quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A Verdadeira Liberdade


    Falando por Deus, o Profeta Isaías antecipou as palavras do discurso inaugural da vida pública de Jesus, o Messias, cuja Missão é "... anunciar aos cativos a Redenção, e aos prisioneiros a liberdade..." Is 61,1
    Ele certamente referia-se a algo maior, muito além da mera liberdade de ir e vir. Falava de uma escravidão mais sutil, mas nem por isso menos sufocante e destruidora. E é Jesus mesmo Quem nos diz mais claramente de qual escravidão Ele veio nos libertar: "... todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo." Jo 8,34
    Falando, portanto, de todos os inimigos, principalmente das forças invisíveis, no dia do nascimento de São João Batista, seu filho, o sacerdote Zacarias explicitou a missão de Jesus, dizendo que só por Sua Redenção podemos apropriadamente louvar a Deus: "Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e resgatou o Seu povo, e suscitou-nos um Poderoso Salvador, na casa de Davi, Seu servo (como desde os primeiros tempos havia anunciado mediante os Seus santos Profetas), para livrar-nos dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam. Assim exerce a Sua Misericórdia com nossos pais, e recorda-Se de Sua Santa Aliança, segundo o juramento que fez a nosso pai Abraão: de conceder-nos que, sem temor, libertados de mãos inimigas, possamos servi-Lo em santidade e justiça, em Sua presença, todos os dias da nossa vida." Lc 1,68-74
    Sob as forças invisíveis, São Paulo foi ainda mais explícito: "Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal espalhadas nos ares." Ef 6,12
    Nessa perspectiva, ele explica o que efetivamente representam os valores que cultuamos: "Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para lhe obedecer, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça?" Rm 6,16
    Por isso ele reza para que os incrédulos sejam libertados da impenitência e das ilusões: "... na Esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento e o conhecimento da Verdade, e voltem a si, uma vez livres dos laços do demônio, que os mantém cativos e submetidos aos seus caprichos." 2 Tm 2,26
    Mas como poderíamos ser realmente livres se, como é notório da realidade que se vive, não podemos contemplar a Glória de Deus? "... todos pecaram e todos estão privados da Glória de Deus..." Rm 3,23
    Ora, essa é a maior angústia da humanidade, que sonha com a eternidade e "... espera ser libertada da escravidão da corrupção, em vista da liberdade que é a Glória dos filhos de Deus." Rm 8,21
    Com esse fim Jesus ungiu os Apóstolos, para que eles pudessem viver e promover a verdadeira união facultada por Sua Igreja, que é Seu Corpo Místico: "Dei-lhes a Glória que Me deste, para que sejam um, como Nós somos um: Eu neles e Tu em Mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que Me enviaste e os amaste, como amaste a Mim. Pai, quero que, onde Eu estou, estejam comigo aqueles que Me deste, para que vejam a Minha Glória que Me concedeste, porque Me amaste antes da criação do mundo." Jo 17,22-24
    Eis que São Paulo atesta: "... quem se une ao Senhor, torna-se com Ele um só Espírito." 1 Cor 6,17
    Tal purificação deu-se por Sua Palavra: "Vós já estais puros pela Palavra que vos tenho anunciado." Jo 15,3
    De fato, como sentenciou, só através d'Ele podemos chegar ao esplendor da Graça: "... ninguém vem ao Pai senão por Mim." Jo 14,6
    Pois só Ele pode revelar-nos o Pai: "... ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-Lo." Mt 11,27
    Por isso São Paulo fala da Esperança de, através do Cristo, ou seja, de Seu modelo de amor, que inequivocamente inclui sacrifício, recuperarmos divina semelhança, a Divina Glória: "Por Ele é que tivemos acesso a essa Graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na Esperança de possuir um dia a Glória de Deus." Rm 5,2
