segunda-feira, 14 de agosto de 2017

São Maximiliano Maria Kolbe


    No maior campo de concentração da Segunda Guerra Mundial, um capuchinho ofereceu-se para morrer no lugar de um pai que chorava muito, pois não iria mais ver seus filhos e esposa. Aproveitou para consolar e ajudar a salvar as almas dos outros nove que iam morrer com ele. Foram trancados desnudos numa cela subterrânea para morrer de fome.
    São Maximiliano convidou-os a rezar o Rosário, fazer exame de consciência, confessar-se e cantar hinos religiosos. A cela tornou-se uma capela. Como após três semanas quatro deles ainda estavam vivos, e conseguiam cantar, embora bem fraquinho, decidiram aplicar-lhes injeção letal. O Santo polonês ofereceu graciosamente o braço; foi o último a morrer. Depois de espasmos e convulsões, restou inerte, de olhos abertos. Junto a Santa Edith Stein, era mais um mártir a morrer em santidade em campo de concentração nazista. Um guarda disse que seu rosto estava impressionantemente sereno, bonito e 'radiante'.
    Em Roma, aonde tinha ido estudar, ficou escandalizado com o ateísmo e com as infâmias dirigidas à Igreja. Fundou prontamente a Milícia de Maria Imaculada. Era 1917, mesmo ano da Aparição de Nossa Senhora em Fátima. Sem dúvida, esse jovem de 23 anos era parte dos planos da Mãe de Deus, que apenas três meses antes havia anunciado a Lucia, em Portugal, que Seu Imaculado Coração iria triunfar. Nosso Santo ainda nem tinha sido ordenado e já se reunia com outros seis jovens para, com a ajuda de Maria Santíssima, converter pecadores e inimigos da Igreja, além de buscar a santidade dos membros da Milícia.
    Tão ciente das dificuldades que enfrentava, desde que celebrou sua primeira Santa Missa tratou de expressar sua disposição para defender a Igreja até o martírio. Voltou a Polônia e rapidamente mobilizou mais de 300 pessoas para fundar o Jornal Cavaleiro da Imaculada. No dia anterior ao lançamento do primeiro número, reuniu a todos para jejuar e rezar, passando a noite em adoração ao Santíssimo Sacramento e orando à Santíssima Virgem.



    Em 1927, o príncipe polonês, percebendo com era evidente o poder de Deus em São Maximiliano, doa-lhe um terreno a 40 quilômetros da capital, Varsóvia. Aí ele funda a Cidade de Maria, com um enorme convento e instalações para o jornal. De onde viria tanto dinheiro? Ele sabia que Nossa Senhora estava com ele. E tinha razão: em 1939 chegava a 1 milhão de exemplares, 17 pequenas publicações impressas e uma rádio. Eram mais de 700 pessoas vivendo lá, uma verdadeira cidade cristã com mecânicos, bombeiros, médicos e agricultores.


    Sua dedicação e piedade contagiavam a todos. Apaixonado pela Santa Eucaristia, instituiu na Cidade de Maria a Adoração Perpétua. Ele nada começava antes de adorar a Cristo. Queria uma Cidade de Maria em cada país. Como sinal de Deus que se antecede aos fatos, fundou uma no Japão, precisamente em Nagasaki, onde em 1945 explodiria a segunda bomba atômica pondo fim à guerra. Sabendo do pequeno número de católicos neste país, trabalhou vigorosamente de 1930 a 1936; chegou a publicar 10 mil exemplares do jornal mariano. Ele dizia: "Eu vejo Maria em toda parte. Eu não vejo dificuldades."


    Tão sólida era sua obra que nem o poder da bomba lhe pôs fim. Reergueu-se vitoriosa e lá ainda está.
    Estava na Polônia em 1939, quando começou a Segunda Grande Guerra. Mandou que a maioria se refugiasse em lugares insuspeitos, pois sabia da perseguição aos católicos, e ficou na Cidade de Maria com apenas 40 essenciais voluntários. Por pura descriminação aos religiosos, logo foram levados presos pelos invasores nazistas. Mas, num grande sinal da Mãe de Deus, no dia 8 de dezembro, quando se celebra a Imaculada Conceição, foram libertados, pois não havia mesmo nenhuma acusação contra eles.


    Presos mais uma vez em 1941, quando o inimigo já manifestava seu ódio mortal, foi levado para o terrível campo de concentração de Auschwitz, que os alemães mantinham em seu próprio país. Ao perceber que ele era religioso, pois recusava-se a tirar o hábito, o oficial humilhou e esbofeteou São Maximiliano várias vezes, perguntando se ele realmente acreditava em Cristo. Humildemente, ele apenas respondia que sim.


    Mas, tanto quanto pôde, não se manteve quieto; cuidava de animar a e oferecer o Sacramento da Confissão a quem encontrava. Estimulava para que enfrentassem a tudo dignamente, sem desespero ou medo. Obteve ainda mais uma grande Graça de Nossa Senhora: apesar de tomarem-lhes tudo e de usarem apenas o uniforme numerado, inacreditavelmente o guarda que lhe fazia frequentes revistas não lhe tomava o Rosário.


    A igreja anglicana reverenciou-o como mártir na Abadia de Westminster, em 1998.


     O pai de família que São Maximiliano livrou da morte, sobreviveu ao campo de concentração e estava presente na praça de São Pedro em 1982, quando o Papa São João Paulo II, também polonês, canonizou-o.
    Ele dizia com frequência: "Para ser santo, basta querer."
    A cela de sua morte foi preservada.
    
    
    São Maximiliano Maria Kolbe, rogai por nós!