêvão chegaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, pregando a Palavra só aos judeus." At 11,19
    Ele certamente esteve em Corinto, outra cidade importante, e fez muitos fiéis bem antes de São Paulo, que registrou a preferência de alguns por seu carisma: "Pois acerca de vós, irmãos meus, fui informado pelos que são da casa de Cloé, que há contendas entre vós. Refiro-me ao fato de que entre vós se usa esta linguagem: 'Eu sou discípulo de Paulo; eu, de Apolo; eu, de Cefas; eu, de Cristo.'" 1 Cor 1,11-12
    Não é justa, portanto, a rudeza que se atribui à sua pessoa, como se assim fossem todos os pescadores apenas por força do ofício. A inspiração de São Pedro, como atestou o próprio Jesus, era absolutamente invulgar. E sua santidade, já como líder da Igreja, era amplamente reconhecida. Suas reflexões e mística, por tudo que viu e ouviu do Cristo, devem mesmo ter alçado dos mais altos voos, coisa de sábio e grande santo. Ora, ele foi o escolhido por Jesus! E, como visto, aclamado pelos cristãos. Não deve restar dúvida!
    Em carta a ele atribuída, temos um registro do que pode ter sido o caminho ascético por ele descoberto, cujos graus de espiritualidade de cada dom são mesmo impreteríveis: "Por estes motivos, esforçai-vos quanto possível por unir à vossa fé a virtude, à virtude a ciência, à ciência a temperança, à temperança a paciência, à paciência a piedade, à piedade o amor fraterno, e ao amor fraterno a caridade. Se estas virtudes se acharem em vós abundantemente, elas não vos deixarão inativos nem infrutuosos no conhecimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Porque quem não tiver estas coisas é míope, cego: esqueceu-se da purificação dos seus antigos pecados." 2 Pd 1,5-9
    Foi São Pedro o primeiro a levar o Espírito Santo aos não judeus, fato que o faz fundador também da Igreja 'Católica', que em grego significa 'Universal': "Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a Palavra. Os fiéis da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, profundamente se admiraram, vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os não judeus." At 10,44-45
    São Paulo cita-o respeitosamente pelo nome de ofício, como ele era chamado na Igreja, conforme o nome que lhe atribuiu o próprio Jesus: "Tiago, Cefas e João, que são considerados as colunas..." Gl 2,9
    Após sua conversão, aliás, logo que pôde São Paulo fez questão de ir conhecer e estar com São Pedro. Para tanto expôs-se a risco de morte indo a Jerusalém, pois era procurado pelos judeus: "Três anos depois subi a Jerusalém para conhecer Cefas, e fiquei com ele quinze dias." Gl 1,18
    E enxergando uma Igreja dividida entre cristãos advindos dos judaísmo e cristãos advindos do paganismo, o que de fato inicialmente existiu, reconhecia abertamente a São Pedro a chefia da Igreja originária: "Ao contrário, viram que a evangelização dos incircuncisos me era confiada, como a dos circuncisos a Pedro (porque Aquele cuja ação fez de Pedro o Apóstolo dos circuncisos, fez também de mim o dos pagãos)." Gl 2,7-8
    Buscou seu apoio em Jerusalém também para dirimir a primeira grande controvérsia doutrinária da Igreja, ocorrida em Antioquia: "Alguns homens, descendo da Judeia, puseram-se a ensinar aos irmãos o seguinte: 'Se não vos circuncidais, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos.' Originou-se então grande discussão de Paulo e Barnabé com eles, e resolveu-se que estes dois, com alguns outros irmãos, fossem tratar desta questão com os Apóstolos e os Anciãos em Jerusalém." At 15,1-2
    São Pedro, que já havia batizado não judeus, de fato não o desapontou, e seu voto decidiu o Primeiro Concílio da Igreja: "Ao fim de uma grande discussão, Pedro levantou-se e lhes disse: 'Irmãos, vós sabeis que já há muito tempo Deus escolheu-me dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a Palavra do Evangelho e cressem. Ora, Deus, que conhece os corações, testemunhou a seu respeito, dando-lhes o Espírito Santo, da mesma forma que a nós. Nem fez distinção alguma entre nós e eles, purificando pela fé os seus corações. Por que, pois, provocais agora a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar? Nós cremos que pela Graça do Senhor Jesus seremos salvos, exatamente como eles.' Toda a assembléia o ouviu silenciosamente." At 15,7-12
    Enfim, São Pedro retornou em segunda viagem a Roma, pois de lá havia sido expulso com os judeus pelo Imperador Cláudio no ano de 49, e agora vai fundar o bispado mais importante, que depois da destruição de Jerusalém tornou-se a Sede da Igreja. Ele cita esse bispado em sua carta: "A igreja escolhida de Babilônia saúda-vos, assim como também Marcos, meu filho." 1 Pd 5,13
    E de lá preparou a Igreja, sua barca, para seguir através dos tempos, sempre contando com a luminosa instrução do próprio Jesus: "Portanto, irmãos, cuidai cada vez mais em assegurar a vossa vocação e eleição. Procedendo deste modo, não tropeçareis jamais. Assim vos será aberta largamente a entrada no Reino Eterno de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Eis porque não cessarei de vos trazer à memória essas coisas, embora estejais instruídos e confirmados na presente Verdade. Tenho por meu dever, enquanto estiver neste tabernáculo, de manter-vos vigilantes com minhas admoestações. Porque sei que em breve terei que deixá-lo, assim como Nosso Senhor Jesus Cristo me fez conhecer. Mas cuidarei para que, ainda depois do meu falecimento, possais conservar sempre a lembrança dessas coisas." 2 Pd 1,10-15

