sexta-feira, 4 de agosto de 2017

São João Maria de Vianney


    Mundialmente conhecido como o Cura d'Ars, nasceu em 1786 no povoado de Dardilly, nas proximidades de Lyon, e viveu a infância sob o terror das bestiais matanças da chamada Revolução Francesa. Era de humilde família de sete filhos, e desde pequeno demonstrou verdadeira paixão pela Igreja e pela Santa Missa: dizia que queria ser sacerdote.
    Sua localidade, porém, só veio a ter escola quando já era adolescente, e durante dois anos pôde aprender apenas a ler e escrever em francês, pois em sua região falava-se em dialeto e ele continuava precisando ajudar seus pais nos trabalhos da lavoura.
    Mas tamanha era sua doce e serena vontade que, com a ajuda do Padre Balley, convenceu seu pai e aos vinte anos entrou no Seminário de Ecúlly, em Lyon, e mais tarde, no Seminário de Santo Irineu. Contudo, em razão da fragilidade de sua instrução, embora fosse um exemplo de obediência e caridade, logo os professores concluíram que ele tinha sérias limitações intelectuais para aprender Filosofia, Teologia e Latim.
    Contra todas as dificuldades, porém, aos vinte e nove anos São João Maria Vianney conseguiu concluir os estudos, mas tão evidente era seu despreparo intelectual que seus mestres não tinham coragem de apresentá-lo para a Ordenação. Mesmo assim seu fiel padrinho, o Padre Balley, não desistia dele: levou-o ao Monsenhor Courbon, Vigário Geral da Diocese de Lyon, que, ao saber de sua profunda devoção pelo Rosário, ordenou-o diácono.
    Ao ser ordenado na Diocese de Grenoble, para onde foi enviado, não lhe foi permitido tomar Confissão dos fiéis, pois não demonstrava nenhuma autoridade para instruí-los e determinar-lhes penitências: à vista de todos, seria tímido e bonzinho demais. Padre Balley, então, convida-o para ser seu auxiliar em Ecúlly, onde fica por três anos, até que, por constantes apelações desse velho sacerdote, tal proibição foi-lhe retirada.
    Com a morte de seu mentor e amigo, o povo pede efusivamente que ele assuma seu lugar, mas a Diocese de Lyon não concordou e ele foi enviado para uma pequena aldeia de 230 habitantes, com fama de mundana e violenta, e havia sido a frustração de vários padres, pois de tudo tinham tentado para trazer seu povo à devoção.
    São João Maria Vianney, porém, parecia saber o que fazer. Por esses anos suas penitências já o haviam levado à mais pura santidade. Chegando a Ars-sur-Formans numa carroça, deu o colchão a um esmoler e foi morar na igreja, onde fez uma cama de ramas e usava um cepo de madeira por travesseiro.


    Fazia até três dias de jejum por semana, e quando comia, cozinhava batatas quase apodrecidas.


    Ficava horas de joelho diante do Santíssimo Sacramento, pedindo ardorosamente pela conversão dos habitantes daquele lugar.


