sábado, 26 de agosto de 2017

Inseguranças


    Num mundo assaltado pelo medo, e até pelo pânico, ou onde a agressiva competitividade materialista é a oração mental comunitária prevalecente no dia-a-dia, ter inseguranças é quase uma frivolidade. Na intimidade, porém, todos nós temos nossas hesitações, nossas incertezas, nossas fraquezas. E na contramão da exacerbação da insensibilidade, tais características até são desejáveis dadas as grandes lições que ensinam, como percebeu o Eclesiástico: "... o que passou por muitas dificuldades desenvolve a prudência." Eclo 34,10
    Para mais prosperar nessa virtude, no entanto, o profeta Baruc recomenda à Israel a meditação dos Mandamentos da Lei de Deus: "Escuta, Israel, os Mandamentos de Vida; medita, a fim de que aprendas a prudência." Br 3,9
    E com toda razão, pois, como afirmam os Provérbios, ela é mesmo imprescindível: "O homem que se desvia do caminho da prudência repousará na companhia das trevas." Pr 21,16
    Mas só a prudência não é o bastante. Muito menos aquela meramente mundana, como bem demonstrou São Luís Maria Montfort. Por isso, apontando a 'imprudência' dos que realmente têm boa fé, Jesus pedia caridade mesmo que imperfeita: "E o proprietário admirou a astúcia do administrador, porque os filhos deste mundo são mais prudentes do que os filhos da Luz no trato com seus semelhantes. Eu vos digo: fazei-vos amigos com a riqueza amealhada na injustiça, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos." Lc 16,8-9
    A verdade é que não podemos nos deixar impressionar pelo medo. Mais que acovardar, eles podem imobilizar! E a solução é fortalecer-nos pela verdadeira Sabedoria, que só Deus pode oferecer, pois qualquer outro empenho representa o desperdício de toda uma vida. Baruc advertia: "Mesmo os filhos de Agar, que procuram inteligência sobre a terra, os negociantes de Madiã e Temã, os contadores de fábulas e os desejosos de inteligência, não chegaram a conhecer o caminho da Sabedoria, nem se recordam de suas veredas." Br 3,23
    Segundo os Provérbios, elas andam intimamente juntas: "Eu, a Sabedoria, sou amiga da prudência..." Pr 8,12
    E como toda virtude, precisamos pedi-la a Deus, tal e qual o salmista: "... ensinai-me a Sabedoria, para que conheça as Vossas prescrições." Sl 118,125
    Porque "... o Senhor é Quem dá a Sabedoria..." Pr 2,6
    Por isso São Paulo vincula-a à vontade de Deus: "Vigiai, pois, com cuidado sobre a vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus. Não sejais imprudentes, mas procurai compreender qual seja a vontade de Deus." Ef 5,15-17
    E elogiando a obediência dos romanos, ele avisava das heresias, que sempre são apresentadas em sedutoras embalagens: "Rogo-vos, irmãos, que desconfieis daqueles que causam divisões e escândalos, apartando-se da Doutrina que recebestes. Evitai-os! Esses tais não servem a Cristo Nosso Senhor, mas ao próprio ventre. E com palavras adocicadas e linguagem lisonjeira enganam os corações simples. A vossa obediência tornou-se notória em toda parte, razão porque eu me alegro a vosso respeito. Mas quero que sejais prudentes no tocante ao bem, e simples no tocante ao mal." Rm 16,17-19
    O agir confiante, portanto, não é só uma prova de , mas também da Sabedoria, que é inspirada pelo Divino Espírito e mostra seu valor nas situações mais difíceis. Jesus diz: "... a Sabedoria foi justificada pelas obras de seus filhos." Mt 11,19
    Pois só ela nos permite entender o que disse Jesus, quando nos ensinou a abandonar a falsa prudência dos cuidados mundanos: "Porque, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem sacrificar a sua vida por amor a Mim, salvá-la-á." Lc 9,24
    Ele dizia sobre os vacilantes: "Aquele que põe a mão no arado e olha para trás, não é apto para o Reino de Deus." Lc 9,62
    E era taxativo: "Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena. Portanto, quem der testemunho de Mim diante dos homens, também Eu darei testemunho dele diante de Meu Pai que está nos Céus. Aquele, porém, que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante de Meu Pai que está nos Céus." Mt 10,28.32-33