    Também São Pedro: "O poder divino deu-nos tudo o que contribui para a Vida e a piedade, fazendo-nos conhecer Aquele que nos chamou por Sua Glória e Sua virtude. Por elas, temos entrado na posse das maiores e mais preciosas promessas, a fim de tornar-vos por este meio participantes da natureza divina, subtraindo-vos à corrupção que a concupiscência gerou no mundo." 2 Pd 1,3-4
    Os seguidores da tradição de São Paulo argumentam: "Aliás, temos na terra nossos pais que nos corrigem e, no entanto, olhamo-os com respeito. Com quanto mais razão nos havemos de submeter ao Pai de nossas almas, o Qual nos dará a Vida? Os primeiros educaram-nos para pouco tempo, segundo a sua própria conveniência, ao passo que Este o faz para nosso bem, para comunicar-nos Sua santidade." Hb 12,9-10
    Em síntese, Jesus veio mostrar-nos o caminho da Glória que é a verdadeira liberdade: "Se permanecerdes na Minha Palavra, sereis Meus verdadeiros discípulos; conhecereis a Verdade e ela vos libertará." Jo 8,31-32
    Mas qual seria essa Verdade que devemos conhecer? A resposta está numa de Suas mais conhecidas declarações: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida..." Jo 14,6
    Pois é d'Ele mesmo, do Mistério de Cristo que temos que aprender, e isso só é possível com o auxílio de Sua própria Graça, como disse São Paulo: "Graças a Deus que vós, depois de terdes sido escravos do pecado, passastes a obedecer de coração à Doutrina à qual Deus vos confiou." Rm 6,17
    Cristo é o nosso Modelo, afirma o Apóstolo dos Gentios: "... até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, até atingirmos o estado de homem feito, a estatura da maturidade de Cristo." Ef 4,13
    Só por Ele podemos vir a ser manifestamente libertos, como Ele mesmo afirmou: "Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres." Jo 8,36
    De fato, São João Evangelista denuncia a escravidão: "Aquele que peca é do demônio, porque o demônio peca desde o princípio. Eis porque o Filho de Deus Se manifestou: para destruir as obras do demônio." 1 Jo 3,8
    São Paulo explica: "Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do Mal espalhadas nos ares." Ef 6,12
    Ele também testemunhou nestes termos a Missão de Jesus, fazendo questão de deixar uma grave advertência: "Cristo veio para que sejamos verdadeiramente livres. Portanto, permanecei firmes e não vos submetais de novo ao jugo da escravidão." Gl 5,1
    Sem dúvida, referindo-se à Graça que era testemunhar os anos da manifestação do Messias, Jesus avisa que retornar ao pecado depois da libertação representa uma desgraça ainda maior: "Quando o espírito impuro sai de um homem, ei-lo errante por lugares áridos à procura de um repouso que não acha. Diz ele, então: 'Voltarei para a casa donde saí.' E, voltando, encontra-a vazia, limpa e enfeitada. Vai, então, buscar sete outros espíritos piores que ele, e entram nessa casa e se estabelecem aí; e o último estado daquele homem torna-se pior que o primeiro. Tal será a sorte desta geração perversa." Mt 12,43-45
    Foi quanto a isso que Ele alertou o paralítico curado num sábado, no tanque de Betesda: "Mais tarde, Jesus achou-o no Templo e disse-lhe: 'Eis que ficaste são; já não peques, para não te acontecer coisa pior.'" Jo 5,14
    Pois desde a primeira dominação pelo pecado, como ensina Nosso Salvador, o inimigo já detém o ser humano por completo: "Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens, sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa." Mc 3,27
    E tal escravidão pode arrastar-se por anos, por toda uma vida, inclusive levando à condenação eterna, pois, como disse Jesus alertando para os escândalos, "seu verme não morre": "Mas todo o que fizer cair no pecado a um destes pequeninos que creem em Mim, melhor lhe fora que uma pedra de moinho lhe fosse posta ao pescoço e o lançassem ao mar! Se a tua mão for para ti ocasião de queda, corta-a; melhor te é entrares na Vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para a geena, para o fogo inextinguível [onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga]. Se o teu pé for para ti ocasião de queda, corta-o fora; melhor te é entrares coxo na Vida Eterna do que, tendo dois pés, seres lançado à geena do fogo inextinguível [onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga]. Se o teu olho for para ti ocasião de queda, arranca-o; melhor te é entrares com um olho de menos no Reino de Deus do que, tendo dois olhos, seres lançado à geena do fogo, onde o seu verme não morre e o fogo não se apaga." Mc 9,42-48