UM FIEL PESCADOR DE ALMAS

    Como seu irmão, ele era da Betsaida, povoado no norte de Israel, também próximo à margem do mar da Galileia, cujo nome significa 'casa da pesca': "Filipe era natural de Betsaida, cidade de André e Pedro." Jo 1,44
    Mas depois de contrair Matrimônio foi morar em Cafarnaum, levando consigo seu irmão. Não se tem registro, contudo, de sua esposa ou de possíveis filhos após começarem a seguir Jesus, apenas de sua sogra: "Dirigiram-se para Cafarnaum. Assim que saíram da sinagoga, dirigiram-se com Tiago e João à casa de Simão e André. A sogra de Simão estava de cama, com febre; e sem tardar, falaram-Lhe a respeito dela. Aproximando-Se Jesus, tomou-a pela mão e levantou-a; imediatamente a febre a deixou e ela pôs-se a servi-los." Mc 1,21a.29-31
    São Paulo indicou que uma mulher o acompanhava em suas missões, embora não se saiba se se tratava de sua esposa, de sua filha ou simplesmente de uma mera ajudante, como tantas que seguiram Jesus, pois o Apóstolo de Tarso argumentava tão somente sobre custos das comunidades que recebiam missões: "Acaso não temos nós direito de deixar que nos acompanhe uma mulher cristã, a exemplo dos outros Apóstolos e dos irmãos do Senhor e de Cefas?" 1 Cor 9,5
    Certamente deve ter sido apenas uma ajudante, pois logo após Jesus desafiar o jovem rico a deixar tudo para segui-Lo, nosso Santo, mais uma vez falando em nome dos Apóstolos, vai alegar: "Pedro começou a dizer-Lhe: 'Eis que deixamos tudo e Te seguimos.'" Mc 10,28
    Segundo São Lucas, esta demonstração de fidelidade deu-se logo após a primeira pesca miraculosa: "E atracando as barcas à terra, deixaram tudo e seguiram-nO." Lc 5,11
    E é simplesmente impossível que o Príncipe dos Apóstolos não tenha observado uma das mais importantes recomendações de vida espiritual dada por Jesus. De fato, ao desaprovar a carta de divórcio tolerada por Moisés e reafirmar a indissolubilidade do Matrimônio, Nosso Salvador vai exaltar o celibato entre os que se dedicam às coisas de Deus: "Seus discípulos disseram-Lhe: 'Se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor não se casar!' Respondeu Ele: 'Nem todos são capazes de compreender o sentido desta Palavra, mas somente aqueles a quem foi dado. Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos Céus. Quem puder compreender, compreenda.'" Mt 19,10-12
    Por fim, muito se fala de que ele tenha negado Jesus, afetadamente até usam dizer que ele 'O traiu', mas quase não se observa as circunstâncias em que tudo se deu nem a motivação com que agia. De fato, se O negou com palavras, com atitudes expressava exatamente o contrário: todo seu incondicional amor pelo Mestre. Que dizer de sua coragem para entrar no pátio da casa sumo sacerdote naquela fatídica noite? E ele havia recém-decepado a orelha de um de seus guardas! Em sua estratégia, portanto, não O teria negado, mas apenas usava de dissimulação para aproximar-se do Palácio e assim acompanhar o que se passava com Jesus.
    E ainda maior é a desinformação, ou a maldade, dos que o acusam de covardia, pois, com a mesma prontidão com que prometia seguir Jesus até a morte ele reagiu no Horto das Oliveiras, e só se deteve porque Jesus assim o ordenou: "Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. (O servo chamava-se Malco.) Mas Jesus disse a Pedro: 'Enfia a tua espada na bainha! Não hei de beber Eu o cálice que o Pai Me deu?'" Jo 18,10-11
    Aliás, instantes antes, o próprio Jesus já havia pedido aos guardas que O prendiam que dispensassem os Apóstolos: "'Se é, pois, a Mim que buscais, deixai ir estes.' Assim se cumpriu a Palavra que Ele mesmo havia dito: 'Dos que Me deste não perdi nenhum' (Jo 17,12)." Jo 18,8b-9
    Mais: fora São João Evangelista, que sabidamente não corria nenhum perigo, talvez por ser filho de um sacerdote, São Pedro foi o único Apóstolo a acompanhar de perto o pré-julgamento de Jesus feito pelos membros do Sinédrio, quando o galo cantou três vezes: "Simão Pedro seguia Jesus, e mais outro discípulo. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote, porém Pedro ficou de fora, à porta. Mas o outro discípulo (que era conhecido do sumo sacerdote) saiu e falou à porteira, e esta deixou Pedro entrar." Jo 18,15-16
    Segundo São Mateus, ele usava desta artimanha para ver o que aconteceria ao Mestre: "Entrou e sentou-se junto aos criados para ver como terminaria aquilo." Mt 26,58b
    Ademais, Jesus bem sabia que seria 'abandonado', e não apenas por São Pedro, mas por todos os Apóstolos. Assim eram planos de Deus, embora nosso Santo relutasse: "Disse-lhes então Jesus: 'Esta noite serei para todos vós uma ocasião de queda; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersadas (Zc 13,7). Mas, depois da minha Ressurreição, eu vos precederei na Galileia.' Pedro interveio: 'Mesmo que sejas para todos uma ocasião de queda, para mim jamais o serás.'" Mt 26,31-33
    O Evangelho de São Marcos, em conclusão, pode ser considerado o Evangelho de São Pedro, como afirmou Santo Irineu, pois é composto em grande parte por seus relatos. Sua extrema simplicidade e objetividade são tocantes retratos da pureza da alma do pescador da Galileia. E se São Marcos não lhe atribuiu nenhum especial destaque, foi justamente porque São Pedro nunca o suscitou, nem o permitiria.
