quarta-feira, 31 de maio de 2017

Nossa Senhora da Visitação


    Assim narra São Lucas a Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel:

    "No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria. Entrando, o anjo disse-lhe:
    - Ave, cheia de Graça, o Senhor é contigo.
    Perturbou-se ela com estas palavras, e pôs-se a pensar no que significaria tal saudação. O anjo disse-lhe:
    - Não temas, Maria, pois encontraste Graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um Filho, e Lhe porás o Nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus Lhe dará o trono de Seu pai Davi; e reinará eternamente na Casa de Jacó, e o Seu Reino não terá fim.
    Maria perguntou ao anjo:
    - Como se fará isso, pois não conheço homem?
    Respondeu-lhe o anjo:
    - O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a Sua sombra. Por isso o Ente Santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, porque a Deus nenhuma coisa é impossível.
    Então disse Maria:
    - Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.
    E o anjo afastou-se dela.
    Naqueles dias, Maria levantou-se e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
    Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E exclamou em alta voz:
    - Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a Mãe de Meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!
    E Maria disse:
    - Minha alma glorifica ao Senhor,
    meu espírito exulta de alegria em Deus, Meu Salvador,
    porque olhou para sua pobre serva.
    Por isto, desde agora, todas as gerações
    me proclamarão bem-aventurada,
    porque realizou em mim maravilhas Aquele que é poderoso.
    Seu Nome é Santo
    e Sua Misericórdia estende-se de geração em geração
    sobre os que O temem.
    Manifestou o poder do Seu braço,
    desconcertou os corações dos soberbos.
    Derrubou do trono os poderosos
    e exaltou os humildes.
    Saciou de bens os indigentes
    e despediu de mãos vazias os ricos.
    Acolheu a Israel, Seu servo,
    lembrado da Sua Misericórdia
    - conforme prometera a nossos pais -
    em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.

    Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa." Lc 1,26-56


NOSSA MÃE EM VISITAÇÃO POR TODO O MUNDO

    Avisada pelo Arcanjo São Gabriel da gravidez de sua parenta, Maria viajou aproximadamente 100 quilômetros em companhia de São José para visitá-la, numa cidade das montanhas de Judá. Ou seja, além da radiante alegria que partilhavam entre si por tão grandes Graças, mesmo durante a gravidez que traria o Salvador ao mundo ela não poupou esforços para servir a quem precisava. Ciosa dos cuidados da casa de Santa Isabel em momento tão especial, Nossa Senhora aí ficou por três meses, até o Nascimento de São João Batista.
    Mas as visitações de Nossa Senhora não parariam por aí. Nem seus primorosos auxílios. Recordando o casamento em Caná da Galileia, Maria estava lá com Jesus e Seus discípulos. E sempre muito atenciosa e prestativa, Nossa Mãe percebeu que o vinho tinha acabado e avisou a Jesus, o único que podia evitar uma vexaminosa situação para a família dos noivos. Como Deus, Ele já sabia do embaraço, mas não planejava manifestar-Se publicamente ali, e chegou a alegar que Sua hora ainda não havia chegado.
    Maria, entretanto, por compaixão à família amiga não media esforços. E instou a que Jesus usasse de Seus divinos dons, com os quais estava acostumada. Nesses dias já falava alto seu coração de Mãe, não somente do Messias, mas, em seus primeiros raios, Mãe de toda a humanidade. Sem dúvida, após Seu Batismo por São João no Jordão, ela sabia que a vida pública de Seu Filho já havia iniciado, e por isso não se contentou com a resposta que Ele lhe deu: tratou de avisar os serviçais.
    Dada tão especial natureza de Jesus, os noivos e seus familiares deveriam ser seus potenciais seguidores, pois fizeram questão de tê-Lo presente mesmo com quase todos os doze Apóstolos. E como Maria, além de Perfeita Mãe, era a primeiríssima seguidora de Jesus, lá estava ela, silente, ouvindo cada palavra do Salvador, embora sempre igualmente atenta às dificuldades alheias.
    Ou se os noivos e familiares eram apenas íntimos amigos da Sagrada Família, pois Caná ficava a apenas 8 km de Nazaré, por certo fizeram questão da presença de Maria, atitude que é para todos nós um belo exemplo. Eles já tinham uma razoável ideia de quem seria aquela flor, a Bem Aventurada, como dissera Santa Isabel.
    Nossa Mãe, contudo, foi muito além em suas visitações; bem mais que as peregrinações junto ao Seu Filho enquanto Ele estava entre nós, ou com os Apóstolos, após Sua Ascensão, que inicialmente se detiveram em Jerusalém.
    Ela já visitou todos os continentes por meio de esplendorosas manifestações que são suas Aparições. Onde pelo mundo foram seus laboriosos filhos, os sacerdotes, lá ela aparecia para ajudá-los na conversão e Salvação das almas. Veio ao México nos primeiríssimos anos do descobrimento das Américas, em Guadalupe, estabelecer contato com os indígenas, assim como à América do Sul, a Quito, ainda nos anos de 1500, para preparar-nos para os difíceis séculos que se seguiriam.
    A Europa já é um lugar privilegiado com tantas visitas. Apareceu também na África, especialmente em Ruanda, quando tentou evitar o recente e terrível genocídio. Esteve, da mesma forma, na Ásia e na Oceania.
    Seus constantes cuidados, porém, terminam por 'atordoar' os religiosos que precisam dar a palavra final da Igreja a respeito da veracidade das aparições. Por todo mundo, são listadas mais de 400 só no século passado. Por isso, na década de 1960, diante de tão frequentes afagos da Mãe do Céu, as autoridades eclesiais viram-se na obrigação de simplesmente autorizar a peregrinação e o culto em todos locais onde houver relatos de Aparição, bastando apenas que as mensagens a ela atribuídas não estejam em discordância com os ensinamentos da Santa Igreja.
    É muito séria e complexa a tarefa de confirmação das aparições e de cada uma de suas mensagens. O certo é que temos uma Mãe muito especial e extremamente benevolente, correndo o mundo em socorro de seus filhos. E como se pode imaginar, nem todas as aparições trazem novas revelações em suas mensagens, mas, mais frequentemente, trata-se de manifestações locais, com objetivos bastante específicos para aquelas pessoas, história e época.
    Das mais recentes, no entanto, a mais importante é Aparição de Akita, no Japão, em 1973, cuja mensagem teve aprovação da Igreja e é uma evidente continuação da Aparição de Fátima, como testemunhou a vidente, Irmã Agnes Sasagawa:


