terça-feira, 8 de agosto de 2017

São Domingos


    Apaixonado pelas coisas de Deus desde pequeno, o fundador da ordem dos dominicanos nasceu em Castela, na Espanha, em 1170. Enquanto fazia seus estudos, já lhe incomodava a indiferença com que se tratava o sofrimento dos mais pobres. Chegou a vender as coisas de mais valor de seu quarto, inclusive sua Bíblia, para socorrer os carentes.
    Após formar-se, em 1203 teve que acompanhar Dom Diogo, Bispo de Osma, numa viagem a Dinamarca, e ficou impressionado com o desconhecimento da Doutrina Cristã nos lugares por onde passava.
    Noutra viagem, em 1205, passando pelo sul da França encontraram duas correntes de heresias que tinham alcançado alta estima entre o povo, por viverem a pobreza de modo sincero, ainda que absolutamente tresloucado. Eram os albigenses e os cátaros, que se dizendo imitadores dos Apóstolos, contrariavam acintosamente a Doutrina da Igreja, desrespeitavam a hierarquia e alteravam a liturgia católica.
   O Papa já havia mandado legados àquela região, mas eles não conseguiam convencer o povo daqueles graves desvios, porque, para os mais simples e sem leitura, esses enviados levavam vida de nobres, eram servidos por criados, enquanto os hereges pareciam levar vida de Santos. Foi quando Diogo e Domingos, que desde sempre haviam adotado a pobreza evangélica, sugeriram aos núncios apostólicos que deixassem todo conforto e fossem viver como aqueles infiéis, na pobreza, o que eles aceitaram sob condição de que eles dois fossem seus dirigentes.
    O sucesso da nova forma de evangelizar foi imediato e logo chegou ao conhecimento do Papa, que gostou da iniciativa e deu sua autorização para continuar. Era a "Santa Pregação". Como Diogo tinha funções de bispo, teve que voltar à Osma, onde logo veio a falecer. Mas mesmo sozinho, São Domingos não desistiu. Em 1206, um grupo de mulheres convertidas do catarismo pediu-lhe auxílio para viver a vida religiosa. É quando ele lhes concede uma casa em Prouille, no extremo sul da França, e sugere uma regra de vida humilde, toda voltada para a oração. Essa casa vai ser o berço dos dominicanos, e a primeira comunidade das monjas dominicanas da clausura. Por lá passariam e se hospedariam os primeiros "pregadores mendicantes".
    São Domingos Gusmão, porém, não encontrava facilidades. Em 1208 ainda estava pregando sozinho em toda aquela região. É quando Nossa Senhora lhe aparece na igreja de Prouille, e entrega-lhe o Santo Rosário como sinal de Sua companhia. Essa belíssima Graça renovou-lhe as forças, e assim seguiu vivendo para "pregar e caminhar", como ele mesmo dizia.


    Só em 1214, na cidade de Carcassonne, ali nas proximidades, começa a juntar alguns amigos que lhe acompanham na vida itinerante. Em 1215 cria uma regra de vida para o grupo de pegadores que logo é aprovada pelo bispo, mas ao tentar fazer dela uma ordem religiosa, dá-se em Roma com as decisões do Concílio de Latrão, que proibia a fundação de novas ordens, por tantas que já havia. O Papa Inocêncio III aconselhou-o a adotar uma entre as já existentes, o que o faz optar, junto com seus companheiros, pela Ordem de Santo Agostinho, por seus pendores para o eremitério.
    Com a morte do Papa Inocêncio III, no entanto, e com a ascensão de Honório III, que era seu amigo e admirador, São Domingos vai a Roma em 1216 e obtém a aprovação da Ordem dos Pregadores, na qual os religiosos viveriam "totalmente dedicados ao anúncio da Palavra de Deus".
    A partir daí, São Domingos manda seus pregadores para as primeiras cidades que fundaram universidades na Europa, para que estudassem e atraíssem estudantes para a ordem. Assim estabelece comunidades dominicanas em Paris, Bolonha, Roma e Salamanca.
    Em 1220, em Bolonha, no primeiro Capítulo, a Ordem dos Pregadores adota o sistema democrático para escolher os superiores das casas. Em 1221, em Roma, no segundo Capítulo, a ordem divide-se em províncias e cria-se o Capítulo Geral, a ser assistido por priores provinciais e delegados eleitos pelas comunidades, onde se escolhe também democraticamente o mestre geral da ordem.
    Antevendo a entrega do Escapulário a São Simão Stock, que aconteceria quase duas décadas depois, ele firmou sua Profecia: "Um dia, através do Rosário e do Escapulário, Nossa Senhora salvará o mundo."


    Após anos de "Santa Pregação" e penitências, morreu em 1234 no convento de Bolonha, Itália, na sela de um confrade, pois nunca aceitou ter uma só para si. Ensinava com frequência aos seus companheiros: "Tenham caridade, conservem a humildade, acumulem os tesouros da santa pobreza."
    A Ordem cuidou de dar-lhe uma bela arca para suas relíquias, que fica numa capela da basílica do século XIII que leva seu nome, lá mesmo em Bolonha.


    São Domingos. rogai por nós!