    E assim como Jesus, São Pedro também morreu de forma brutal. A Sagrada Tradição conta que, ao saber que ia ser crucificado, em sua sincera humildade não se permitiu morrer como Jesus. Não se achava digno. Pediu que o crucificassem de cabeça para baixo. E tão grande era a perseguição naqueles tempos, e tão desnorteada ficou a comunidade cristã pelo amor que lhe tinha, que nenhum registro escrito foi feito imediatamente após seu martírio.
    Mas não é necessário recorrer a Sagrada Tradição para ter certeza desses fatos. Basta lembrar que sua crucificação foi predita pelo próprio Jesus, após Sua Ressurreição: "'Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais moço, cingias-te e andavas aonde querias. Mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres.' Por estas palavras, Ele indicava o gênero de morte com que havia de glorificar a Deus. E depois de assim ter falado, acrescentou: 'Segue-Me!'" Jo 21,18-19
    E São Pedro sabia muito bem do que Jesus estava falando. Eles já haviam conversado sobre isso na noite da Santa Ceia: "Perguntou-Lhe Simão Pedro: 'Senhor, para onde vais?' Jesus respondeu-lhe: 'Para onde vou, não podes seguir-Me agora, mas seguir-Me-ás mais tarde.' Jo 13,36


    Tão amado era nosso Santo, e já desde Jerusalém, que foram preservadas as correntes com que o prenderam por ordem de Herodes. Claro, o fato de ter sido miraculosamente libertado por um anjo estarreceu a guarda romana, e muito concorreu para que elas se fossem veneradas como relíquias. E assim para elas foi erguida um Basílica em Roma, que tem o nome de São Pedro Acorrentado.
    O episódio, em si, é bastante conhecido: "Ora, quando Herodes estava para apresentá-lo, naquela mesma noite dormia Pedro entre dois soldados, ligado com duas cadeias. Os guardas, à porta, vigiavam o cárcere. De repente, apresentou-se um anjo do Senhor, e uma luz brilhou no recinto. Tocando no lado de Pedro, o anjo despertou-o: 'Levanta-te depressa', disse ele. Caíram-lhe as cadeias das mãos. O anjo ordenou: 'Cinge-te e calça as tuas sandálias. Ele assim o fez. O anjo acrescentou: 'Cobre-te com a tua capa e segue-me.' Pedro saiu e seguiu-o, sem saber se era real o que se fazia por meio do anjo. Julgava estar sonhando. Passaram o primeiro e o segundo postos da guarda. Chegaram ao portão de ferro, que dá para a cidade, o qual se lhes abriu por si mesmo. Saíram e tomaram juntos uma rua. Em seguida, de súbito, o anjo desapareceu. Então Pedro tornou a si e disse: 'Agora vejo que o Senhor mandou verdadeiramente o Seu anjo e livrou-me da mão de Herodes e de tudo o que esperava o povo dos judeus.'" At 12,6-11


    Na rádio-mensagem de Natal de 1950, após minuciosos exames científicos, o venerável Papa Pio XII anunciou a confirmação de que o túmulo de São Pedro, assim como alguns de seus ossos, estão realmente sob o Altar da Basílica de São Pedro, diante de sua Cátedra. De fato, entre outros antiquíssimos escritos na lápide, consta: "Pedro está aqui."


    São Pedro, rogai por nós!