    São Paulo também argumentou sobre a condição daqueles que deixam de testemunhar as bênçãos e as graças já alcançadas, e, negligenciando o necessário aprofundamento, acabam num tenebroso retrocesso espiritual: "A ira de Deus manifesta-se do alto do Céu contra toda a impiedade e perversidade dos homens, que pela injustiça aprisionam a Verdade. Porque, conhecendo a Deus, não O glorificaram como Deus, nem Lhe deram graças. Pelo contrário, extraviaram-se em seus vãos pensamentos, e obscureceu-se-lhes o coração insensato. Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Deus entregou-os aos sentimentos depravados, e daí o seu procedimento indigno. São repletos de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade. São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, rebeldes contra os pais." Rm 1,18.21.28-30
    E tão grave é esse retrocesso, que os seguidores de São Paulo equivocadamente não viam mais solução: "Depois de termos recebido e conhecido a Verdade, se a abandonarmos voluntariamente, já não haverá sacrifício para expiar este pecado. Só teremos que esperar um juízo tremendo e o fogo ardente que há de devorar os rebeldes. Quanto pior castigo julgais que merece quem calcar aos pés o Filho de Deus, profanar o Sangue da Aliança, em que foi santificado, e ultrajar o Espírito Santo, Autor da Graça!" Hb 10,26,27.29
    Dentre os pecados da vida adulta, descrevendo talvez o mais grave retrato do adultério, o Arcanjo Rafael já havia ensinado a Tobias: "Ouve-me, e eu te mostrarei sobre quem o demônio tem poder: são os que se casam, banindo Deus de seu coração e de seu pensamento, e entregam-se à sua paixão como o cavalo e o burro, que não têm entendimento; sobre estes o demônio tem poder." Tb 6,16-17
    Citando as Escrituras, São Pedro diz o que significa a recaída: "Com efeito, se aqueles que renunciaram às corrupções do mundo pelo conhecimento de Jesus Cristo Nosso Senhor e Salvador nelas se deixam de novo enredar e vencer, seu último estado torna-se pior do que o primeiro. Melhor fora não terem conhecido o caminho da justiça do que, depois de tê-lo conhecido, tornarem atrás, abandonando a Lei santa que lhes foi ensinada. Aconteceu-lhes o que diz com razão o provérbio: 'O cão voltou ao seu vômito' (Pr 26,11); e: 'A porca lavada volta a revolver-se no lamaçal.'" 2 Pd 2,20-22
    Ele pedia constante vigília: "Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar." 1 Pd 5,8
    Em sua análise, no mesmo sentido, São João Evangelista não vacila: "... o mundo todo jaz sob o Maligno." 1 Jo 5,9b
    São Paulo adverte: "Não quero que sejamos vencidos por Satanás, pois não ignoramos suas maquinações." 2 Cor 2,11
    Por isso ele é tão agradecido a Deus, dizendo com todas as letras aos colossenses: "Ele libertou-nos do poder das trevas e introduziu-nos no Reino de Seu Filho muito amado, no Qual temos a Redenção, a remissão dos pecados." Cl 1,13-14
    E em saudação aos gálatas, ele celebra: "... Senhor Jesus Cristo, que Se entregou por nossos pecados para libertar-nos da perversidade do mundo presente..." Gl 1,4a


NASCIDOS DO ESPÍRITO SANTO

    Não nos resta outra opção, portanto, senão nos deixar acolher pelo Espírito da promessa, como exortou São Paulo: "... deixai-vos conduzir pelo Espírito..." Gl 5,16
    Pois esse é o projeto do Pai, como declarou Jesus. O Santo Espírito é nosso guia para a eternidade: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê nem O conhece, mas vós O conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós." Jo 14,16-17