    O próprio Bispo de Niigata, antes de aposentar-se, viu-se obrigado a deixar seu relato, que pode visto neste site: http://www.adf.org.br/home/tag/nossa-senhora-de-akita/
    Assim é Nossa Senhora da Visitação, Nossa Mãe sempre tão ativa e presente apesar de requisitada a cada instante por todo canto do mundo. Esses fenômenos são muito mais que simples maternal carência de pessoas humildes, como pretendem alguns incrédulos. A gritante Verdade é que boa parte da humanidade percebe claramente seus sobrenaturais cuidados. A quantidade de relatos é praticamente infindável.
    Mas nós podemos e devemos adiantar-nos e poupar-lhe algum esforço. Basta que obedeçamos a Seu Amado Filho e ajudemos a cuidar de nossos mais necessitados irmãos, seus filhos, e que, em agradecimento por seus silenciosos e constantes cuidados, dirijamos diariamente a ela nossas preces para manifestar-lhe amor. E com tantos e tão carentes filhos para cuidar, é muito bom que ela não tenha que se preocupar também conosco.
    Podemos ainda, e também devemos, imitá-la em seu maior exemplo como Filha da Deus, oferecendo-nos para trabalhar mais intensamente nas obras do Reino de Seu Filho. Após o anjo ter-lhe anunciado a Concepção do Messias em Seu ventre, ela prontamente respondeu com seu obediente e prestativo amor: "Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra." Lc 1,38

    Nossa Senhora da Visitação, rogai por nós!

terça-feira, 30 de maio de 2017

Santa Joana d'Arc


    Viveu as últimas décadas da Guerra dos Cem Anos, que se deu entre França e Inglaterra. Era analfabeta pastora, descendente de humildes camponeses. Nascida em 1412, em Domrémy, região de Lorena, nordeste da França, seu pai era agricultor e sua mãe ensinou-lhe os afazeres domésticos, que incluía fiar e costurar. Sempre foi muito religiosa: gostava de rezar e ia assiduamente à Santa Missa. Muitas vezes entregava confiantemente o rebanho à Divina Providência e ia à igreja da cidade, onde passava horas em orações.
    Ainda aos 13 anos começou a ter experiências místicas: de longe ouviu vozes que vinham da igreja que frequentava. Elas provocavam uma inexplicável claridade à sua volta, fenômeno que chegava a se repetir até três vezes por semana. Mais tarde, ela identificou-a como as vozes de São Gabriel Arcanjo, Santa Catarina de Alexandria e Santa Margarida de Antioquia, avisando da importância de perseverar firmemente na oração, pois Deus reservava-lhe uma difícil missão: haveria de expulsar os ingleses da região da cidade de Orleans. 


    Em 1428, aos 16 anos, recebeu mensagens mais específicas: deveria ir ao encontro do comandante do exército, numa cidade vizinha, e pedir uma escolta que a conduzisse até o rei da França. Seu tio levou-a, mas o comandante riu de suas motivações e das previsões que fazia sobre uma batalha que ocorreria nas proximidades de Orleans, no ano seguinte. Quando elas se cumpriram, porém, e com exatidão como Santa Joana d'Arc havia previsto, o comandante tratou pessoalmente de encaminhá-la com toda segurança ao rei. Viajou disfarçada de escudeiro, vestida de armadura como um soldado francês, por sugestão das vozes que ouvia, artifício que acabou adotando em todas as batalhas que liderava.
    Em Chinon, ao sul de Paris, onde o rei havia-se refugiado, ela reconheceu-o entre vários nobres sem nunca o ter visto, pois ele também se disfarçava, dado o risco em que sua vida se encontrava. Numa sala repleta, ela dirigiu-se diretamente até ele e disse: "Senhor, vim conduzir seus exércitos à vitória." Foi um grande sinal e impressionou muito o rei, mas ainda assim ele entregou-a para ser examinada pelas autoridades eclesiásticas de Poitiers, que lhe interrogaram exaustivamente até se convencerem de que suas mensagens tinham de fato origem divina.
    Ao retornar ao rei, causou-lhe mais uma vez profunda admiração ao demonstrar que conhecia segredos das forças armadas francesas. Absolutamente consciente que ela era inspirada por Deus, ele entregou em suas mãos um grupamento de 4000 homens para que libertasse Orleans, conforme lhe pediam as vozes. E mesmo se posicionando em meio à batalha, gritando e incentivando os soldados franceses, miraculosamente os ingleses não a atacavam. Por fim, após dez dias de batalha, Orleans foi reconquistada. A despeito das pinturas que a retratam, como arma ela empunhava apenas uma bandeira branca ostentando a Cruz, o Nome de Jesus e o Nome de Maria.


    A vitória em Orleans, após tantas tentativas frustradas, reergueu o moral das tropas e do povo francês, e foi o início da virada. Sob seu comando os franceses impuseram fragorosas derrotas aos inimigos também nas cidades vizinhas: Jargeau, Meung-sur-Loire e Beaugency. A fama de Santa Joana correu toda a França e muitos combatentes franceses, que até então lutavam a favor da Inglaterra, passaram a temê-la e mudaram de lado. Os próprios ingleses estavam assombrados com os relatos a seu respeito.