CRISTO COMO MODELO

    Assim, da insegurança à prudência, e da prudência à Sabedoria, precisamos fortalecer-nos na fé. Jesus prometia: "Em verdade vos declaro que, se tiverdes fé e não hesitardes... Tudo o que em oração pedirdes com fé, vós o alcançareis." Mt 21,21a.22
    E ela não precisa ser muito grande, como Ele mesmo explicou: "Disse o Senhor: 'Se tiverdes fé, do tamanho de um grão de mostarda, direis a esta amoreira: 'Arranca-te e transplanta-te no mar!', e ela vos obedecerá.'" Lc 17,6
    Tal postura deve prevalecer mesmo contra todas as chances, como pediu a Jairo ao ouvir que sua filha, que estava enferma, havia morrido: "Não temas; crê somente e ela será salva." Lc 8,50
    Na verdade, precisamos da fé para tudo. Quando provocados por Jesus para perdoarem infinitamente, os Apóstolos pediram-Lhe por esse dom: "Aumentai a nossa a fé!" Lc 17,5
    Pois só a Divina Graça, que nos revigora a fé, ajuda a vencer os pecados, e com eles os medos: "No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo." Jo 16,33
    Todavia, antes de tudo precisamos do perdão de Deus, que é um grande bálsamo para a alma, porque é simplesmente insuportável viver sob os tormentos dos erros passados. Por isso, mais importante que uma cura, Jesus oferecia Seu perdão, como disse ao paralítico da maca descida pelo telhado, que na verdade apenas queria ser curado: "Meu filho, coragem! Teus pecados te são perdoados." Mt 9,2
    Assim, movidos pela purificação do divino perdão e pela fé, podemos tomar Cristo como exemplo de Vitória. Lembrando, porém, que Sua força se mostrava pela Verdade e pela humildade, como fez ao lavar os pés dos Apóstolos: "Vós Me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque Eu o sou. Logo, se Eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar-vos os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como Eu vos fiz, assim façais também vós." Jo 13,13-15
    Pois explicitava, e com contundência, nossa absoluta dependência do Pai: "Assim também vós, depois de terdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: 'Somos servos inúteis; fizemos apenas o que devíamos fazer.'" Lc 17,10
    Sem dúvida, Ele mesmo Se dizia totalmente submisso ao Pai: "Jesus tomou a palavra e disse-lhes: 'Em verdade, em verdade vos digo: de si mesmo o Filho não pode fazer coisa alguma; Ele só faz o que vê fazer o Pai; e tudo o que faz o Pai, faz também semelhantemente o Filho.'" Jo 5,19
    Obedecia pontualmente Seus desígnios, como se viu no Horto das Oliveiras: "Pai, se é de Teu agrado, afasta de Mim este cálice! Não se faça, todavia, a Minha vontade, mas sim a Tua." Lc 22,42
    E por viver profundamente Sua humanidade, experimentou na Cruz toda amplitude dos mistérios de Deus: "E à hora nona Jesus bradou em alta voz: 'Elói, Elói, lammá sabactáni?', que quer dizer: 'Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste?'" Mc 15,34
    A maior fortaleza, portanto, capaz de enfrentar a própria morte, Nosso Salvador demonstrou através de Seu amor. E recomendou: "Como Eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros." Jo 13,34
    São Paulo já atinava: "Eis porque sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor a Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte." 2 Cor 12,10