São Paulo Apóstolo


    Um jovem religioso e radical ajudou na execução de Santo Estevão, segurando os mantos dos que o apedrejavam. Seu nome era Saulo. Tinha assistido ao belíssimo e contundente sermão deste Santo diácono, no qual responsabilizava o Sinédrio pela Crucificação de Jesus, mas não lhe deu razão e acabou concordando com sua brutal punição. Na verdade, como era fariseu, já havia algum tempo que ele alimentava raiva contra os cristãos, e anos depois, usando da influência de seu grupo, vai encampar uma verdadeira guerra aos seguidores de Cristo: "... devastava a Igreja. Entrando pelas casas, arrastava para fora homens e mulheres e entregava-os à prisão." At 8,3
    Tamanho era seu ódio, que São Lucas vai dizer que ele "... só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor." At 9,1
    Ele mesmo confessou-o perante o rei Agripa quando foi preso, antes de ser levado a Roma: "Que pensais vós? É coisa incrível que Deus ressuscite os mortos? Também eu acreditei que devia fazer a maior oposição ao Nome de Jesus de Nazaré. Assim procedi de fato em Jerusalém e tinha encerrado muitos irmãos em cárceres, havendo recebido para isso poder dos sumos sacerdotes; quando os sentenciavam à morte, eu dava a minha plena aprovação. Muitas vezes, perseguindo-os por todas as sinagogas, eu maltratava-os para obrigá-los a blasfemar. Enfurecendo-me mais e mais contra eles, eu perseguia-os até no estrangeiro." At 26,8-11
    Numa viagem que fazia para capturar discípulos, porém, "... estando já perto de Damasco, subitamente cercou-o uma Luz resplandecente vinda do Céu. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe acusava de estar perseguindo não a Igreja, mas o próprio Jesus: 'Saulo, Saulo, por que Me persegues? Eu sou Jesus... Levanta-te, entra na cidade. Aí te será dito o que deves fazer.'" At 9,4-6
    Quando levantou-se, no entanto, percebeu que estava cego. Mas dias depois foi miraculosamente curado por um discípulo enviado por Jesus. Ou seja, apesar da grande importância que São Paulo viria a ter, Jesus submete-o à Igreja: "Ananias foi. Entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: 'Saulo, meu irmão, o Senhor, esse Jesus que te apareceu no caminho, enviou-me para que recobres a vista e fiques cheio do Espírito Santo.' No mesmo instante caíram dos olhos de Saulo umas como escamas, e recuperou a vista. Levantou-se e foi batizado." At 9,17-18
    De perseguidor então passou a ser perseguido, pois pregando com poder demonstrava que Jesus era o Cristo, o que despertou a ira dos judeus. E foi jurado de morte ainda na cidade de Damasco. "Mas os discípulos, tomando-o de noite, fizeram-no descer pela muralha da cidade dentro de um cesto." At 9,25
    Retornando à Cidade Santa três anos mais tarde, a princípio os Apóstolos e discípulos tinham-lhe medo. Mas depois de explicada sua conversão por São Barnabé, "... permaneceu com eles, saindo e entrando em Jerusalém, e pregando, destemidamente, o Nome do Senhor." At 9,28
    Antioquia era a maior cidade da região, e no Império Romano menor apenas que Roma e Alexandria. Saulo foi enviado para lá porque os judeus de Jerusalém também tinham decidido matá-lo, pois sua devoção e Sabedoria chamavam atenção e provocavam muitas conversões. Ora, noutra ocasião o próprio Espírito Santo vai destacá-lo: "Enquanto celebravam o culto do Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: 'Separai-Me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho destinado.'" At 13,2
    E com grande poder de argumentação, Saulo saiu visitando cidades e convertendo multidões. Voltando a Antioquia, suas pregações atraia quase toda cidade. Como os judeus não aceitavam a Encarnação do Cristo na Pessoa de Jesus, Paulo, como começava a ser conhecido, declarou-lhes: "Era a vocês que em primeiro lugar se devia anunciar a Palavra de Deus. Mas, porque a rejeitam e se julgam indignos da Vida Eterna, eis que, a partir de agora, voltamo-nos para os não judeus." At 13,46


    Em Listra, um aleijado de nascença foi curado por ele. A cidade, porém, entrou em convulsão: seriam Paulo e Barnabé deuses gregos? Paulo tentou explicar-se, mas judeus de outras cidades incitaram a população a matá-lo como a um farsante: "Sobrevieram, porém, alguns judeus de Antioquia e de Icônio que persuadiram a multidão. Apedrejaram Paulo e, dando-o por morto, arrastaram-no para fora da cidade. Os discípulos rodearam-no, ele levantou-se e entrou na cidade." At 14,19-20
    Fundando comunidades por onde passava, Paulo seguiu fazendo viagens e em cada lugar instituía Anciãos como líderes, que junto a bispos e diáconos viriam a ser nossos sacerdotes. Era a nascente hierarquia da Igreja, que é fundamental à fidelidade e à autenticidade da mensagem de Deus. E essa vai ser a instrução que ele vai dar a São Tito: "Eu deixei-te em Creta para acabares de organizar tudo e estabeleceres Anciãos em cada cidade, de acordo com as normas que te tracei." Tt 1,5
    No entanto, pedia prudência ao ordenar alguém: "A ninguém imponhas as mãos inconsideradamente, para que não venhas a tornar-te cúmplice dos pecados alheios." 1 Tm 5,22a
    E exatamente por respeitar a hierarquia, ainda que incipiente à época, ele mesmo admitiu ter procurado conhecer São Pedro após sua conversão: "Três anos depois subi a Jerusalém para conhecer Cefas, e fiquei com ele quinze dias." Gl 1,8