    A cerimônia de coroação de Carlos VII, na cidade de Reims, após uma arriscada viagem praticamente circundando toda Paris, que estava dominada, passando por várias áreas do exército inimigo, é um exemplo de como os caminhos abriram-se para ela e para o rei, que acatava fielmente suas instruções. Várias autoridades que viajaram até Reims também tiveram suas passagens liberadas.
    Com a vitória em Orleans, os ingleses esperavam que ela atacasse Paris, mas Santa Joana, inspirada pelas vozes, convenceu o rei a firmar posição em Rouen, circundando mais uma vez Paris e cruzando com o exército francês algumas posições do invasor.


    Embora já tivesse cumprido sua missão, a pedido do rei e por motivação própria Santa Joana d'Arc também foi a campo na batalha pela reconquista de Paris, onde foi ferida por uma flecha. O rei, batendo em retirada, abandonou-a. Sozinha, mas ainda com o exército absolutamente solícito ao seu comando, ela mudou de estratégia e atacou Compiègne, uma pequena cidade ao norte de Paris, porém acabou traiçoeiramente aprisionada por nobres da região, que se opunham ao rei. Como os saldados franceses não a esqueciam e iriam fazer de tudo para resgatá-la, os ingleses anteciparam-se e pagaram para obter sua guarda. Na verdade, como não a podiam matar, pois era prisioneira de guerra, eles a julgaram como feiticeira num processo pretensamente religioso, simulando uma inquisição.
    Aos 19 anos, depois de receber a Comunhão Eucarística, Santa Joana d'Arc foi levada à fogueira, onde padeceu seu martírio murmurando os nomes de Jesus e Maria. Era 30 de maio de 1431, na Praça Vermelha, em Rouen, no noroeste da França.
    Enquanto alguns gritavam 'bruxa', 'feiticeira', uma multidão de gente humilde acompanhou comovidamente seu sacrifício, que ela enfrentou com muita coragem e . Suas cinzas foram jogadas no Rio Sena, para que não fossem veneradas.
 

    20 anos mais tarde, por falta dos mais elementares fundamentos, o Papa Calisto III considerou inválido o processo de seu julgamento e reabilitou-a como cristã. Em 1920, como havia muito já pedia a gente simples e devota, do país e de outros lugares, o Papa Bento XV canonizou-a e deu-lhe o título de Padroeira da França.
    Além de muitas igrejas e monumentos por toda a França, assim como imagens e estátuas nas principais catedrais, em Rouen, o lugar de seu martírio foi preservado e uma moderna igreja foi construída em sua homenagem.


    Santa Joana d'Arc, rogai por nós!