    E ressaltando a superioridade o amor salvífico, ele aponta o Cristo como Modelo, como escreveu aos efésios: "... até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo. Para que não continuemos crianças ao sabor das ondas, agitados por qualquer sopro de doutrina, ao capricho da malignidade dos homens e de seus artifícios enganadores. Mas, pela prática sincera da caridade, cresçamos em todos os sentidos n'Aquele que é a cabeça, Cristo." Ef 4,13b-15
    Modelo que, avisando de seu martírio já próximo, ele colocava como o extremo oposto à vida mundana: "Exorto-vos, pois, - prisioneiro que sou pela causa do Senhor -, que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, com toda a humildade e amabilidade, com grandeza de alma, suportando-vos mutuamente com caridade. Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da Paz. Portanto, eis o que digo e conjuro no Senhor: não persistais em viver como os pagãos, que andam à mercê de suas idéias frívolas. Têm o entendimento obscurecido. Sua ignorância e o endurecimento de seu coração mantêm-nos afastados da Vida de Deus. Indolentes, entregaram-se à dissolução, à prática apaixonada de toda espécie de impureza." Ef 4,17-19
    E reclamou das 'aflições' de que padeciam os coríntios: "A vós, irmãos, não vos pude falar como a homens espirituais, mas como a carnais, como a criancinhas em Cristo. Eu dei-vos leite a beber, e não alimento sólido que ainda não podíeis suportar. Nem ainda agora o podeis, porque ainda sois carnais. Com efeito, enquanto houver entre vós ciúmes e contendas, não será porque sois carnais e procedeis de um modo totalmente humano?" 1 Cor 3,1-3
    São Tiago Menor denunciava o mesmo problema: "Donde vêm as lutas e as contendas entre vós? Não vêm elas de vossas paixões, que combatem em vossos membros? Cobiçais, e não recebeis; sois invejosos e ciumentos, e não conseguis o que desejais; litigais e fazeis guerra. Não obtendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, com o fim de satisfazerdes as vossas paixões." Tg 4,1-3
    Para complicar, São Paulo profetizou a São Timóteo o surgimento de falsos mestres, que da fé desviam muita gente, arrastando a verdadeiros tormentos: "Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão do poder. Dessa gente, afasta-te! Deles fazem parte os que se insinuam jeitosamente pelas casas e enfeitiçam mulherzinhas carregadas de pecados, atormentadas por toda espécie de paixões, sempre prontas para aprender sem nunca chegar ao conhecimento da Verdade." 2 Tm 3,2-7
    São Pedro fez igual advertência, pois tais heresias representam vários e danosos obstáculos à Igreja: "Assim como houve entre o povo falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos doutores que disfarçadamente introduzirão perniciosas seitas. Eles, renegando assim o Senhor que os resgatou, atrairão sobre si repentina ruína. Muitos os seguirão nas suas desordens, e serão deste modo a causa de o Caminho da Verdade ser caluniado." 2 Pd 2,1-3
    Mas contra toda devassidão, e em meio a grandes perigos, Jesus deixou-nos uma inafastável missão: "Eu envio-vos como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas. Cuidai-vos dos homens." Mt 10,16-17a
    Contudo, mesmo avisando de Seu Martírio, também nos deu razões para não hesitar: "Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em Mim." Jo 14,1
    E garantia: "Não se vendem dois passarinhos por um asse? No entanto, nenhum cai por terra sem a vontade de Vosso Pai. Até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois! Bem mais que os pássaros valeis vós." Mt 10,29-31