    Realmente zeloso da integridade do Evangelho, mais tarde tratou de fazer uma nova conferência em Jerusalém, onde encontraria as 'colunas da Igreja': "Catorze anos mais tarde, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também Tito comigo. E subi em consequência de uma revelação. Expus-lhes o Evangelho que prego entre os pagãos, e isso particularmente aos que eram de maior consideração, a fim de não correr ou de não ter corrido em vão. Tiago, Cefas e João, que são considerados as colunas, reconhecendo a Graça que me foi dada, deram as mãos a mim e a Barnabé em sinal de pleno acordo: iríamos aos pagãos, e eles aos circuncidados. Recomendaram-nos apenas que nos lembrássemos dos pobres, o que era precisamente a minha intenção." Gl 2,1-2.9-10
    Ardoroso defensor da Sã Doutrina, nosso Santo chegou a discutir com São Pedro, que, por Sabedoria e prudência, como mais tarde o jovem de Tarso aprenderia, tentava não acirrar ainda mais os ânimos dos cristãos vindos do judaísmo contra aqueles vindos do paganismo, que já haviam estado em confronto por conta da circuncisão. Precipitadamente, e ignorando o que recomendava a carta resultante do Concílio de Jerusalém, ele exigia que o Príncipe dos Apóstolos 'batesse de frente' com os enviados de São Tiago Menor, abandonando de imediato os hábitos judeus de alimentação. No entanto, não deixava de chamá-lo pelo nome de ofício: "Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe francamente, porque era censurável. Pois, antes de chegarem alguns homens da parte de Tiago, ele comia com os pagãos convertidos. Mas, quando aqueles vieram, retraiu-se e separou-se destes, temendo os circuncidados." Gl 2,11-12
    Mas, como dissemos, São Paulo mesmo iria fingir estar cumprindo votos judeus para escapar de perseguições, acolhendo uma sugestão de São Tiago Menor: "Toma-os contigo, faze com eles os ritos da purificação e paga por eles a oferta obrigatória para que rapem a cabeça. Então todos saberão que é falso quanto de ti ouviram, mas que também tu guardas a Lei." At 21,24
    E até vai exaltar esse sábio procedimento, muito adequado ao ofício pastoral: "Para os que não têm Lei, fiz-me como se eu não tivesse Lei, ainda que eu não esteja isento da Lei de Deus - porquanto estou sob a Lei de Cristo -, a fim de ganhar os que não têm Lei." 1 Cor 9,21

OPERANDO MILAGRES E ZELOSO DA UNIDADE DA IGREJA

    Estando em Trôade, num domingo, dia já largamente acolhido para celebrar a Santa Missa, enquanto fazia um longo sermão antes da Comunhão um jovem adormeceu, caiu do terceiro andar e morreu. Mas Paulo ressuscitou-o: "No primeiro dia da semana, estando nós reunidos para partir o Pão, Paulo, que havia de viajar no dia seguinte, conversava com os discípulos e prolongou a palestra até a meia-noite. Havia muitas lâmpadas no quarto, onde nos achávamos reunidos. Acontece que um moço, chamado Êutico, que estava sentado numa janela, foi tomado de profundo sono, enquanto Paulo ia prolongando seu discurso. Vencido pelo sono, caiu do terceiro andar abaixo, e foi levantado morto. Paulo desceu, debruçou-se sobre ele, tomou-o nos braços e disse: 'Não vos perturbeis, porque a sua alma está nele.' Então subiu, partiu o Pão, comeu falou-lhes largamente até o romper do dia. Depois partiu. Quanto ao moço, levaram-no dali vivo, cheios de consolação." At 20,7-12
    São Lucas atestou até mesmo o valor de suas relíquias: "Deus fazia milagres extraordinários por intermédio de Paulo, de modo que lenços e outros panos que tinham tocado o seu corpo eram levados aos enfermos; e afastavam-se deles as doenças e retiravam-se os espíritos malignos." At 19,11-12
    Nosso Santo era natural de Tarso, mas foi criado em Jerusalém, como vemos em seu discurso quando foi preso pela primeira vez: "'Irmãos e pais, ouvi o que vos tenho a dizer em minha defesa.' Quando ouviram que lhes falava em língua hebraica, escutaram-no com a maior atenção. Continuou ele: 'Eu sou judeu, nasci em Tarso da Cilícia, mas criei-me nesta cidade, instruí-me aos pés de Gamaliel, em toda a observância da Lei de nossos pais, partidário entusiasta da causa de Deus como todos vós também o sois no dia de hoje.'" At 22,2-3
    Era cidadão romano: "Quando o iam amarrando com a correia, Paulo perguntou a um centurião que estava presente: 'É permitido açoitar um cidadão romano que nem sequer foi julgado?' Ao ouvir isso, o centurião foi ter com o tribuno e avisou-o: 'Que vais fazer? Este homem é cidadão romano.' Veio o tribuno e perguntou-lhe: 'Dize-me, és romano?' 'Sim', respondeu-lhe. O tribuno replicou: 'Eu adquiri este direito de cidadão por grande soma de dinheiro.' Paulo respondeu: 'Pois eu o sou de nascimento.'" At 25,28
    Tinha irmã e sobrinho em Jerusalém, que o ajudou desbaratando o plano dos judeus para matá-lo antes de ser levado a Roma: "Mas um filho da irmã de Paulo, inteirado da cilada, dirigiu-se à cidadela e comunicou-o a Paulo." At 23,16
    Tinha parentes em Roma, onde havia muitos judeus e a nova sede da Igreja seria fundada sob o túmulo de São Pedro, após a destruição de Jerusalém pelos romano no ano 70 de nossa era: "Saudai Andrônico e Júnias, meus parentes e companheiros de prisão, os quais são muito estimados entre os Apóstolos e tornaram-se discípulos de Cristo antes de mim." Rm 16,7