    São Paulo diz que Ele é a garantia dada por Deus: "Aquele que nos formou para este destino é Deus mesmo, que nos deu por penhor o Seu Espírito." 2 Cor 5,5
    Ele é nosso selo, concedido pela pregação do Cristo: "N'Ele também vós, depois de terdes ouvido a Palavra da Verdade, o Evangelho de vossa Salvação no qual tendes crido, fostes selados com o Espírito Santo que fora prometido, que é o penhor da nossa herança..." Ef 1,13-14a
    São Pedro explica como O recebemos: "... o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que Lhe obedecem." Ap 5,32
    Pois segundo São Paulo, Ele é a única maneira de alcançarmos a Glória, a divina herança: "... pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus." Rm 8,14
    Glória que é o extremo oposto da escravidão: "Portanto já não és escravo, mas filho. E, se és filho, então também és herdeiro de Deus." Gl 4,7
    Pois sendo Deus, o Espírito Santo revela-nos e convida-nos à Sua total autonomia. Não por acaso, Jesus comparou-O ao vento: "O vento sopra onde quer; ouves-lhe o ruído, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito." Jo 3,8
    São Paulo atesta essa realidade: "... onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade." 2 Cor 3,17
    Coloca nestes termos o significado da Nova Aliança: "A Lei do Espírito de Vida libertou-me, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte." Rm 8,2
    E afirma que, mesmo vivendo na carne, pela unção do Santo Paráclito é-nos possível vencer o pecado, como bem demonstrou Jesus: "O que era impossível à Lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, o Seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne, a fim de que a justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o Espírito." Rm 8,3-4
    Os seguidores da tradição paulina, por sua vez, apontam na Paixão de Cristo a vitória sobre o inimigo, e assim sobre a morte: "Porquanto os filhos participam da mesma natureza, da mesma carne e do sangue, também Ele participou, a fim de destruir pela morte aquele que tinha o império da morte, isto é, o demônio, e libertar aqueles que, pelo medo da morte, estavam toda a vida sujeitos a uma verdadeira escravidão." Hb 2,14-15
    Porque após o Sacrifício de Cristo já não pertencemos ao mundo, mas tão somente a Ele. São Paulo argumenta: "Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a Lei, pelo Sacrifício do Corpo de Cristo, para pertencerdes a Outrem, Àquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos frutos para Deus." Rm 7,4
    E explica assim o Sacramento do Batismo: "Fomos, pois, sepultados com Ele na Sua morte pelo Batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela Glória do Pai, assim nós também vivamos uma Vida Nova. Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com Ele, para que seja reduzido à impotência o corpo outrora subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do pecado." Rm 6,4.6
    Pois esse é o projeto da Salvação posto em prática por Jesus, como disse o sacerdote Zacarias, pai de São João Batista: "... para dar ao Seu povo conhecer a Salvação, pelo perdão dos pecados." Lc 1,77
    Para tanto Ele derramou o Divino Espírito sobre os Apóstolos, cuja finalidade é edificar em santidade Sua Igreja: "Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: 'Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.'" Jo 20, 22-23
    Por isso, em face dos que ainda pregavam resquícios do Antigo Testamento, São Paulo resume nesses termos à função da Igreja: "Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade." Gl 5,13a
    Devemos fugir do mundo, pois, buscando abrigo na Igreja, entre os verdadeiros cristãos, como ele recomenda a São Timóteo: "Foge das paixões da mocidade, busca com empenho a justiça, a fé, a caridade, a Paz, junto àqueles que invocam o Senhor com pureza de coração." 2 Tm 2,22
    Diz-lhe convictamente: "O Senhor me salvará de todo mal e me preservará para Seu Reino celestial." 2 Tm 4,18
    E garante também aos romanos: "O pecado já não vos dominará, porque agora não estais mais sob a Lei, e sim sob a Graça." Rm 6,14
