domingo, 27 de agosto de 2017

Santa Mônica


    Se Santo Agostinho colaborou sobremaneira para a formulação da Teologia, muito se deve à sua Santa mãe.
    Casada com um pagão que se revelou rude, e por vezes agressivo, ela não fazia nenhum mau comentário a seu respeito nem permitia que alguém o fizesse; simplesmente rezava por sua conversão.
    Logo as vizinhas perceberam sua santidade. Como era possível viver em tamanha serenidade diante da embriaguez, violência e declarada infidelidade do marido? Assim se tornou conselheira e referência espiritual em sua comunidade. E tão humilde e tolerante, terminou por tocar profundamente o coração do marido, que abandonou a vida mundana e converteu-se. Tal Graça, porém, destinava-se especificamente a salvar-lhe a alma, pois pouco depois a saúde viria a faltar-lhe, vindo a falecer.
    Uma amargura ainda maior, porém, já lhe apertava o coração. Apesar de sua notória inteligência, Santo Agostinho, então estudante de Retórica e Artes em Cartago, embora não fosse violento tinha tomado o mesmo caminho de vícios e promiscuidade do pai. Teve um filho de união fortuita, tornou-se maniqueísta, a grande heresia de seu tempo, uma seita filosófico-religiosa, e nessa condição voltou à sua terra natal, Tagaste, como professor de Gramática.
    Inicialmente Santa Monica renegou-se a aceitá-lo em casa, mas, tempos depois, voltou atrás. De fato, ela tinha mais um filho e uma filha para educar; não podia pactuar com sua cínica devassidão. E mais uma prova da verdadeira e contagiante devoção dessa senhora foi a opção religiosa que fez a filha, Perpétua, desde cedo. Foi das primeira mulheres a ir viver num mosteiro feminino.
    Contudo, do mesmo modo como agiu com o esposo, Santa Mônica não desistiu de Santo Agostinho. Ao pedir por preces para o filho desencaminhado, ouviu do bispo uma alentadora resposta: "Vá e continue a rezar: é impossível que se perca um filho de tantas lágrimas."
    Em paralelo, o brilhante professor tornava-se cada vez mais importante entre os estudiosos do Império Romano. Estabeleceu-se em Roma como catedrático em Retórica, e de lá foi a Milão, atraído pela Sabedoria de Santo Ambrósio. Homem de singular inspiração, com absoluta naturalidade este bispo mostrou-lhe o Caminho da Verdade, e Santo Agostinho pediu-lhe o Batismo. Santa Mônica, ao saber de tão esperada Graça, foi o mais rápido a Milão.
    Alguns meses depois, em 387, Santo Agostinho resolve voltar à sua terra, mas, na viagem de volta, aos 56 anos, Santa Mônica morre em Ostia, uma cidade costeira que funcionava como porto de Roma, e foi sepultada na Basílica de Santa Áurea.


     Suas últimas palavras, segundo o próprio Santo Agostinho, foram: "Uma única coisa fazia-me desejar viver ainda um pouco: ver-te cristão antes de morrer."
    Numa das mais belas obras do Catolicismo, o livro 'Confissões', Santo Agostinho faz um belo registro da cristandade de sua Santa mãe, que nos faz lembrar, pelo segundo feito, exatamente o papel de Nossa Mãe Celestial, com a ligeira ressalva de que Maria nos gera para Deus em seu ventre espiritual. Ele diz: "Ela gerou-me; seja na sua carne para que eu viesse à luz do tempo, seja com o seu coração para que eu nascesse à luz da eternidade."
    É a padroeira das mulheres casadas, além de modelo de mulher e viúva cristã.


    Em 1430, seu corpo foi reencontrado e transferido para a Basílica de Santo Agostinho em Roma, construída em homenagem ao seu filho.


    Santa Mônica, rogai por nós!