domingo, 28 de maio de 2017

O Ateísmo


    Os principais argumentos dos ateus para afirmar a 'inexistência' de Deus são Sua 'ausência' e Sua 'inoperância'. Como acreditar se não se constata 'nenhuma evidência de Sua presença ou de Sua atividade'? Mas será que eles examinam, com honestidade, os sinais de Deus? Adotam alguma prudência ao analisá-los ou rejeitam-nos por pura arrogância? Haveria sensatez em desprezar os testemunhos de milhões e milhões de pessoas por todo o mundo? Só os ateus seriam inteligentes o bastante para aferir a realidade?
    Para eles o sofrimento está aí, as doenças continuam afetando muita gente a despeito de suas crenças, ou da falta de uma, os pobres e inocentes são sempre os mais explorados e maltratados, a maioria segue indiferentes aos sentimentos alheios, o mundo não tem melhorado... Milhões de miseráveis, fome, guerras, enfermidades, catástrofes naturais... Enfim, onde estaria 'esse' Deus? Cadê Seu poder? Trata-se apenas de numa promessa de Vida Eterna? E 'essa vida eterna'? Algum sinal de que realmente exista?
    A ciência explicaria tudo: o Universo, a origem do ser vivo, a 'humanização' e a civilização através dos tempos. E, aos poucos, todos os fenômenos da natureza seriam compreendidos. Ou seja, não 'precisaríamos' de Deus.
    Mas Jesus foi direto ao ponto. Demonstrando a grandeza e o amor à Verdade de São João Batista diante de religiosos de Jerusalém, Ele levantou a decisiva questão e denunciou as presunções dos que renegam : "Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a Glória que é só de Deus?" Jo 5,44
    A Nicodemos, um notável entre os fariseus que não percebia a ação do Espírito Santo em Seus ungidos, Ele vai perguntar: "És mestre em Israel e ignoras estas coisas?!... Se vos tenho falado das coisas terrenas e não Me credes, como crereis se vos falar das celestiais?" Jo 3,10.12
    Em debate com os judeus sobre Deus Pai, Ele apontou outra questão elementar, que remete à má vontade de alguns bem como à limitação das palavras para exprimir o inefável: "Por que não compreendeis a Minha linguagem?" Jo 8,43a
    Por isso vai dizer também a Nicodemos, em Sua primeira Páscoa em vida pública: "Não te maravilhes de que Eu te tenha dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito." Jo 3,7-8
    Citando a Revelação, Ele vai evocar a essência da fé judaica: "Vós perscrutais as Escrituras, julgando encontrar nelas a Vida Eterna. Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de Mim." Jo 5,39
    Evocará o próprio Moisés: "Pois se crêsseis em Moisés, certamente creríeis em Mim, porque ele escreveu a Meu respeito. Mas, se não acreditais nos seus escritos, como acreditareis nas Minhas Palavras?" Jo 5,46-47
    Quando declarou-Se a Luz do mundo no Templo de Jerusalém, Ele foi categórico perante os fariseus, desmontando meras teorias e especulações, e apresentando-Se como a maior manifestação de Deus: "Não conheceis nem a Mim nem a Meu Pai; se Me conhecêsseis, certamente conheceríeis também a Meu Pai." Jo 8,19b
    Afirmando Sua própria divindade, Ele chegou a desafiá-los: "Quem de vós Me acusa de pecado?" Jo 8,46a
    E como eles restavam inertes, Ele exigiu o respeito que cabe ao Seu testemunho: "E se vos falo a Verdade, por que Me não credes?" Jo 8,46b
    Avisava, usando o título com que Deus apresentou-Se a Moisés, do que representava não crer n'Ele: "... porque, se não crerdes o que EU SOU, morrereis no vosso pecado." Jo 8,24b
    No Templo de Jerusalém, quiseram saber como fazer a vontade de Deus, e Ele foi sucinto: "Perguntaram-Lhe: 'Que faremos para praticar as obras de Deus?' Respondeu-lhes Jesus: 'A obra de Deus é esta: que creiais n'Aquele que Ele enviou.'" Jo 8,28-29
    Por isso os Apóstolos pediam-Lhe: "Aumentai-nos a fé!" Lc 17,5b
    Sem dúvida, os seguidores de São Paulo iriam apontá-Lo como o "autor e consumador de nossa fé, Jesus." Hb 12,1c
    Seu proceder realmente impunha autoridade: "Enquanto Jesus celebrava em Jerusalém a festa da Páscoa, muitos creram no Seu Nome, à vista dos milagres que fazia. Mas Jesus mesmo não Se fiava neles, porque os conhecia a todos. Ele não necessitava que alguém desse testemunho de nenhum homem, pois bem sabia o que havia no homem." Jo 2,23-25
    A própria guarda do sumo sacerdote, enviada para prendê-Lo na festa das Tendas, voltou sem Ele, afirmando: "Ninguém jamais falou como este homem!..." Jo 7,46
    E São João Batista mesmo atestou sobre Sua Palavra, apontando-a como caminho para verificar veracidade de Deus: "Aquele que vem de cima é superior a todos. Aquele que vem da terra é terreno e fala de coisas terrenas. Aquele que vem do Céu é superior a todos. Ele testemunha as coisas que viu e ouviu, mas ninguém recebe o Seu testemunho. Aquele que recebe o Seu testemunho confirma que Deus é verdadeiro." Jo 3,31-33
    Apontou também a questão da linguagem, testemunhando a unção do Espírito de Deus sobre Jesus e abrindo caminho para a compreensão da Santíssima Trindade: "Com efeito, Aquele que Deus enviou fala a linguagem de Deus, porque Ele concede o Espírito sem medidas. O Pai ama o Filho e confiou-Lhe todas as coisas." Jo 3,34-35
    Ressaltando a luminosa coerência das Escrituras, Jesus vai ensinar: "Deus é Espírito..." Jo 4,24
    São João Evangelista, por sua vez, abrangendo a ampla dimensão da questão e tentando simplificar, cunhou essa bela frase: "... Deus é amor." 1 Jo 4,8
    E completou: "Aquele que não ama não conhece a Deus..." Idem
    De fato, como poderíamos quantificar o amor que está em ação, nesse momento, pelo mundo afora? Ora, os que mais amam são exatamente aqueles que mais sofrem, toleram e calam-se diante de injustiças e desgraças. Haveria maior mensagem maior que eles pudessem nos dar? E não é a Divina Consolação a dádiva mais frequente que Deus nos concede? Através do profeta Isaías, Ele afirmou: "Eu, Eu mesmo sou o Vosso Consolador!" Is 51,12
    Jesus revelou esse detalhe sobre Si mesmo quando falou do envio do Espírito Santo. Se o Espírito de Deus é 'outro' consolador, é porque essa é uma das mais claras atribuições de Deus, seja Pai, Filho ou Espírito: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique eternamente convosco." Jo 14,16
    Ele oferecia, portanto, exatamente Aquele que nos conduz à verdadeira percepção da realidade: "É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece, mas vós O conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós." Jo 14,17
    Pois revela exatamente a Verdade: "E, quando Ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do Juízo." Jo 16,8
    Jesus também foi bem claro quando falou sobre Seus socorros, que expressamente diziam respeito às nossas almas: "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas." Mt 11,29
    Diziam respeito também à ressurreição da carne para o Eterno Banquete, mas apenas àqueles amados pelo Pai, o Qual antes os leva ao Cristo: "Ninguém pode vir a Mim se o Pai, que Me enviou, não o atrair; e Eu hei de ressuscitá-lo no Último Dia." Jo 6,44
    Por isso Ele avisava a Igreja das tribulações que se enfrenta nesse mundo, como Ele mesmo enfrentou: "Referi-vos essas coisas para que tenhais a Paz em Mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo." Jo 16,33
    E enquanto Consolador, contra todas as aflições e todo mal, Ele prometeu Sua indizível e sobrenatural Paz, que só o próprio Deus pode oferecer: "Deixo-vos a Paz, dou-vos a Minha Paz. Não vo-la dou como o mundo a dá. Não se perturbe o vosso coração, nem se atemorize!" Jo 14,27
    São Paulo explicou a dádiva que é a unção do Santo Paráclito para a compreensão da realidade à nossa volta: "Ora, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, que nos dá a conhecer as Graças que Deus nos prodigalizou e que pregamos numa linguagem que nos foi ensinada não pela sabedoria humana, mas pelo Espírito, que exprime as coisas espirituais em termos espirituais. Mas o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ele são loucuras. Nem as pode compreender, porque é pelo Espírito que se devem ponderar." 1 Cor 2,12-14
    Ele garante, citando o profeta Isaías, que Deus excede em muito todas nossas expectativas: "É como está escrito: 'Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou' (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que O amam." 1 Cor 2,9