    Saiu de casa em casa apresentando-se como o novo padre e visitando demoradamente toda a gente, que estranhava sua velha e surrada batina, seus sapatos furados e seu corpo tão franzino, mas aos poucos foi lhe abrindo o coração. E ele correspondia redobrando as atenções e as penitências pela Salvação daquelas almas que Deus lhe confiara. Em perfeita imitação do Cristo, ele pedia: "Meu Deus, concedei-me a conversão da minha paróquia! Sujeito-me a sofrer o que quiserdes, durante toda a minha vida!"
    Com o passar do tempo, atraído por sua simplicidade, o povo começou a frequentar a igreja, e ele diligentemente passou às exortações para que não se trabalhasse mais aos domingos. No primeiro sermão de que tratou do assunto, chorou de compaixão pelas almas que se perdiam, e levou também os fiéis às lágrimas. Muitas pessoas de Ars jamais esqueceriam essa pregação. Ele pregou: "Se perguntássemos aos que trabalham nos domingos 'que acabais de fazer?', bem poderiam responder: 'Acabamos de vender a nossa alma ao demônio e de crucificar Nosso Senhor. Estamos a caminho do inferno.'"
    Seu dia-a-dia, porém, por contrariar os viciados na jogatina e os donos de tabernas, não era nada fácil. Mas era extremamente fiel aos seus superiores e à Igreja, e apesar de amar estar a sós, cumpria com empenho todas suas funções, que não lhe permitiam quase nenhum retiro. E suspirava: "Ah, se eu soubesse o que é ser vigário... Teria entrado num convento de monges."
    No entanto, as conversões começaram a acontecer, as tabernas foram fechando e a igreja ficou pequena. Por seu testemunho de vida piedosa, São João Maria Vianney atraía multidões para sua pequena aldeia em busca exatamente do que seus superiores inicialmente negaram-lhe: ministrar o Sacramento da Reconciliação com Deus.
    Sua  realmente impressionava. Vivia tão envolvido na luta pela Salvação dos fieis que já arrebanhava gente de todos os lugares da França e até mesmo da Europa. Havia dias de passar 14 horas no confessionário. Tinha o dom de conhecer os pensamentos, e estimulava a muitos que confessassem alguns pecados 'esquecidos'.
    Seus frequentes jejuns e vigílias, na grande maioria das vezes em nome dos próprios penitentes, levavam-no a ensinar: "A penitência tem um bálsamo e um sabor de que não podem prescindir os que alguma vez os conheceram... Neste caminho, o que custa é o primeiro passo."
    Numa época em que a sensualidade e a promiscuidade já começavam a exceder em todos os meios sociais, como vai lamentar Nossa Senhora de Salette, sua castidade também foi exemplar: "Não há senão uma maneira de se dar a Deus no exercício da renúncia e do sacrifício: é dar-se totalmente."
    Verdadeiro sábio, não denunciava tão somente o pecado, mas principalmente a ocasião que leva ao pecado. E reclamava das mulheres: "... com suas vestes provocantes e indecentes, logo darão a entender que são um instrumento de que se serve o inferno para perder as almas. Só no tribunal de Deus saber-se-á o número de pecados de que foram causa."
    Para plenamente viver a pobreza, tinha um lema: "Meu segredo é bem simples: é dar tudo; não guardar nada."
    Nos últimos anos de sua vida, com tocante simplicidade dizia: "Estou muito satisfeito. Já não tenho nada de meu. Deus pode chamar-me quando quiser."
    Por tão luminoso ministério, após sua morte foi reconhecido pela Igreja como o padroeiro dos sacerdotes. Para ele, "... o padre, antes de tudo, deve ser homem de oração."
    Tudo lhe parecia bem simples: "Um bom pastor, um pastor segundo o Coração de Deus: eis o maior tesouro que Deus pode conceder a uma paróquia."
    Se algum sacerdote amigo reclamava de dificuldades com o rebanho, ele arguia: "Rezastes, chorastes, gemestes, suspirastes. Mas porventura jejuastes, fizestes vigílias, dormistes sobre o chão duro, fizestes penitências corporais? Enquanto não o fizerdes, não julgueis que fizestes tudo!"
    Testemunhando de seu amor pela Santa Eucaristia, os fiéis diziam: "... bastaria vê-lo celebrando a Santa Missa, e fazendo a genuflexão ao passar diante do sacrário."


DISSE O CURA D'ARS

    Sobre oração:
    "O homem é um pobre, que tudo precisa pedir a Deus."
    "Quantas almas podemos converter com nossas orações!"
    "A oração, eis toda a felicidade do homem sobre a terra."

    Sobre como tomava a Confissão dos fieis:
    "Dou-lhes uma pequena penitência e o resto faço-a eu por ele."

    Sobre Deus e Sua Misericórdia:
    "... mais pronto para perdoar do que uma mãe para tirar seu filho do fogo."

    Sobre o Catolicismo:
    "... quando se quer destruir a religião, começa-se por atacar o padre."

    Morreu aos 73 anos, em 1859, sob grande comoção popular, pois já era venerado como Santo. Seu corpo, sepultado sob um altar da pequena Basílica de Ars, ainda não se decompôs.


    São João Maria de Vianney, rogai por nós!