    Mas, claro, informa de um inevitável compromisso: "E, libertados do pecado, vos tornastes servos da justiça." Rm 6,18
    Contudo, sabemos que a nova condição é incomparavelmente melhor. Jesus propõe-na nesses termos: "Tomai Meu jugo sobre vós e recebei Minha Doutrina, porque Eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas." Mt 11,29
    Ele garante: "Eu vim para que as ovelhas tenham Vida, e tenham-na em abundância." Jo 10,10b
    São João Evangelista, falando sobre a moção interior do Santo Paráclito, explica assim a condição dos Santos: "Todo o que é nascido de Deus não peca, porque o germe divino reside nele... o que é gerado de Deus se acautela, e o Maligno não o toca." 1 Jo 3,9a;5,18b
    E olhando o futuro, ele anuncia a indizível Graça do pleno retorno à gloriosa filiação e à semelhança de Deus: "Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto O veremos como Ele é." 1 Jo 3,2
    É quando nossa liberdade será total e absoluta, como disse São Paulo: "O último inimigo a derrotar será a morte..." 1 Cor 15,26
    Por isso Jesus prometeu: "Eu sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá." Jo 11,25
    Mas a Salvação é uma conquista, e ainda temos nossa missão por cumprir, demonstrando fé no amor salvífico. E se temos padecido algum sofrimento, segundo São Paulo, foi "... para que aprendêssemos a pôr a nossa confiança não em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos." 2 Cor 1,9
    Até que, pela ressurreição da carne, retornemos à definitiva Glória, sendo "... revestidos com uma veste nova, por cima da atual, de modo que o que há de mortal em nós seja absorvido pela Vida." 2 Cor 5,4
    Essa é a santidade semeada em nós pelo Cristo através dos Sacramentos, desde o Batismo: "... vos revestistes do novo, que se vai restaurando constantemente à imagem d'Aquele que o criou, até atingir o perfeito conhecimento." Cl 3,10
    Só a libertação, portanto, que é realizada pela absolvição dos pecados, pode abrir-nos o caminho à plena santidade e à eternidade: "Mas agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes por fruto a santidade; e o termo é a Vida Eterna." Rm 6,22
    Essa é a Glória dos filhos de Deus, como disse o próprio Jesus: "Então, no Reino de Seu Pai, os justos resplandecerão como o sol." Mt 13,43
    Exatamente como aconteceu a Nossa Senhora: "Apareceu em seguida um grande sinal no Céu: uma Mulher revestida do sol..." Ap 12,1
    E tudo isso, diz o Santo de Tarso, devemos agradecer ao Salvador: "Em Cristo, pela que temos n'Ele, conseguimos plena liberdade de aproximar-nos confiantemente de Deus." Ef 3,12
    Inspirado, ele faz-nos recordar o Sangue de Seu Sacrifício: "Por alto preço fostes comprados, não vos torneis escravos de homens." 1 Cor 7,23
    Sacrifício, aliás, ao qual Jesus exemplarmente se submeteu, por puro amor, 'abraçando livremente a Paixão': "... dou a Minha vida para retomá-la. Ninguém a tira de Mim, mas Eu dou-a de Mim mesmo pois tenho poder para dá-la, como tenho poder para reassumi-la." Jo 10,18
    E assim Ele ensina: "Se alguém quer seguir-Me, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-Me. Porque aquele que quiser salvar sua vida, perdê-la-á; mas aquele que perder sua vida por amor a Mim e ao Evangelho, salvá-la-á. Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua vida?" Mc 8,34b-37
    O salmista já observava: "Apenas clamaram os justos, o Senhor atendeu-os e livrou-os de todas suas angústias. O Senhor está perto dos contritos de coração, e salva os que têm o espírito abatido. São numerosas as tribulações do justo, mas o Senhor livra-o de todas. O Senhor livra a alma de Seus servos; não será punido quem a Ele se acolhe." Sl 33,18-20.23
    E tendo presente que Deus é o Sumo Bem, o Catecismo da Igreja afirma: "Quanto mais pratica o bem, mais a pessoa se torna livre." CIC 1733

    "Salvador do mundo, salvai-nos, Vós que nos libertastes pela Cruz e Ressurreição."