A MAIOR MANIFESTAÇÃO DE DEUS

    Ademais, é de se notar que a 'ausência' ou 'inoperância' de Deus é 'denunciada', em geral, por aqueles que acham que tudo depende apenas de si mesmos. São visivelmente movidos por ativismo, racionalismo e materialismo. Para eles, de fato, Deus não está aí para ser percebido, pois nenhuma dessas posturas, principalmente quando levadas ao extremo, propicia oportunidade de observar com pertinência as coisas ao redor. São Paulo atestou que, originalmente, toda a humanidade era dotada dessa capacidade: "Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o Seu sempiterno poder e divindade, tornam-se visíveis à inteligência, por Suas obras; de modo que não se podem escusar." Rm 1,20
    E que a relutância em negá-la é atrair graves castigos: "A ira de Deus manifesta-se do alto do Céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a Verdade." Rm 1,18
    Para os mais humildes, porém, que são a imensa maioria, Deus está agindo e todos os dias. Eles percebem muito bem Seus cuidados e em hipótese alguma abrirão mão da . Não por acaso, Jesus atestou numa oração: "Eu Te bendigo, Pai, Senhor do Céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos." Jo 11,25
    Quanto aos desmandos da própria humanidade, é bom que não se esqueça, Jesus também foi vítima: "O Meu Reino não é deste mundo. Se o Meu Reino fosse deste mundo, os Meus súditos certamente teriam combatido para que Eu não fosse entregue aos judeus." Jo 18,36
    E quando falava do 'mundo', Ele não Se referia ao planeta Terra, obra de Sua criação. Estava referindo-se às organizações instituídas por pessoas que renegam a Deus, onde não se solicita nem sequer se permite Sua participação. Porque quanto à propriedade e ao controle de tudo, seja do céu ou da Terra, "... Deus é o rei do universo..." Sl 46,8
    Ou porque "... a Deus tudo é possível." Mt 10,27
    E quanto ao sofrimento existente no mundo, Jesus não enganou ninguém. Ao contrário, deixou claro que colocar-se em oposição à lógica mundana era atrair para si mais dificuldades: "Se alguém quer vir após Mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua Cruz e siga-Me." Lc 9,23
    Isto se dá tão somente por amor à Verdade, como Ele vai dizer aos Seus parentes: "O mundo não vos pode odiar, mas odeia-Me, porque Eu testemunho contra ele que as suas obras são más." Jo 7,7
    Por isso alertou os Apóstolos, garantindo-lhes também a força do testemunho da Verdade: "Se o mundo vos odeia, sabei que Me odiou a Mim antes que a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia. Lembrai-vos da Palavra que vos disse: 'O servo não é maior do que o Seu Senhor.' Se perseguiram-Me, também vos hão de perseguir. Se guardaram a Minha Palavra, hão de guardar também a vossa." Jo 15,18-20
    A despeito dos inegáveis valores da ciência, portanto, pois a Sabedoria é apenas mais um dom de Deus, a tentativa de explicar todas coisas exclusivamente por seus métodos já se revelou infrutífera em uma infinidade de casos. Como explicar, por exemplo, os milagres? A Santa Casa do LoretoOs corpos santos? Os tantos sinais de Deus? A Aparição de Fátima, que predisse tudo que aconteceria de mais importante no século XX? Houve maior matança na face da terra que na instauração do comunismo pelo mundo afora? São mais de 110 milhões de mortos! E justamente por 'governos' que, querendo instituir o 'Céu' na terra, negavam a existência de Deus!
    São Tiago Menor acusa: "De onde vêm as guerras? De onde vêm as brigas entre vós? Não vêm justamente das paixões que estão em conflito dentro de vós? Cobiçais, mas não conseguis ter. Matais e cultivais inveja, mas não conseguis êxito. Brigais e fazeis guerra, mas não conseguis possuir. E a razão está em que não pedis. Pedis, sim, mas não recebeis, porque pedis mal. Pois só quereis esbanjar o pedido nos vossos prazeres." Tg 4,1-3
    Os ateus apontam, por fim, também as catástrofes naturais como prova da 'inexistência' ou mesmo da 'impotência' de Deus. Esquecem, elementarmente, que a alma é eterna, e que, sofrimento por sofrimento, Jesus morreu na Cruz. E, não obstante a trágica maneira, Ele também alertava do perigo dessas repentinas partidas desse mundo sem o devido Sacramento da Reconciliação: "Ou cuidais que aqueles dezoito homens, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, foram mais culpados do que todos os demais habitantes de Jerusalém? Não, digo-vos. Mas se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo." Lc 13,4-5
    E mesmo as catástrofes, não são muitas delas apenas o resultado da ambição e do consumismo materialista? Do selvagem capitalismo que 'venceu' o comunismo? E quem mais sofre com elas não são justamente os mais pobres? Acaso não é a pobreza a falta da partilha do pão? Então, o 'milagre' da ciência só serve aos ricos? E não fomenta ainda mais ambição? Aonde vamos? À destruição do planeta? É essa a 'inteligência' do ser humano? Não falta a ele a divina inspiração para ir realmente mais longe?
    São Paulo lamenta a desonestidade intelectual e a consciência preguiçosa dos que caem na eterna perdição "... por não terem cultivado o amor à Verdade que os teria podido salvar." 2 Ts 2,10
    Pois Jesus prometeu cobrar por Sua Vinda e por Sua Palavra. Definitivamente, Sua manifestação não foi em vão! Não acolhê-la, segundo Ele mesmo, é um pecado: "Se Eu não viesse e não lhes tivesse falado, não teriam pecado; mas agora não há desculpa para o seu pecado." Jo 15,22
    Seus milagres também não foram em vão: "Se Eu não tivesse feito entre eles obras, como nenhum outro fez, não teriam pecado; mas agora as viram e odiaram a Mim e a Meu Pai." Jo 15,24
    E prometeu que a Vinda do Espírito Santo também não passaria despercebida. Ao contrário, se temos alguma chance é porque Ele nos convence do erro que se comete em não acolher Jesus: "Entretanto, digo-vos a Verdade: convém a vós que Eu vá! Porque, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas se Eu for, vo-Lo enviarei. Convencerá o mundo a respeito do pecado, que consiste em não crer em Mim." Jo 16,7.9
    Entre os ateus, portanto, se é que realmente não creem, deve-se saber que não é muito sensato alimentar ódio a Deus. Jesus contou a parábola do homem que partiu para ser investido da realeza que, ao voltar, declarou: "Quanto aos que Me odeiam, e que não Me quiseram por rei, trazei-os e massacrai-os na Minha presença." Lc 19,27