O EXERCÍCIO DA FÉ

    Entre os Apóstolos, dado o privilégio que tiveram de presenciar Seus milagres, Jesus não tolerava nem mesmo o medo de morrer. É o que vemos quando o vento e as ondas jogavam o barco de um lado para outro, e eles atemorizavam-se. Ele repreendeu-os seriamente: "Por que este medo, gente de pouca fé?" Mt 8,26
    Da mesma forma, quando São Pedro ofereceu-se para andar sobre as águas, mas vacilou diante das grandes ondas, também foi censurado por Ele: "Homem de pouca fé, por que duvidaste?" Mt 14,31
    O mesmo se deu quando os Doze já não entendiam Sua Palavra, por preocuparem-se demasiadamente com a comida que levavam para a viagem. Ele não os poupou: "Homens de pouca fé! Por que julgais que vos falei por não terdes pão?" Mt 16,8-9
    Ou quando os Apóstolos não conseguiram exorcizar um menino possesso, por quem clamava seu pai: "Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei convosco e vos aturarei? Traze cá teu filho." Lc 9,41
    São Tomé também não foi tolerado por sua incredulidade e egocentrismo. Enquanto duvidava de Sua Ressurreição, ou exigia pessoalmente uma prova, quando apareceu mais uma vez no meio dos Onze, Jesus lhe disse: "Introduz aqui o teu dedo, e vê as Minhas mãos. Põe a tua mão no Meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé." Jo 20,27
    A mulher estrangeira, em contraponto, que aceitou humildemente 'as migalhas' de Sua atenção, recebeu um entusiasmado elogio de Jesus. De fato, sua fé estava acima da vergonha ou do vaidade: "Ó mulher, grande é tua fé!" Mt 15,28
    O centurião, no mesmo sentido, que acreditava que bastaria tão somente uma Palavra Sua para a cura de seu servo, também foi enaltecido por Jesus: "... nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé." Lc 7,9
    Reclamava, realmente, de toda uma geração e suas 'prudências': "Portanto, eis que vos digo: não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis. A vida não é mais do que o alimento e o corpo não é mais que as vestes? Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas? Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida? E por que vos inquietais com as vestes? Considerai como crescem os lírios do campo; não trabalham nem fiam. Entretanto, Eu digo-vos que o próprio Salomão no auge de sua glória não se vestiu como um deles. Se Deus veste assim a erva dos campos, que hoje cresce e amanhã será lançada ao fogo, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, Vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas próprias preocupações. A cada dia basta o seu cuidado." Mt 6,25-34
    E apontando a imprudente cultura dos mundanos prazeres, denunciava a origem de toda incredulidade: "Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros, e não buscais a Glória que é só de Deus?" Jo 5,44
    São Paulo, que já divisava perfeitamente a Divindade de Jesus pelas Escrituras, sabia muito bem o caminho: "Logo, a fé provém da pregação, e a pregação exerce-se em razão da Palavra de Cristo." Rm 10,17
    Condenava, por isso, os projetos que não têm por meta a Vida Eterna: "Se é só para esta vida que temos colocado a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima." 1 Cor 15,19
    O que aprendemos de Jesus, portanto, é que Ele não nos quer entregues a ventos de incertezas. Temos sempre que acreditar, não importa quão difícil seja a situação, mesmo vivendo num mundo extremamente violento, onde a vida foi banalizada. Poderíamos deixar de dar nosso testemunho de fé? Não por acaso, quando falava sobre os últimos tempos, Ele deixou uma ruidosa pergunta: "Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?" Lc 18,8
    E Ele mesmo a respondeu, embora noutras palavras e noutra situação: "A maldade se espalhará tanto que o amor de muitos esfriará." Mt 24,12
    Contudo, não deixou de apontar o caminho da firmeza da fé: "Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo" Mt 24,13
    É por essa razão que devemos buscar o dom da fortaleza, que nos é dado pelo Espírito Santo. São Pedro recomenda a busca dessa virtude numa sequência de outras: "Por isso mesmo, dedicai todo o esforço em juntar à vossa fé a fortaleza, à fortaleza o conhecimento, ao conhecimento o domínio próprio, ao domínio próprio a constância, à constância a piedade, à piedade a fraternidade, e à fraternidade, o amor." 2 Pd 1,5-7
    Jesus garantiu: "Portanto, quem ouve estas Minhas Palavras e as põe em prática é como um homem sensato, que construiu sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as enchentes, os ventos deram contra a casa, mas a casa não desabou, porque estava construída sobre a rocha." Mt 7,24-25
    E recomendou a constante vigília, só possível por frequentes orações, como a verdadeira prudência: "Então o Reino dos Céus será semelhante a dez virgens, que saíram com suas lâmpadas ao encontro do Esposo. Cinco dentre elas eram tolas e cinco, prudentes. Tomando suas lâmpadas, as tolas não levaram óleo consigo. As prudentes, todavia, levaram de reserva vasos de óleo junto com as lâmpadas. Tardando o Esposo, cochilaram todas e adormeceram. No meio da noite, porém, ouviu-se um clamor: 'Eis o Esposo, ide-Lhe ao encontro.' E as virgens levantaram-se todas e prepararam suas lâmpadas. As tolas disseram às prudentes: 'Dai-nos de vosso óleo, porque nossas lâmpadas se estão apagando.' As prudentes responderam: 'Não temos o suficiente para nós e para vós; é preferível irdes aos vendedores, a fim de o comprardes para vós.' Ora, enquanto foram comprar, veio o Esposo. As que estavam preparadas entraram com Ele para a sala das bodas e foi fechada a porta. Mais tarde, chegaram também as outras e diziam: 'Senhor, Senhor, abre-nos!' Mas Ele respondeu: 'Em verdade vos digo: não vos conheço!' Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora." Mt 25,1-13
    Ensina o Catecismo da Igreja: "A prudência é a virtude que dispõe a razão prática para discernir, em qualquer circunstância, o nosso verdadeiro bem, e para escolher os justos meios de atingi-lo. 'O homem prudente vigia os seus passos' (Pr 14,15). 'Sede ponderados e comedidos, para poderdes orar' (1 Pd 4,7). A prudência é a 'reta norma da ação', escreve São Tomás seguindo Aristóteles. Não se confunde, nem com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação. É chamada 'auriga virtutum – condutor das virtudes', porque guia as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida. É a prudência que guia imediatamente o juízo da consciência. O homem prudente decide e ordena a sua conduta segundo este juízo. Graças a esta virtude, aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e ultrapassamos as dúvidas sobre o bem a fazer e o mal a evitar." CIC § 1807

    "Caminhamos na estrada de Jesus!"