    Com efeito, na introdução da Carta aos Romanos ele referia-se aos cristãos com a várias comunidades: "... a fim de levar, em Seu Nome, todas as nações pagãs à obediência da fé, entre as quais também vós sois os eleitos de Jesus Cristo. A todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados a serem Santos..." Rm 1,5b-7a
    Adotava o celibato mesmo entre os leigos, o que defendia como um dom superior: "Pois quereria que todos fossem como eu; mas cada um tem de Deus um dom particular: uns este, outros aquele. Aos solteiros e às viúvas, digo que lhes é bom se permanecerem assim, como eu. Mas eis o que vos digo, irmãos: o tempo é breve. O que importa é que os que têm mulher vivam como se a não tivessem. O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa. A mesma diferença existe com a mulher solteira ou a virgem. Aquela que não é casada cuida das coisas do Senhor, para ser santa no corpo e no espírito; mas a casada cuida das coisas do mundo, procurando agradar ao marido. Em suma, aquele que casa a sua filha faz bem; e aquele que não a casa, faz ainda melhor. A mulher está ligada ao marido enquanto ele viver. Mas, se morrer o marido, ela fica livre e poderá casar-se com quem quiser, contanto que seja no Senhor. Contudo, na minha opinião, ela será mais feliz se permanecer como está. E creio que também eu tenho o Espírito de Deus." 1 Cor 7,7-8.29-30.32b-34.38-40
    Em casos de faltas mais graves contra a integridade da Igreja, era a favor da excomunhão: "Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado!" Gl 1,9
    Pois, a despeito do que parecia radicalidade, ele visava a verdadeira Salvação das almas: "Ouve-se dizer constantemente que se comete, em vosso meio, a luxúria, e uma luxúria tão grave que não se costuma encontrar nem mesmo entre os pagãos: há entre vós quem vive com a mulher de seu pai!... seja esse homem entregue a Satanás, para mortificação do seu corpo, a fim de que a sua alma seja salva no Dia do Senhor Jesus." 1 Cor 5,1.5
    Por esta lógica, assim como defendia o Antigo Testamento, e a própria Igreja defendeu por vários séculos, ele também era a favor da pena de morte. Foi o que alegou quando acusado pelos judeus em Cesareia, e acabou invocando seu direito, enquanto cidadão romano, de ser julgado em Roma: "Se lhes tenho feito algum mal ou coisa digna de morte, não recuso morrer. Mas, se nada há daquilo de que estes me acusam, ninguém tem o direito de entregar-me a eles. Apelo para César!" At 25,11
    E menciona tais condenações como justas: "A ira de Deus manifesta-se do alto do Céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a Verdade. Apesar de conhecerem o justo decreto de Deus que considera dignos de morte aqueles que fazem tais coisas, não somente as praticam, como também aplaudem os que as cometem." Rm 1,18.32
    Era um homem de vasta cultura: "Sou devedor a gregos e a bárbaros, a sábios e a simples." Rm 1,14
    Além do hebraico e do aramaico, falava e escrevia perfeitamente em grego, que era o idioma internacional de então: "Quando estava para ser introduzido na fortaleza, Paulo perguntou ao tribuno: 'É-me permitido dizer duas palavras?' Este respondeu: 'Sabes o grego?'" At 21,37
    Assim como outros idiomas, talvez siríaco, turco e latim. Ele disse aos coríntios: "Dous Graças a Deus por falar em línguas mais que todos vós." 1 Cor 14,18
    Apesar de seus fortes argumentos, porém, não tinha o dom da oratória: "... embora eu seja frágil no falar..." 2 Cor 11,6
    Mas enfrentou francamente o Areópago em Atenas, que era o tribunal e conselho de senadores, aristocratas e grandes filósofos: "Alguns filósofos epicureus e estoicos conversaram com ele. Diziam uns: 'Que quer dizer esse tagarela?' Outros: 'Parece que é pregador de novos deuses.' Pois anunciava-lhes Jesus e a Ressurreição. Tomaram-no consigo e levaram-no ao Areópago, e perguntaram-lhe: 'Podemos saber que nova doutrina é essa que pregas?'" At 17,18-19
    Não escreveu todas as cartas a ele atribuídas. Algumas ditou, como a aos romanos: "Eu, Tércio, que escrevi esta carta, saúdo-vos no Senhor." Rm 16,22
    Outras apenas assinou, como a Primeira aos Coríntios: "Esta saudação escrevo-a de próprio punho: PAULO." 1 Cor 16,22
    E a Segunda aos Tessalonicenses: "A saudação vai de meu próprio punho: PAULO. É esta a minha assinatura em todas as minhas cartas. É assim que eu escrevo." 2 Ts 3,17
    Aos gálatas, pediu que observassem sua caligrafia: "Vede com que tamanho de letras vos escrevo, de próprio punho!" Gl 6,11
    E também a Filemon: "Eu, Paulo, escrevo de próprio punho: Eu pagarei. Para não te dizer que tu mesmo te deves inteiramente a mim!" Fl 1,19
    Pedia que suas cartas fossem lidas entre todos os irmãos da comunidades: "Peço-vos encarecidamente, no Senhor, que esta carta seja lida a todos os irmãos." 1 Ts 5,27
    Por elas dirigiu-se não só à igreja local, mas a outras comunidades: "Uma vez lida esta carta entre vós, fazei com que ela o seja também na igreja dos laodicenses. E vós, lede a de Laodiceia." Cl 4,16
    Assim como a toda região: "Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à Igreja de Deus que está em Corinto, e a todos os irmãos santos que estão em toda a Acaia." 2 Cor 1,1