NA PRÁTICA, VERDADEIROS ATEUS

    Há, no entanto, casos ainda mais graves que o mero ateísmo: apesar de jurarem acreditar em Deus, especialmente em Deus manifesto na Pessoa de Jesus, muitos rejeitam categoricamente Seus ensinamentos e, na prática, vivem na mais completa devassidão. O destino destes, porém, não parece ser nenhuma surpresa. Jesus adverte: "Mas aquele que ouve as Minhas Palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela caiu e grande foi a sua ruína." Lc 7,26-27
    Aliás, muitos deles até se apresentam como religiosos: "Nem todo aquele que Me diz: 'Senhor, Senhor', entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus. Muitos Me dirão naquele dia: 'Senhor, Senhor, não pregamos nós em Vosso Nome, e não foi em Vosso Nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres?' E, no entanto, Eu lhes direi: 'Nunca vos conheci. Retirai-vos de Mim, operários maus!'" Mt 7,21-23
    Os que distorcem Sua Palavra, portanto, deveriam estar bem mais atentos: "Mas todo o que fizer cair no pecado a um destes pequeninos que creem em Mim, melhor lhe fora que uma pedra de moinho lhe fosse posta ao pescoço e o lançassem ao mar!" Mc 9,42
    São Pedro denuncia-os como os grandes maculadores do Evangelho: "Assim como houve entre o povo falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos doutores que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas. Renegando assim o Senhor que os resgatou, eles atrairão sobre si uma ruína repentina. Muitos os seguirão nas suas desordens e serão deste modo a causa de o Caminho da Verdade ser caluniado." 2 Pd 2,1-2
    A Igreja, no entanto, ainda que reduzida a um pequeno número, passará incólume por tudo isso, pois, segundo São Paulo, Jesus assim o quer: "... Cristo amou a Igreja e entregou-Se por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do Batismo com a Palavra, para apresentá-la a Si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível." Ef 5,25b-27
    Ora, Jesus declarou que ela seria invencível quando elegeu São Pedro como pedra fundamental, pois é Ele mesmo que a edifica: "E Eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela." Mt 16,18
    O fim de Judas, por sinal um dos escolhidos por Jesus, mas que tanto amava o dinheiro, foi muito triste. A vida, esse dom de Deus, para ele foi uma pedra de tropeço, como afirmou Jesus: "O Filho do Homem vai, como d'Ele está escrito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido!" Mt 26,24
    Os que cometem escândalos, segundo Sua Palavra, também não estão em boa situação: "Ai do mundo por causa dos escândalos! Eles são inevitáveis, mas ai do homem que os causa! Por isso, se tua mão ou teu pé te fazem cair em pecado, corta-os e lança-os longe de ti: é melhor para ti entrares na vida coxo ou manco que, tendo dois pés e duas mãos, seres lançado no fogo eterno. Se teu olho te leva ao pecado, arranca-o e lança-o longe de ti: é melhor para ti entrares na vida cego de um olho que seres jogado com teus dois olhos no fogo da geena." Mt 18,7-9
    Ele também avisou aos que se orientam por valores meramente mundanos: "Vós procurais parecer justos aos olhos dos homens, mas Deus vos conhece os corações; pois o que é elevado aos olhos dos homens é abominável aos olhos de Deus." Lc 16,15
    E referindo-Se a Ele mesmo como a pedra angular da obra de Deus, disse que Sua manifestação era um marco histórico para a humanidade, um divisor de águas, e que ninguém dela poderia se valer por escusos motivos: "Aquele que tropeçar nesta pedra, far-se-á em pedaços; e aquele sobre quem ela cair, será esmagado." Mt 21,44
    Sua Palavra, portanto, deve ser vivida intensamente em nossas almas: "Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e Verdade, e são esses adoradores que o Pai deseja. Deus é espírito, e os Seus adoradores devem adorá-Lo em espírito e Verdade." Jo 4 23,24
    Com efeito, falando através de Isaías, Deus já havia denunciado a hipocrisia entre religiosos. Jesus vai invocá-lo: "Hipócritas! É bem de vós que fala o profeta Isaías: 'Este povo somente me honra com os lábios; seu coração, porém, está longe de Mim.'" Mt 15,7-8
    Por isso São Tiago Menor prescreve: "Mas aquele que procura meditar com atenção a lei perfeita da liberdade e nela persevera - não como ouvinte que facilmente se esquece, mas como cumpridor fiel do preceito -, este será feliz no seu proceder." Tg 1,25
    Pois Ela é nossa fonte de fé, como diz São Paulo: "Logo, a fé provém da pregação e a pregação se exerce em razão da Palavra de Cristo." Rm 10,17
    A quem a vivencia, Jesus garantiu: "Aquele, pois, que ouve estas Minhas Palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa; ela, porém, não caiu, porque estava edificada na rocha." Mt 7,24-25
    Assim, lembrando a importância da Santa Missa e dos Sacramentos, enchem-se de peso as palavras do cego de nascença curado por Jesus: "Sabemos, porém, que Deus não ouve a pecadores, mas atende a quem Lhe presta culto e faz a Sua vontade." Jo 9,31

