domingo, 13 de agosto de 2017

Bem-Aventurada Dulce dos Pobres


    Aos 13 anos, Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes foi com uma tia materna visitar os pobres atendidos num convento de freiras. Nesse dia, ela se decidiu: "Quero ser freira e dedicar minha vida aos pobres." Assim começava a vida espiritual do 'Anjo Bom da Bahia'.
    Logo quis entrar no Convento de Santa Clara dos Desterros, mas foi recusada por ser muito jovem. Esse fato, porém, não a impediu de começar ajudar os mais carentes, pois com a permissão dos familiares começou a fazer de sua casa um ponto de apoio para mendigos, doentes e necessitados.
    Em 1933, aos 18 anos, formou-se professora primária, mas preferiu entrar para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na cidade de São Cristóvão, Sergipe. Um ano e meio depois já fazia sua profissão de votos e adotava o nome de Irmã Dulce, em homenagem à sua mãe, que havia perdido aos 6 anos de idade. Tinha o corpo pequeno e de aparência frágil, porém a sua obra iria mostrar do que é capaz uma alma tomada pela e pelo amor ao próximo.


    Foi enviada à cidade de São Salvador para dar aulas num colégio da congregação, mas aproveitava todo o tempo restante para visitar e ajudar as comunidades mais pobres, como as de Alagados e Itapagipe. Em pouco mais de dois anos, em 1937, aos 24 anos, trabalhando com frei Hildebrando Kruthaup, um franciscano, já haviam fundado a União Operária São Francisco, primeiro movimento cristão operário da Bahia, e o Círculo Operário da Bahia, uma escola de ofícios, ambos mantidos por 3 cinemas populares que ela e o frade construíram com doações. O objetivo era criar mais cooperativas operárias, que promovessem social e culturalmente os trabalhadores e defendessem seus direitos.


    Em 1939, abriu o Colégio Santo Antonio para os operários e seus filhos. Destemida, invadiu 5 casas abandonadas na Ilha dos Ratos, para que servissem de abrigo para os enfermos que recolhia das ruas. Ao ser expulsa, improvisou lugares por mais de 10 anos até decidir-se por abrigá-los no galinheiro do Colégio Santo Antonio, e por isso foi muito criticada. Não seria um lugar digno. Mas ela estava quase só numa luta aparentemente inglória em defesa dos abandonados, contando apenas com a ajuda da própria comunidade pobre em que morava.
    Contudo, não desistia: ia aonde podia pedir alimentos, remédios, assistência médica de colaboradores e ajuda financeira. Na maioria das vezes, só era atendida por pequenos comerciantes e amigos, que se comoviam com seu esforço. O galinheiro hoje é o Hospital Santo Antonio, com 11 núcleos de especialidades médicas e capacidade para 700 pacientes e 200 casos ambulatoriais. Atende gratuitamente mais de 1 milhão de pessoas por ano. Desde o início, ela dizia: "Quando nenhum hospital quiser aceitar algum paciente, nós aceitaremos. Essa é a última porta e por isso eu não posso fechá-la."
    Fundou também um orfanato numa pequena cidade, muito carente, vizinha a Salvador, em 1964: o Centro Educacional Santo Antonio, nome recorrente de suas obras sociais. Era o Santo a quem ela tanto rezava enquanto adolescente, pedindo que lhe mostrasse se deveria casar ou ser freira. Esse Centro hoje funciona como escola para 300 alunos, de 3 aos 17 anos, e ministra cursos profissionalizantes.
    Em 1980, em visita ao Brasil, o Papa São João Paulo II fez questão de recebê-la e elogiou seu tocante trabalho prestado aos pobres.
    Em 1984, aos 70 anos, ela vai fundar a Associação Filhas de Maria Servas dos Pobres, também de cunho beneficente.
    Em 1988, teve sua indicação aceita para o prêmio Nobel da Paz.


    Em 1991, recebeu uma especial deferência do Papa São João Paulo II, que em segunda visita ao Brasil fez questão de visitá-la no hospital, pois já estava bastante enferma e fragilizada.
    Em 1992, aos 77 anos, o Anjo Bom da Bahia foi para a casa do Pai.
    Serviu ao povo carente por mais de 50 anos. Viveu tão somente para fazer caridade e assim se via muito feliz: "Se fosse preciso, começaria tudo outra vez do mesmo jeito, andando pelo mesmo caminho de dificuldades, pois a fé, que nunca me abandona, me daria forças para ir sempre em frente."
    Santa Teresa de Calcutá era grande admiradora de seu trabalho.


    Em sua homenagem e para atender as constantes visitas, fez-se um memorial em Salvador.


    Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, rogai por nós!