    Escreveu talvez o mais belo texto sobre o amor, reconhecido em todo o mundo. Em um dos trechos, registrou: "Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse amor, de nada valeria!" 1 Cor 13,3
    Penitente, aprendeu a carregar pela vida afora um 'espinho na carne': "Ademais, para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade. Três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim. Mas Ele me disse: 'Basta-te Minha Graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a Minha força'. Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo." 2 Cor 12,7-9
    Tudo fazia por Cristo, mostrando grande desapego material: "Sei viver na penúria, e sei também viver na abundância. Estou acostumado a todas as vicissitudes: a ter fartura e a passar fome, a ter abundância e a padecer necessidade." Fl 4,12
    E pelos fiéis: "Tudo sofro para que os seus corações sejam reconfortados e que, estreitamente unidos pela caridade, sejam enriquecidos de uma plenitude de inteligência, para conhecerem o mistério de Deus, isto é, Cristo, no qual estão escondidos todos os tesouros da Sabedoria e da ciência." Cl 2,2-3
    Ele tinha um ministério próprio: "... Aquele cuja ação fez de Pedro o Apóstolo dos judeus, fez também de mim o Apóstolo dos não judeus." Gl 2,8
    Dedicou toda sua vida à causa da Igreja: "Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim." Gl 2,20
    Tinha intensa vida pastoral: "Paulo permaneceu ali em Corinto ainda algum tempo. Depois se despediu dos irmãos e navegou para a Síria e com ele Priscila e Áquila. Antes, porém, cortara o cabelo em Cêncris, porque terminara um voto. Chegaram a Éfeso, onde os deixou. Ele entrou na sinagoga e entretinha-se com os judeus. Pediram-lhe estes que ficasse com eles ali por mais tempo, mas ele não quis. Ao despedir-se, disse: 'Voltarei a vós, se Deus quiser.' E partiu de Éfeso. Viajou até Cesareia, subiu a Jerusalém e saudou a comunidade e logo em seguida desceu a Antioquia. Aí se demorou apenas por algum tempo, partiu de novo e atravessou sucessivamente as regiões da Galácia e da Frígia, fortalecendo todos os discípulos." At 18,18-23
    Bem sabia reconhecer a presença do Espírito Santo: "Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as províncias superiores e chegou a Éfeso, onde achou alguns discípulos e indagou deles: 'Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé?' Responderam-lhe: 'Não, nem sequer ouvimos dizer que há um Espírito Santo!' 'Então em que batismo fostes batizados?', perguntou Paulo. Disseram: 'No batismo de João.' Paulo então replicou: 'João só dava um batismo de penitência, dizendo ao povo que cresse naquele que havia de vir depois dele, isto é, em Jesus.' Ouvindo isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus. E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e falavam em línguas estranhas e profetizavam." At 19,1-6
    Em modelar testemunho de vida, mostrou-se visceralmente unido à Igreja: "São ministros de Cristo? (Falo como menos sábio:) Eu, ainda mais. Muito mais pelos trabalhos, muito mais pelos cárceres, pelos açoites sem medida. Muitas vezes vi a morte de perto. Cinco vezes recebi dos judeus os quarenta açoites menos um. Três vezes fui flagelado com varas. Uma vez apedrejado. Três vezes naufraguei, uma noite e um dia passei no abismo. Viagens sem conta, exposto a perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte de meus concidadãos, perigos da parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre falsos irmãos! Trabalhos e fadigas, repetidas vigílias, com fome e sede, frequentes jejuns, frio e nudez! Além de outras coisas, a minha preocupação cotidiana, a solicitude por todas as igrejas! Quem é fraco, que eu não seja fraco? Quem sofre escândalo, que eu não me consuma de dor?" 2 Cor 11,23-29
    Foi o primeiro a receber os estigmas de Cristo: "... porque trago em meu corpo as marcas de Jesus." Gl 6,17
    E fidelíssimo à hierarquia e atento às perversões do Evangelho, preparou a Igreja para depois de sua partida, constituindo Bispos os Anciãos de Éfeso: "Paulo havia determinado não ir a Éfeso, para não se demorar na Ásia, pois se apressava para celebrar, se possível em Jerusalém, o dia de Pentecostes. Mas de Mileto mandou a Éfeso chamar os Anciãos da igreja. Quando chegaram, e estando todos reunidos, disse-lhes: 'Vós sabeis de que modo sempre me tenho comportado para convosco, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia. Servi ao Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio das provações que me sobrevieram pelas ciladas dos judeus. Vós sabeis como não tenho negligenciado, como não tenho ocultado coisa alguma que vos podia ser útil. Preguei e instruí-vos publicamente e dentro de vossas casas. Preguei aos judeus e aos gentios a conversão a Deus e a fé em Nosso Senhor Jesus. Agora, constrangido pelo Espírito, vou a Jerusalém, ignorando o que ali me espera. Só sei que, de cidade em cidade, o Espírito Santo assegura que me esperam em Jerusalém cadeias e perseguições. Mas nada disso temo, nem faço caso da minha vida, contanto que termine a minha carreira e o ministério da Palavra que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho ao Evangelho da Graça de Deus. Sei agora que não tornareis a ver a minha face, todos vós, por entre os quais andei pregando o Reino de Deus. Portanto, hoje eu protesto diante de vós que sou inocente do sangue de todos, porque nada omiti no anúncio que vos fiz dos desígnios de Deus. Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo constituiu-vos bispos, para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com o Seu próprio Sangue. Sei que depois da minha partida se introduzirão entre vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho. Mesmo dentre vós surgirão homens que hão de proferir doutrinas perversas, com o intento de arrebatarem após si os discípulos. Vigiai! Lembrai-vos, portanto, de que por três anos não cessei, noite e dia, de admoestar, com lágrimas, a cada um de vós. Agora eu vos encomendo a Deus e à Palavra da Sua Graça, Àquele que é poderoso para edificar e dar a herança com os santificados. De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes. Vós mesmos sabeis: estas mãos proveram às minhas necessidades e às dos meus companheiros. Em tudo vos tenho mostrado que assim: trabalhando, convém acudir os fracos e lembrar-se das palavras do Senhor Jesus, porquanto Ele mesmo disse: É maior felicidade dar que receber!' A essas palavras, ele pôs-se de joelhos a orar. Derramaram-se em lágrimas e lançaram-se ao pescoço de Paulo para abraçá-lo, aflitos, sobretudo pela palavra que tinha dito: 'Já não vereis a minha face.' Em seguida, acompanharam-no até o navio." At 20,16-38
    Advertiu também a São Timóteo dos semeadores de heresias e intrigas: "Torno a lembrar-te a recomendação que te dei, quando parti para a Macedônia: devias permanecer em Éfeso para impedir que certas pessoas andassem a ensinar doutrinas extravagantes, e a preocupar-se com fábulas e genealogias. Essas coisas, em vez de promoverem a obra de Deus, que se baseia na fé, só servem para ocasionar disputas. Esta recomendação só visa a estabelecer a caridade, nascida de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera. Apartando-se desta norma, alguns se entregaram a discursos vãos. Pretensos doutores da Lei, que não compreendem nem o que dizem nem o que afirmam. Sabemos que a Lei é boa, contanto que dela se faça legítimo uso, e se tenha em conta que a Lei não foi feita para o justo, mas para os transgressores e os rebeldes, para os ímpios e os pecadores, para os irreligiosos e os profanadores, para os que ultrajam pai e mãe, os homicidas, os impudicos, os infames, os traficantes de homens, os mentirosos, os perjuros e tudo o que se opõe à Sã Doutrina e ao Evangelho glorioso de Deus bendito, que me foi confiado. Eis aqui uma recomendação que te dou, meu filho Timóteo, de acordo com aquelas profecias que foram feitas a teu respeito: amparado nelas, sustenta o bom combate, com fidelidade e boa consciência, que alguns desprezaram e naufragaram na fé. É o caso de Himeneu e Alexandre, que entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar." 1 Tm 1,3-11.18-20
    Em defesa da hierarquia dentro da Igreja, não admitia frágil acusação contra um sacerdote: "Não recebas acusação contra um presbítero, senão por duas ou três testemunhas." 1 Tm 5,19
    Mas, em caso de desvios, ordenava que se usasse de toda autoridade: "Aos que faltam às suas obrigações, repreende-os diante de todos, para que também os demais se atemorizem." 1 Tm 5,20
    E pedia-lhe absoluto zelo pela Sã Doutrina: "Toma por modelo os ensinamentos salutares que recebeste de mim sobre a fé e o amor a Jesus Cristo. Guarda o Precioso Depósito, pela virtude do Espírito Santo que habita em nós." 2 Tm 1,13-14
    Demostrando a importância da centralidade do corpo doutrinário, instituiu dominicais coletas para o socorro da sede da Igreja à época, em Jerusalém: "Quanto à coleta em benefício dos santos, segui também vós as diretrizes que eu tracei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte o que tiver podido poupar, para que não esperem a minha chegada para fazer as coletas. Quando chegar, enviarei, com uma carta, os que tiverdes escolhido para levar a Jerusalém a vossa oferta." 1 Cor 16,1-3
    Já idoso, pedia acolhida: "Eu, Paulo, o velho, e agora preso por Jesus Cristo... Ao mesmo tempo, prepara-me pousada, porque espero, pelas vossas orações, ser-vos restituído em breve." Fm 1,9b.22
    E ciente do martírio que sofreria, bem como sentindo aproximar-se sua hora, deixou uma frase marcante: "Quanto a mim, estou a ponto de ser imolado e o instante da minha libertação se aproxima. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a . Resta-me agora receber a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará n'Aquele Dia, e não somente a mim, mas a todos aqueles que aguardam com amor a Sua aparição." 2 Tm 4,6-8
    A Sagrada Tradição conta que São Paulo foi decapitado. Mas, assim como na morte de São Pedro, estando toda a comunidade cristã realmente atônita pela perda de tão importante líder, não se tem nenhum registro escrito feito de imediato após sua morte.


    Sob o local de sua sepultura foi erguida a Basílica de São Paulo Fora dos Muros, assim chamada por ficar fora da Muralha Aureliana, e aí se encontram seu sarcófago e as correntes com que o prenderam.


    São Paulo, rogai por nós!