    "Lembrai-Vos, ó Pai, dos Vossos filhos!"

sábado, 27 de maio de 2017

Santo Agostinho da Cantuária


    Em 597, quando a Inglaterra vivia sob constantes invasões dos saxões, oriundos de terras da atual Alemanha, um monge beneditino italiano foi enviado para lá pelo Papa São Gregório Magno, com a difícil missão de estabelecer-se e, tanto quanto pudesse, evangelizar. Para surpresa de todos, no Natal do mesmo ano mais de 10 mil pessoas já tinham sido convertidas ao Catolicismo e batizadas, incluindo toda a nobreza.
    Sabemos que Santo Agostinho da Cantuária era de Roma, e, por conta de sua excelente formação, provavelmente de família nobre. Mas por seu temperamento sempre tão humilde e modesto, ou até por sua deliberada intenção de omitir a fidalga descendência, a origem e a história de nosso Santo tenham sido relegadas ao esquecimento antes mesmo de ele tornar-se monge. Não sabemos sequer o ano em que nasceu. Certamente esses detalhes não eram ignorados por São Gregório Magno, pois o acolheu em 'sua própria casa', logo depois de havê-la transformado no Mosteiro de Santo André.
    Os 40 monges beneditinos enviados com ele a Inglaterra, entre eles aquele que viria a ser São Lourenço da Cantuária, quando de passagem pela França procuraram informações sobre o país ao qual se dirigiam e as notícias eram não eram nada estimulantes: muita violência. Mas São Gregório Magno sabia a quem havia entregue tal missão. Ele deveria começar seus trabalhos entrando em contato com a rainha Berta, que era católica, filha do rei da França, e que recentemente havia desposado Etelberto, o rei de Kent, à época o mais importante da Inglaterra.
    E Deus colaborava com eles: por surpresa, foram recebidos pessoalmente pelo próprio rei já na ilha de Thanet, a 'porta de entrada da Inglaterra'. Tão bem escoltados, entraram na corte em procissão, carregando a Cruz e entoando cantos gregorianos. O rei, hoje bem sabemos porque, ficou muito impressionado com a personalidade de Santo Agostinho: sua inteligência e inspiração pareciam não caber numa pessoa tão humilde. Sua santidade era notória.
    Obtida a autorização do rei para evangelizar, Santo Agostinho logo lançou mãos dos trabalhos que deram início a construção da Abadia de Kent, que mais tarde iria levar seu nome. Séculos mais tarde, porém, após a chegada do protestantismo na Inglaterra, por ordem do rei o Catolicismo foi banido do país e muitos mosteiros do país foram destruídos. Hoje só se veem suas ruínas.


    Informado das frequentes boas notícias, pois ele e os monges percorriam longas distâncias e quase sempre eram bem acolhidos, o Papa São Gregório ordenou Santo Agostinho Arcebispo da Cantuária. E sua resposta, sempre muito ativo e aproveitando os ventos favoráveis, foi fundar as dioceses de Londres e Rochester. A Catedral da Cantuária, atual sede da Arquidiocese de Londres, também foi uma edificação iniciada por ele, ali mesmo nas imediações da abadia.


    Sua obra não foi mais longe porque a Grã-Bretanha vivia constantes conflagrações, dividida em vários reinos de relacionamentos nem sempre amigáveis, além dos frequentes ataques de piratas e invasores.
    Santo Agostinho veio a falecer apenas 8 anos depois do início de sua missão, em 605. Foi enterrado, como de sua vontade, na Abadia de Kent. Aliás, uma sepultura tão humilde quanto ele mesmo, que talvez por isso nunca foi violada por invasores ou profanadores, e assim foi mantida.


    Contudo, foi muito bem sucedido por seu Santo companheiro, São Lourenço da Cantuária, que ocupou seu cargo até 619.
    É carinhosamente chamado de 'Apóstolo da Inglaterra', e lembrado de modo excepcional também pela igreja anglicana. De fato, os arcebispos da Cantuária ainda hoje são nomeados para a 'Cadeira de Santo Agostinho'.


    Santo Agostinho da Cantuária, rogai por nós!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

São Filipe Néri


    Seu tio era rico e queria-o comerciante
    Mas ele ofereceu-se a Deus como São Francisco
    Sua inteligência espantou os agostinianos
    Era um 'louco', 'vagabundo' de Deus pelas ruas de Roma
    Viveu os complicados anos do início do protestantismo
    Porém todos sabiam que era muito feliz
    Passava horas em meditação e recolhimento
    E anos a pão e água, só uma vez ao dia
    Dormia no chão duro, por poucas horas
    Peregrinava todas as noites
    Visitando as sete principais igrejas de Roma
    E terminava na catacumba de São Sebastião
    Aí fazia longas orações pela madrugada
    Começou a atrair discípulos
    Queriam rezar e estar com ele
    São Filipe não queria ser padre
    Preferia servir a Deus assim
    Santo Inácio de Loyola chamava-o de 'o Sino'
    Ficava fora da igreja, trazendo todos para dentro
    Quis ir à Índia, mas Deus deu-lhe os 'pobres' de Roma
    Fundou em 1548 a Confraria da Santíssima Trindade
    Cuidava de mendigos e doentes
    Foi ordenado em 1551, aos 36 anos
    E trouxe sacerdotes e nobres a visitar as sete igrejas
    Faziam leituras e sermões, cantavam salmos
    E ouviam São Filipe


    Muita gente se convertia
    Quatro futuros papas iam na multidão
    Em 1575, fundou a Congregação do Oratório
    Não tem regras nem precisa fazer votos
    São padres para rezar e fazer caridade
    Dois padres do congregação discutiram
    Não queriam fazer as pazes
    Ele pediu que cantassem e dançassem um para o outro
    Passava os dias no confessionário
    Fazia o que podia para salvar almas
    Tinha uma paixão quase infantil pela juventude
    Fazia brincadeiras nas praças para chamar-lhes a atenção
    E dizer-lhes palavras santas que lhes marcavam a alma
    Viveu em estado de Graça
    Amava a Santíssima Virgem e a Santa Missa 
    Santíssimo Sacramento era sua fonte de felicidade
    Uma bola de fogo entrou por sua boca
    Era uma vigília de Pentecostes
    Seu coração ficou bem maior
    Suas costelas tiveram que se afastar


    Ele recomendava:
    "Quanto de amor pomos nas criaturas, tanto tiramos de Deus."
    "Então, caro amigos, quando é que começaremos a amar a Deus?"
    "Ó Meu tão amável Deus, por que não me destes um coração capaz de amar-Vos condignamente?"
    "Basta, Senhor, basta! Suspendei a torrente de Vossas consolações, porque não tenho forças para receber tantas delícias."
    "Esta só razão devia bastar para manter alegre um fiel: saber que tem a Virgem Maria junto de Deus, que pede por ele."
    "A devoção ao Santíssimo Sacramento e a devoção a Santíssima Virgem são, não o melhor, mas o único meio para se conservar a pureza."
    "Somente a Comunhão pode conservar puro um coração aos vinte anos! Não pode haver castidade sem Eucaristia."
    "Com a oração pedimos mais Graças a Deus; mas na Santa Missa obrigamos a Deus a no-las dar."
    "Os que desejam avançar no caminho de Deus, sujeitem-se a um sábio confessor e obedeçam-lhe como a Deus."
    "A tentação revelada ao diretor espiritual já é vencida pela metade."
    "A grandeza do amor que se tem a Deus é medida pela grandeza do desejo de muito sofrer por amor de Deus; quem se impacienta com a Cruz, achará uma outra ainda mais pesada."
    "Os sofrimentos deste mundo são a melhor escola do desprezo do mundo; quem não se matricular nesta escola, merece dó, porque é um infeliz."
    "Não pode acontecer coisa mais gloriosa a um Cristão do que padecer por amor a Cristo."
    "Renunciar a si mesmo, tomar a Cruz a cada dia e seguir Jesus é uma alegria."
    "Neste mundo não há purgatório: ou é paraíso ou é inferno. Os que suportam com paciência os sofrimentos desta vida gozam o paraíso. Quem assim não o faz, sofre o inferno."
    "Quem quiser outra coisa que não seja Cristo, não sabe aquilo que quer; quem pede outra coisa que não seja Cristo, não sabe aquilo que faz."
    "Quem não puder dedicar longo tempo a oração, deve, pelo menos, elevar muitas vezes seu coração a Deus."
    "É possível restaurar as instituições com a santidade, e não restaurar a santidade com as instituições."
    "Ser misericordioso com os que caíram é o melhor meio para não cairmos nós mesmos!"
    "Se quisermos nos dedicar inteiramente ao nosso próximo, não devemos reservar a nós mesmos nem tempo nem espaço."
    "Não tardes em bem trabalhar, porque a morte não tarda em vir."
    "A única regra perfeita em si mesma é a caridade."
    "Na guerra pela pureza só os covardes vencem, isto é, aqueles que fogem!"
    "Guarde-se o moço da luxúria e o velho da avareza: e ambos serão Santos."
    "Longe de mim, o pecado e a tristeza!"
    "A excessiva tristeza raramente brota de alguma outra fonte do que não o orgulho."

    "Um alegre coração é mais facilmente levado à perfeição que um abatido."
    "Os homens geralmente são os carpinteiros de suas próprias cruzes."
    "Para perfeitamente obter o dom da humildade, são necessárias quatro coisas: desprezar o mundo, não desprezar ninguém, desprezar-se, desprezar ser desprezado."
    "Certos voluntários apegos do amor próprio devem ser cortados, e para tanto devemos cavar ao redor e remover a terra, até que desçamos profundamente o suficiente para encontrar o lugar em que estão enraizados e entrelaçados."
    "Não deixe ninguém usar máscara, caso contrário ele fará o mal; e se ele tiver uma, deixa que ele a queime!"
    "A santidade de um homem está na largura de três dedos, (a testa), isto é, na mortificação do entendimento, que faz falso juízo das coisas".
    "A Sabedoria das Escrituras é aprendida antes pela oração que pelo estudo."
    "Os iniciantes na religião devem exercitar-se principalmente na mediação das últimas quatro coisas (Morte, Juízo, Céu e inferno)."
    "Pais e mães de famílias devem virtuosamente criar seus filhos, olhando-os como mais filhos de Deus de que seus; e contar a vida e a saúde, e todas suas posses como empréstimos que recebem de Deus."
    "O lar cristão é o lugar onde as crianças recebem a primeira proclamação da fé. Por esta razão, a casa familiar é corretamente chamada de 'igreja doméstica', uma comunidade de Graça e oração, uma escola de virtudes humanas e de caridade cristã."
    "Quem quiser que muito lhe obedeçam, pouco mande."

    Entrou para a Glória em 1595, aos 80 anos
    Mas o povo não quis esquecer seu rosto


     Deram-lhe honrosa sepultura na Igreja de Santa Maria
     Ao lado da sede da congregação que ele fundou 
     É conhecido como o 'Apóstolo' de Roma
     Guarda-se exposta uma relíquia de parte de seu coração


    São Felipe Neri, rogai por nós!